CLIQUE E RECEBA EM CASA A PARTIR DE R$ 12,90/MÊS

Investimento: Para menos tormenta, pense a longo prazo

Seja para complementar uma aposentadoria ou construir patrimônio, o que seria um investimento inteligente?

Por Paola Carvalho Atualizado em 7 jul 2022, 15h41 - Publicado em 8 jul 2022, 08h21

Pensar em longo prazo é ter em mente um percurso de incontáveis ciclos. E, nessa trajetória, estar de alguma forma preparada para o improvável. Você não conseguirá prever o que pode acontecer, nem quando. Contudo, lançar mão de fundamentos e estratégias para lidar com o inesperado te dará poder. Cuidado, não é sobre criar escritas em pedra no agora.

Quanto mais abertura para autoconhecimento e entendimento sistêmico, maior a probabilidade de atingir essa resiliência, isto é, ter modelos mentais e ferramentas para se adaptar a um novo cenário a qualquer momento. Serve para a vida, serve para o que fazer com o seu dinheiro. Seja para complementar uma aposentadoria ou construir patrimônio, o que seria um investimento inteligente por um longo período de tempo?

É preciso, primeiro, falar sobre o tempo. Pego emprestada a ideia apresentada pelo laboratório de estudos Temporality Lab. Ele traz à tona o “calendário” lunar Maia, no qual o ano é formado por 13 ciclos naturais de 28 dias. Conta-se que a palavra vem do latim calenda, nome usado pelos romanos para se referir ao primeiro dia do mês (data da cobrança de impostos). Tudo isso quando a República Romana conduzida por Júlio César estava se transformando em um Império.

Mesmo sendo objetivos distantes, Não se deve negligenciar detalhes, pois escolher um bom investimento hoje não garante o rendimento de amanhã

O imperador quis estabelecer um novo calendário – naquela época, o ano tinha 360 dias, com 12 meses de 30 dias, por conta do ciclo da Lua. Aconselhado por astrônomos, César se baseou no Sol para estabelecer que os anos teriam 365 dias, exceto um em cada quatro. Para a conta fechar, o primeiro mês teria 31 dias, alternando com os que teriam 30. Por interesses políticos, e com a prática de homenagear deuses e imperadores dando seus nomes aos meses do ano, um deles foi batizado com o seu, Julho. Após a morte de Júlio César, o imperador Augusto assumiu o poder e foi homenageado com o mês seguinte. Ele não poderia ter número de dias inferior. Assim, um dia foi roubado de fevereiro.

Por convenção política, por definição dos homens, vivemos um tempo diferente. E esse é o ponto mais importante: o estabelecimento do tempo é uma convenção que nós podemos ter o controle, independentemente do que é imposto pelo sistema. Vivemos várias transformações, cada vez mais e em intervalos menores, portanto o seu longo prazo pode ser 5, 10, 20 anos ou mais. É você quem define as etapas e o todo.

Sabendo o prazo limite para um próximo passo e a chegada final, é hora de escolher um lugar onde aportar as economias: fundos de investimentos, ações, planos de previdência privada, LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), LC (Letras de Câmbio), debêntures, CDB (Certificado de Depósito Bancário) e Tesouro Direto. Mesmo sendo objetivos distantes, todos precisam de atenção. Não se deve negligenciar detalhes, pois es- colher um bom investimento hoje não garante o rendimento de amanhã

Continua após a publicidade

Por outro lado, como o foco está no futuro, as turbulências rotineiras não impactam a ponto de mudar a estratégia; a reação a impulsos emocionais é diluída. Na prática seria, por exemplo, trocar a operação diária de ações por fundos de investimentos em ações. O benefício de um fundo, seja de ações, renda fixa e multimercados, é o acesso à capacidade técnica e aos conhecimentos de mercado de um gestor ou uma gestora. São eles quem decidem onde alocar o dinheiro dos cotistas. Com o olhar lá na frente, entretanto, você mesma pode optar por uma carteira balanceada, gerindo uma composição de 50% em renda fixa e 50% em variável. Ou, ainda, inserir criptomoedas no bolo. Tudo depende, claro, do seu perfil de investidora.

São muitas as vantagens do investimento a longo prazo e a maior delas é essa possibilidade de melhor diversificar a carteira, tendo menos riscos e maiores chances de ganhos. É como se diz: “não colocar todos os ovos em uma cesta”. Além da possibilidade de taxas de retorno superiores, alguns produtos têm menor incidência de impostos, embora se mantenha taxas de administração e outros cortes que nem sempre entram na conta e se tornam uma surpresinha desagradável. Antes de tomar uma decisão, compare o rendimento e os custos totais da aplicação, para descobrir o que realmente vale mais a pena.

Não dá para fugir do noticiário, ainda mais nesse momento em que a conta da pandemia de Covid-19 está chegando para as nações, intensificada por outros impactos, como o da guerra entre Rússia e Ucrânia, o da pressão inflacionária causada pelo choque das commodities, em especial o petróleo, e o do aumento dos juros nos Estados Unidos. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou o décimo primeiro aumento consecutivo da taxa básica de juros, a Selic, que atingiu 13,25% ao ano, o maior valor desde janeiro de 2017. Atual- mente, a renda fixa, com menos risco, voltou ao posto de queridinha no portfólio de investimentos. Os títulos prefixados estão no páreo.

Como é possível, simultaneamente, ter objetivos distintos no planeja- mento de longo prazo, alguns para períodos menores e outros para períodos maiores, o investidor que compra ações, criptomoedas ou qualquer outro produto não deve ficar refém do que não lhe agrada mais, podendo fazer substituições pontuais. Vale ainda refinar escolhas e prever revisões em um processo contínuo de aprendizagem e, também, de oportunidades. No seu tempo.

Paola colunista de CLAUDIA
|Ilustração: Luíza Paternez/CLAUDIA

*Eu sou Paola Carvalho, jornalista que cobre economia desde 2004, especializada em consultoria de investimentos financeiros e vencedora de prêmios de jornalismo por instituições do mercado financeiro.

Mais do que isso, que enquanto criança preferia brincar de banco em vez de Barbie, que fez um plano de previdência privada aos 18 anos e pagou o casamento com rendimentos de suas ações na bolsa de valores.

Continua após a publicidade

Publicidade