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A Paris de Danuza Leão

Paris é cidade europeia predileta da cidadã do mundo Danuza Leão. E fica fácil entender por que lendo os trechos desse roteiro particular e cheio de charme

Por Danuza Leão (colunista) Atualizado em 28 out 2016, 06h02 - Publicado em 1 nov 2010, 22h00

Café Flore, Livraria La Hune e Jardim de Luxemburgo: escolhas charmosas na Rive Gauche. Foto: Divulgação

Ah, Paris. Desde que pus os pés em Paris pela primeira vez, soube que iria amá-la até o fim dos meus dias. Minha história com a cidade começou muito cedo e marcou minha vida para sempre; a primeira vez, eu tinha 17 anos e morei lá por dois; depois voltei, aos 30, e fiquei cinco anos.

Meu quartier amado vai da Rue du Dragon até o Odéon (em Saint-Germain). Por que “meu quartier amado”? Primeiro porque ando de um lado para outro, a pé, não tenho que reservar o restaurante e a isso chamo liberdade, coisa que prezo muito. 

O Flore é o melhor café que existe; lá você pode sentar com um jornal ou um livro, pedir um café e ficar o dia inteiro, sem ninguém te incomodar. Os sanduíches são ótimos, tem todo tipo de vinho e champanhe, que se pede por copo. 

Ao lado tem uma livraria maravilhosa, a La Hune, aberta até a meia-noite. E atenção: a metros de distância há outro café, o Deux Magots, bem parecido com o Flore, mas em Paris é preciso escolher: ou você é Flore ou você é Deux Magots. Eu sou Flore. 

Se bater uma fome pequena, você resolve seu problema ali mesmo, mas, se for daquelas maiores, é só atravessar a rua e entrar no Chez Lipp, a brasserie mais tradicional de Paris, que existe desde 1880.

O Welcome, hotel em que me hospedo há 20 anos, é até simples demais. O quarto é mínimo, não tem frigobar, mas em compensação sou tratada como uma rainha. Fica bem na esquina da Rue de Seine com o Boulevard Saint-Germain, e lugar melhor eu não conheço. Grudada à parede do hotel existe uma casa de queijos, a seguir uma tabacaria, uma casa de chocolates e o Da Rosa, espanhol com deliciosas tapas, uma farmácia e logo depois um mercado de legumes e frutas da época. Compro sempre um punhado de cerejas e levo para comer no quarto. 

Do outro lado da rua, um enorme supermercado. Logo depois é o Chez Paul, uma casa de chá onde se comem os melhores croissants e brioches da cidade. Já estamos na esquina da Rue de Buci. Virando à direita e atravessando a rua, temos o pâtissier, a lojinha de foie gras, outra de meias, uma livraria de arte, um pequeno restaurante chinês onde você come por 15 euros – com o vinho incluído.

E ali perto fica o Carrefour de l’Odéon, onde poderá escolher entre uns 15 filmes. Na região está ainda um dos mais belos jardins de Paris, o Luxembourg, sempre um passeio deslumbrante. E, descendo a Saint-Michel, você pode ir até o Sena, caminhar pela margem, vendo em frente a Notre Dame e guardando no coração esse momento precioso. 

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Bistrô Les Editeurs, Jardim das Tulherias e uma das maravilhas da casa de chá Angelina: achados parisienses. Foto: Divulgação

COMIDINHAS

Se quer comer uma coisinha ligeira, vá ao Da Rosa, na Rue de Seine. Lá você escolhe porções de salmão defumado, uma das diversas qualidades de presunto, inclusive o bellota, gaspacho, pedaços de parmesão para molhar no vinagre balsâmico, salada, risotos, chouriço, tudo é de matar, de tão bom. E isso rapidinho, com um copo de vinho, e bem barato. 

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Outro bistrô que frequento porque é um bistrô de verdade, não globalizado, é o Vins & Terroirs, na Rue Saint André des Arts. O lugar é pequeno, aconchegante, o patron vem à mesa aconselhar o vinho, é uma delícia total. E tem também o Les Éditeurs, no Carrefour de l’Odéon, rodeado de estantes, onde você pode sentar e ficar horas lendo o livro que escolher, tomando um copo de vinho bem devagar. Tem uma sobremesa quente de chocolate, que vem acompanhada de um sorvete de rosas que é um espetáculo. Recomendo.

Atravesse a pé os lindos jardins das Tulherias (atrás do Louvre) e vá até as arcadas da Rue de Rivoli. Procure o número 226; é o Angelina, uma casa de chá que existe desde 1903, onde você vai tomar o melhor chocolate do mundo: denso, cremoso, divino. Para acompanhar, um mont-blanc, creme de castanha, com bastante chantilly, um delírio. Só aí devem ser umas 5 mil calorias, mas tudo bem. 

 

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Galeriea Vivienne, Place des Vosges e Notre Dame: até o óbvio é mais charmoso em Paris. Foto: Divulgação

COMPRINHAS 

Se quer comprar os mais sensacionais sapatos de Paris, vá direto à Rue de Grenelle. Lá, ou nas ruas vizinhas, estão as principais grifes. Mas, se você quiser sapatos com preços mais acessíveis, aconselho percorrer a Rue du Four e a Rue de Rennes. 

A minha butique preferida ultimamente é a Yuki Torii, escondida na Galerie Vivienne, perto da Place des Victoires. Já as lojas vintage são caras. Uma das mais famosas, no Palais Royal, é a de Didier Ludot, mas prepare seu cartão de crédito. 

Na Rue des Rosiers (a rua é pequena, você encontra logo), há um brechó sem nome, que tem escrito em cima “Coiffeur” (cabeleireiro). A média de preço dos vestidos, casacos, saias, blusas, suéteres é 5 euros. É, 5 euros. Não tem uma vez que eu vá a Paris e não dê minha passada pela Rue des Rosiers. E volto sempre com um pacotinho.

Não sei bem por quê, mas sempre deixo para ir à Place des Vosges aos domingos. Construída em 1600, é a mais antiga da cidade; lindamente simétrica, suas casas são todas iguais, e uma arcada a circunda. Ali moraram Victor Hugo e o cardeal Richelieu, e aos domingos tem sempre música. Dê um grande passeio sob a arcada; você vai encontrar a butique de Issey Miyake, a Mademoiselle Vegas, definitivamente rock’n’roll, onde poderá fazer uma tatuagem (fake). Também poderá comer um peixe ou uma carne por 10 euros no Le Rouge-Gorge ou comprar a bolsa dos seus sonhos na L’Echoppe à Sacs.

 

 

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