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Após um ano à frente do Como Será?, Sandra Annenberg entrega: “Eu ainda acredito no ser humano”

A jornalista comenta o sucesso da atração e comenta as mudanças que podemos promover através de pequenas ações.

Por Isabella D'Ercole Atualizado em 29 out 2016, 00h37 - Publicado em 21 ago 2015, 18h34

A jornalista Sandra Annenberg é um fenômeno da internet. Simpática e divertida, já virou meme inúmeras vezes após boas sacadas durante a exibição do Jornal Hoje, que apresenta. Mas, além de entregar as notícias de segunda à sexta, há um ano ela também entra ao ar aos sábados, em “Como Será?”. O programa, que fala sobre educação, responsabilidade social e sustentabilidade tem cativado o público. “Aprender é uma paixão minha e eu acredito que a educação é a base de tudo. Falta promovermos mais discussões sobre a sociedade em que vivemos”, diz Sandra. Em entrevista exclusiva para CLAUDIA, ela conta sobre a alegria e o orgulho de ver a audiência aumentar quase 20% em menos de um ano e também fala sobre as mudanças que podemos promover através de pequenas ações.

 

De onde veio a vontade de trabalhar com algo ligado à educação?
Sempre foi uma área de muito interesse. E há uns anos, durante minhas férias, tive a ideia de um programa sobre o assunto. Acho que a TV tem uma carência disso. Na época, fui convidada para assumir o Globo Cidadania, mas já tinha em mente um projeto um pouco maior. Desenvolvemos um programa que aborda várias questões: atitude social, responsabilidade, sustentabilidade. Assim surgiu o “Como Será?”. Para mim, educação é a base de tudo, aprender é uma paixão minha. E acho que falta promovermos mais discussões sobre nossa convivência, a sociedade em que vivemos, como nos comportamos em comunidade, como lidamos com o outro. Por que eu respeito no transito alguém que conheço, mas não um desconhecido? Se é um amigo, abro um sorriso, dou passagem. Mas para o outro, não. Temos que nos questionar o tempo todo para entender e mudar esse comportamento. Eu ouvia aquela máxima: não faça com o outro o que você não quer que façam com você. Adaptei para uma postura mais prática: faça com o outro só o que você quer que façam com você.

No ritmo, o que muda de um jornal diário para um programa semanal?
Adoro o factual, a cobertura ao vivo, aquela adrenalina do diário. Continuo gostando de fazer, mas, ao mesmo tempo, a notícia normalmente é uma tragédia, um drama. Eu gosto que o programa transforma coisas boas em notícia. E as pessoas querem ver isso. Tanto é que a audiência aumentou 19% desde que passamos a entrar no ar às 7 horas em vez de 6 horas. A apresentação é gostosa, divertida, é a chance de explorar meu lado atriz, colocar os pés no palco.

Na época em que o programa estreou, você deu uma declaração fazendo um chamado por ação, dizendo que nos limitamos muito à posição de espectadores. O que mudou em você depois de um ano?
Não só que a gente tem uma postura passiva, mas deposita no outro a responsabilidade por tudo que nos acontece. No último ano, meu olhar mudou para as pessoas que estão sim fazendo coisas bacanas. Tem quem esteja tentando fazer o bem pela rua onde mora, pelo bairro, a vizinhança. Acredito que, de pouco em pouco, com ações pequenas, a gente muda o todo, faz uma grande transformação. Consegui mudar isso em mim, colocar pequenas ações em prática. Tento economizar água e luz, ter uma postura mais positiva. Acordo e digo para mim mesma: “Hoje o dia vai ser longo, que legal ter vários desafios”! Depende de como você encara a vida. Problemas e dificuldades todo mundo tem, mas o que pode ser feito para mudar? O “Como Será?” propõem soluções.

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Você acha que o programa seria melhor aproveitador em outro horário?
Tenho ficado surpresa com a quantidade de pessoas que passaram a acordar mais cedo ou mudaram suas rotinas matinais só para acompanhar o programa. Vamos conquistando aos poucos, mostrando nosso conteúdo sólido, espalhando a notícia do que oferecemos. É um contágio para o bem. Por enquanto temos seguidores, mas, em breve estaremos arrastando multidões. Nosso público é bem variado e as pautas atingem muita gente.

O programa é muito interativo, uma realidade distante do dia a dia do telejornal. Como foi para você essa troca com o público?
Acho incrível como as pessoas querem participar. E o programa leva muito isso em conta. Respondemos curiosidades, perguntas do espetador, vamos atrás de coisas sugeridas por quem nos assiste. A nossa pagina no Facebook é superativa. A sensação é de semear. Aos poucos, as pessoas vão vestindo a mesma camisa. O que não significa buscar um público homogêneo. Defendemos com unhas e dentes a diversidade, promovemos o respeito ao diferente. Mas a meta em comum é tornar o mundo um lugar melhor. Queremos instigar. E isso já começa no nome do programa, que é uma pergunta.

Ao falar de educação, o programa tem a responsabilidade de incluir histórias de todo o país. Como vocês buscam essa variedade e exploram lugares sem distinção, mesmo que sejam muito afastados ou pequenos?
Não queremos restringir. No episódio de aniversário, por exemplo, mostramos o trabalho do conselho tutelar, fundamental na luta contra a violência a crianças. Fomos para Teresina, no Piauí, mostrar a realidade lá. O personagem, o conselheiro, é sensacional. Ele foi uma criança pobre, começou a trabalhar cedo e resolveu entrar para a carreira de conselheiro para que nenhuma criança passasse pelas mesmas situações que ele. Ele ajudou um menino que tinha pedido ao Papai Noel uma certidão de nascimento para poder se matricular na escola. É uma história riquíssima que precisava ser contada. A gente tem colocado nossos correspondentes atrás de boas histórias, seja onde for. Fomos ao Xingu ver os médicos que atendem os índios, outros que ficam em barcos para dar consultas às populações ribeirinhas. Nossa missão é colocar luz sobre isso, sobre essas pessoas que fazem a diferença.

Começou com o “Que deselegante!” alguns anos atrás, mas diversas outras falas suas viralizaram na internet, viraram memes. Você é uma figura querida pelo público online. Como é sua relação com eles?
Eu acho isso tão engraçado. Um dia as pessoas te amam e no outro te odeiam. Não sou movida a isso, porém. Uma coisa é ser reconhecida pelo meu trabalho, mas isso da rede é passageiro. O “Que deselegante!” era para substituir um palavrão que eu não podia falar no ar em respeito ao público, mas que caberia na situação. Eu acho que tenho um jeito mais leve de lidar com notícias duras, pesadas. Eu penso assim: já convivemos com tanta corrupção, imoralidade, falta de ética e não precisamos de mais coisas ruins, senão enlouquecemos. Para ter credibilidade, não precisa ser sisudo. A gente tem que ir tocando sem perder a ternura. Vivemos um momento de descrença em todas as áreas. Mas eu ainda acredito no ser humano. E quero resgatar essa confiança em quem está no nosso lado, convidar as pessoas a participar de um movimento de quem está fazendo algo pelo nosso país, que é o que mostramos no “Como Será?”. O que vivemos hoje, sob um olhar positivo, ajuda a entendermos o que não queremos. Agora, vamos atrás do que a gente quer, mesmo que demore um pouco.

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