Ativista pela descriminalização do aborto faz B.O. contra ameaças

Débora Diniz, que é professora da UnB e está à frente do à frente do Instituto Anis, é uma das maiores estudiosas brasileiras do tema

A professora da faculdade de direito da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz registrou uma denúncia Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brasília após sofrer ameaças de violência e morte nas redes sociais. Ela abriu um pedido para que a Polícia Civil investigue os autores do conteúdo criminoso.

Em entrevista ao G1, ela revelou que recebe xingamentos, acusações e vídeos com “formas como ela tem que morrer” desde abril. Segundo Débora, as ameaças se devem ao fato de ela ter sido uma das responsáveis por propor ao Supremo Tribunal Federal (STF) a descriminalização do aborto no Brasil. O caso será analisado em agosto.

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“À medida que as pessoas souberam da minha atuação à frente da Anis, começaram a ultrapassar a fronteira da razoabilidade”, contou ao portal. “Aquilo que deveria ser um debate civilizado passou a ser uma onda de ameaças enviadas à página institucional.”

“Achei que era covardia de quem se esconde nas redes sociais, até que iniciaram uma campanha com acusações graves. Foi aí que resolvi ir à delegacia da mulher”, disse.

Algumas das mensagens públicas chamam a professora da UnB de “assassina”. Outras chegam a incitar diretamente a violência física e o assassinato da docente.

Apoio da Universidade de Brasília

Em defesa da professora, a Universidade de Brasília divulgou uma carta de apoio assinada pela reitora Márcia Abrahão. O texto afirma que esses ataques virutais “atentam contra direitos humanos e liberdades fundamentais”.

O comunicado destacou ainda a trajetória de Débora como “docente e ativista da defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres”. “Não é absolutamente admissível que se faça oposição à sua atuação ou proposições em termos difamatórios ou ameaçadores”, disse o texto.

Débora Diniz, 48 anos,é uma das referências no país sobre o tema do aborto seguro e da defesa dos direitos das mulheres. Ela já foi considerada pela revista norte-americana “Foreign Policy” um dos 100 pensadores globais de 2016 pelo trabalho sobre as grávidas que contraíram o zika vírus. Atualmente, está à frente do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis).