Ano-novo logo ali na esquina: hora de começar os planos

A listinha de metas feita em janeiro ainda não foi cumprida. Especialistas mostram como virar o jogo

Os fogos de artifício ainda brilhavam no céu e, mentalmente, você já enumerava as metas para o novo ano. Começava prometendo que dessa vez ia ser diferente. Determinada, em consequência do clima geral de renovação, caprichou na lista de resoluções pessoais. Agora, adiante a cena para o dia de hoje. O tempo voou, já estamos chegando ao final do ano e a relação de projetos está no fundo da gaveta, bem longe de ser executada.

Assombrada pelo fantasma do Réveillon passado, você se pergunta o motivo de não ter evoluído muito nessa tarefa. Para Ulisses Natal, psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a desistência pode ser motivada por três fatores. Talvez as metas sejam muito difíceis, dependam de outras pessoas ou tenha faltado a definição de estratégias para cumpri-las.

Em todos os casos, os obstáculos dão a impressão de que o objetivo é inalcançável e, por consequência, nos sentimos desmotivadas. Mas, afinal, por que, para nós, é tão importante estabelecer metas? Ulisses acredita que esse comportamento surge do desejo de assumir as rédeas do destino. “É como dizer ao mundo: ‘Não deixo a vida me levar’. E também de afirmar para si mesma que é possível resolver questões que incomodam”, diz ele.

Em 2018, o 7waves (sete ondas, em tradução livre), aplicativo que auxilia os usuários a correr atrás de suas resoluções, realizou uma pesquisa para investigar o que os brasileiros desejavam para 2019. Foram mais de 21 mil respostas. Entre os itens mais comuns estavam promessas de se dedicar à saúde – incluindo aí praticar esportes e ter uma alimentação saudável –, guardar dinheiro e quitar débitos e, por último, se dedicar a aprender algo novo. Se daquela vez não deu, não desista. Ainda dá tempo de fazer este ano ser diferente e chegar mais perto dos seus objetivos.

Antes de tudo

Sabe aquele ditado que diz que a pressa é inimiga da perfeição? Ela também não ajuda no sucesso. Portanto, antes de qualquer coisa, respire fundo e segure a vontade de se lançar em uma corrida desesperada contra o relógio. Mesmo que esteja disposta a recuperar o tempo perdido, primeiro considere a viabilidade da meta. Ela é alcançável? O que é necessário fazer para atingi-la?

 (Getty Images/Getty Images)

Nesse caminho, você vai precisar de mais alguém? Por fim, e mais importante de tudo, avalie se essa meta ainda faz sentido, se você realmente deseja realizá-la. No caso de a promessa ser mantida, trace uma estratégia possível e determine o prazo para cumpri-la. Destaque-a em calendários e lembretes; coloque post-its na geladeira. Periodicamente, volte ao que foi definido e faça os ajustes. Lembre-se de que o fundamental é ser sincera com você mesma.

“O principal é mudar a cabeça antes do corpo. Quando transformamos comportamentos saudáveis em hábitos, o que parece tão difícil hoje será mais prazeroso e natural”, Felipe Rabelo, treinador de atletas profissionais.

Se sua meta era…

1 – Fazer exercícios

Há uma turma (grande) que paga mensalmente a academia mas não pisa no lugar há meses. Quer sair desse grupo e voltar à ativa? O treinador de atletas profissionais Felipe Rabelo indica: “Antes de tudo, vá ao médico”. Ele dirá se coração, pulmão e ossos estão aptos para a atividade. Depois, busque um preparador físico, que irá planejar sua rotina de exercícios do primeiro ao último dia de treino.

“Ter supervisão fará toda a diferença no esforço de atingir o resultado mais rápido e de maneira segura, sem ter que regredir ou parar por excessos.” Escolher aulas do seu agrado é essencial, assim como arrumar uma colega de malhação com objetivo semelhante ao seu. “O principal é mudar a cabeça antes do corpo. Quando transformamos comportamentos saudáveis em hábitos, o que parece tão difícil hoje será mais prazeroso e natural”, acrescenta. E preste atenção no corpo – dor muscular não é sinônimo de treino bem-feito.

2- Ter uma dieta mais equilibrada

“Desembale menos e descasque mais”, diz o nutricionista Dennys Esper Cintra, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na área de nutrigenômica. “A estratégia para ter uma vida saudável é evitar produtos ultraprocessados. Assim, o risco de errar ao se alimentar é mínimo”, explica. Sabemos que não existe fórmula mágica e que cada caso depende da observação das necessidades individuais, mas esse caminho com certeza levará você na direção de um cardápio de mais qualidade.

Segundo Dennys, o ideal é que a mudança ocorra de forma gradual e sempre acompanhada de um profissional da nutrição para não provocar traumas ou desistência precoce. “A probabilidade de alcançar o resultado sozinha é pequena. Além disso, há riscos, podendo levar a consequências que comprometem o futuro da meta. Nesse assunto, não dá para ser imediatista”, diz.

3 – Guardar dinheiro

Em época de crise, os preços sobem, o salário fica cada vez mais ralo e poupar parece impossível. Não é. Quem garante é Ricardo Pereira, educador financeiro e sócio-fundador do Dinheirama. Para começar, pense em uma quantia real – pode ser até 100 reais por mês. “O ideal é aplicar o método ‘recebi, investi’, ou seja, separar o valor assim que o salário entrar na conta, em vez de esperar para ver o que vai sobrar”, explica.

Se for aplicar o dinheiro, procure os investimentos mais indicados de acordo com seu objetivo, como comprar um apartamento, trocar de carro, viajar para o exterior no próximo ano. Importante: se estiver em débito, foque antes em saldá-lo. “Uma opção interessante para quem tem dívidas em cartão e cheque especial é fazer um empréstimo pessoal, porque os juros são mais baixos. Você ainda vai ter uma dívida, mas, no final, ela sairá mais barata.”

4 – Aprender outra língua

Saber mais de um idioma já não é apenas um diferencial, mas um requisito básico para muitas vagas no mercado de trabalho. Ainda que digam que aprender na infância é mais fácil, nunca é tarde para estudar outra língua. “Indo às aulas duas vezes por semana e fazendo exercícios em casa, é possível ganhar autonomia para se comunicar em situações cotidianas, profissionais ou pessoais”, afirma Marcela Cintra, gerente de novos produtos da Cultura Inglesa em São Paulo.

Segundo ela, entre os fatores que podem atrapalhar o progresso estão as altas expectativas e o medo de errar, que faz os alunos se arriscarem pouco e falarem menos do que deveriam. Para superar esses obstáculos, Marcela indica ter paciência consigo mesma e consciência de que o aprendizado de uma língua é um projeto de longo prazo. “É como uma maratona, não uma corrida de 100 metros rasos”, exemplifica. Para quem já está empenhado e busca melhores resultados, ela sugere: “Celebre as pequenas conquistas, as situações em que já consegue se comunicar. Tente usar palavras e expressões além das que estão nas aulas, converse com seu professor e peça ajuda para traçar metas alcançáveis”.

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