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Manu Cunhas, a ilustradora que usa NFTs para ajudar ONGs de mulheres

Artista retratou 21 mulheres que marcaram a história da humanidade para o leilão filantrópico "Impact Women NFT"

Por Joana Oliveira Atualizado em 18 Maio 2022, 15h41 - Publicado em 20 Maio 2022, 08h36

A artista catarinense Manu Cunhas, de 34 anos, sempre gostou de desenhar, uma paixão que motivou-a a ingressar na faculdade de Design Gráfico em 2006. Apesar de começar a trabalhar em projetos para empresas, sempre teve “projetos paralelos” de ilustração e voltados para o mercado editorial. Em todos eles, temáticas como feminismo, políticas sociais e defesa dos direitos animais sempre estiveram presentes. “No final, comecei a ser mais conhecida por essas produções paralelas, que chamavam a atenção nas redes sociais e que eu fazia para arrecadar dinheiro para ONGs. Sempre acreditei que, até pelo fato de ter estudado em uma faculdade pública, meu trabalho deveria ter um retorno social“, diz ela a CLAUDIA. Com o tempo, empresas com viés social e outras organizações começaram a procurá-la. Em março, a Doare, fintech especialista em doações online com soluções de captação de recursos para organizações filantrópicas, convidou Manu para ilustrar 21 mulheres que marcaram a história para o Impact Women NFT, leilão filantrópico de tokens não-fungíveis que destinará o valor arrecadado para ONGs que lutam pelos direitos da mulher.

A ilustradora Manu Cunhas.
A ilustradora Manu Cunhas. Arquivo Pessoal/Reprodução

Manu, que ganhou o Prêmio Jabuti de ilustração em 2017, com o livro Outras Meninas, ilustrou a vereadora Marielle Franco, a cantora Elza Soares, a pintora Tarsila do Amaral, a pilota Amelia Earhart, a revolucionária Anita Garibaldi, além de Frida Kahlo, Joana D’Arc, Lélia Gonzales, Razia Sultana (primeira mulher Sultanato da Índia), Charlotte von Mahlsdorf (pioneira travesti e ativista alemã), a rainha Tereza de Benguela, Rainha Nzinga, Maria de Nazaré, a bailarina Josephine Baker, Laudelina de Campos Melo (pioneira na luta por direitos de trabalhadores domésticos no Brasil), Leymah Gbowee (ativista pela paz), Lozen (guerreira e profeta dos Apaches), Marsha P. Johnson (mulher trans e pioneira da luta pelos direitos LGBTQIA+), a escritora Nísia Floresta e a revolucionária chinesa Qiu Jin

“Foi bem difícil me limitar a esses nomes, porque, uma vez inserida na pesquisa histórica, você vê que tem muitas mulheres incríveis ao longo da humanidade. Tentamos ter uma amplitude de representatividade racial, geográfica e de atuação dessas figuras e homenagear pessoas que já são mais conhecidas do público com outras personalidades que foram igualmente importantes, mas cuja história é pouco contada e retratada”, diz Manu.

As primeiras NFTs  vendidas foram de Marielle Franco, a vereadora assassinada em 2018, e da cantora Elza Soares, que faleceu no início deste ano. Outras obras —que têm conteúdo exclusivo e que só pode ser acessado por computador —ainda estão à venda e cada uma custa 0,05 ETH na criptomoeda (ou aproximadamente 150 dólares, limitada a 50 unidades). As peças em leilão partem de 0,15 ETH (cerca de 420 dólares) na plataforma Impact Woman NFT. O valor arrecadado beneficiará organizações como a Associação Fala Mulher, Casa 1, Mães da Favela (projeto da CUFA),  Instituto Marielle Franco, Mulheres do Bairro (projeto do Bairro da Juventude), entre outros. 

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Ilustração de Frida Kahlo feita por Manu Cunhas.
Ilustração de Frida Kahlo feita por Manu Cunhas. Manu Cunhas/Reprodução

“A ideia de trazer um uma função social para NFTs é ótima e fiquei feliz de produzir dentro de um tema que me é tão querido: a história de lutas e conquistas femininas. Eu já trabalho com temas sociais há mais de 10 anos, então é sempre legal ver algo bem estruturado que consegue causar um impacto positivo tanto de maneira prática, financiando projetos e ONGs, como informativo, ao trazer luz às histórias de tantas mulheres que mudaram o mundo no seu tempo”, comenta Manu. A artista conta que essa foi sua primeira experiência com NFT e entende a confusão das pessoas com o assunto, mas explica que “a comercialização de produtos digitais não é algo novo”, a diferença é que o NFT é uma forma de legitimar uma obra de arte digital e garantir os direitos de imagem e autorais do artista

Ilustração de Elza Soares feita por Manu Cunhas como NFT.
Ilustração de Elza Soares feita por Manu Cunhas como NFT. Manu Cunhas/Reprodução

Encantada pela ilustração infantil e infanto-juvenil, com as quais também trabalha, Manu usa sua arte para educar sobre temas espinhosos (como machismo e outras violências) da forma mais leve possível. “Gosto de despertar o lúdico das pessoas, é uma forma de transmitir a mensagem sem ser tão direta ao ponto.” E ela faz isso com maestria.

 

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