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Três especialistas opinam sobre a prática do jejum como aliado do emagrecimento

Dieta paleolítica ou jejum prolongado fazem bem? Três endocrinologistas apontam os malefícios dessas práticas no combate aos quilos extras

Por Redação M de Mulher Atualizado em 16 jan 2020, 00h17 - Publicado em 9 Maio 2013, 21h00

Foto: Getty Images

Ficar sem comer durante 24 horas ou mais, definitivamente, não é uma solução eficaz para a perda de peso. Quem garante são os endrocrinologistas João Cesar Castro Alves, da Unifesp, Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo, e Cintia Cercato, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia . “Jejuar, a curto prazo, pode até contribuir para o emagrecimento. O problema é que a pessoa acaba compensando comendo muito no dia seguinte”, explica João Cesar. Efeito sanfona!

Atrelado a esse aumento da ansiedade está a desaceleração do metabolismo, que contribui também para o ganho de peso. Segundo Marcio Macini, “a dieta de zero caloria faz com que os hormônios ghrelina e o neuropeptídeo Y, que aumentam a fome, fiquem ativados ao máximo; enquanto os peptídeos – leptina e a melanocortina -, que reduzem o apetite e estimulam o metabolismo, acabam ficando inibidos. Se a pessoa nessas condições for convidada para um buffet livre, por exemplo, vai armazenar 100% das calorias do couvert à sobremesa”.

Mas saiba que a predisposição à recuperação dos quilos perdidos é apenas um dos prejuízos. A não ingestão de alimentos por tempo prolongado causa ainda diversos problemas à saúde: irritabilidade, dor de cabeça, tendência à hipoglicemia, mau hálito, queda de pressão arterial, aumento de ácido úrico, perda de potássio, desidratação, danos à memória, sobrecarga do rim e perda de massa muscular. Uma lista nada pequena de infortúnios.

É por esta razão que os três especialistas são categóricos ao afirmar que, quando o objetivo é perder os quilinhos a mais, o aconselhado é não se privar da alimentação. “O corpo necessita diariamente de, no mínimo, 50g de carboidrato e 50g de proteínas, que equivalem a 400 calorias”, conta Cintia. Por isso, o ideal é manter uma dieta balanceada e fracionada, com refeições a cada três horas. Assim é possível evitar o consumo exagerado no almoço ou jantar.

Redução não é privação

De acordo com a Dra. Cintia, se a ideia é acelerar o emagrecimento, o ideal é apostar, sempre sob orientação médica, em um “balanço negativo”: “trabalhos científicos comprovam que intercalar ao longo da semana uma dieta de baixa caloria – cerca de 500 – com uma de 1500, como se faz em um spa, não faz mal e ajuda a acelerar o metabolismo”, explica.

“Ficar um dia à base de líquidos pouco calóricos, porém nutritivos, também pode ajudar quando se está em um período de platô, em que o peso está estabilizado”, conta o Dr. João Cesar. Entretanto, esse choque no organismo, conhecido como detox, deve ser feito, no máximo, uma vez na semana.

Diante de tantas matérias abordando os benefícios emagrecedores do jejum e da dieta paleolítica, fica aqui o esclarecimento de que as dietas malucas podem, sim, causar muitos danos à sua saúde e nem ao menos ajudarem na conquista do resultado desejado.

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