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“Não há empoderamento feminino, sem educar os homens”, diz Gal Gadot

Em entrevista exclusiva, as atrizes Gal Gadot e Kristen Wiig e a diretora Patty Jenkins falam sobre a estreia de Mulher-Maravilha 1984

Por Mariane Morisawa, em Los Angeles Atualizado em 21 dez 2020, 13h37 - Publicado em 21 dez 2020, 13h29

Pai e filho foram ao cinema assistir Mulher-Maravilha. Na saída, o garoto, animado, disse: “Quando eu crescer, quero ser mulher!”. A cena é real e foi testemunhada por Gal Gadot, a israelense que interpreta a super-heroína desde 2017. “Foi tudo para mim. Sempre falamos sobre empoderamento feminino, mas não há como fazer isso sem educar os homens. É um caminho para seguirmos juntos”, afirma a atriz em entrevista exclusiva a CLAUDIA.

Foram milhares as palavras de apoio que Gal recebeu nos últimos anos, e o sucesso de público apareceu também na farta bilheteria mundial de 821,8 milhões de dólares, cerca de 4,4 bilhões de reais. Argumentos não faltavam, portanto, para repetir a dose. Em 17 de dezembro, chega às telonas (dos cinemas abertos em alguns países) Mulher-Maravilha 1984, sob direção de Patty Jenkins, assim como o primeiro longa.

O encontro com Gal, Patty e Kristen Wiig, que assume o papel da vilã Mulher-Leopardo, parece ter acontecido em outra vida, mas foi em 23 de janeiro, em Los Angeles. Na data, a Organização Mundial da Saúde contabilizava 581 casos confirmados do novo coronavírus, a maioria na província de Hubei, na China. Pouco tempo depois, o lançamento, previsto para junho, foi adiado para agosto, em seguida, para outubro e então, para dezembro.

Como o título indica, o longa se passa alguns anos depois do último encontro com a super-heroína, quando ela encerrava a Primeira Guerra Mundial. “Diana está mais sábia e madura, porém solitária, porque seus amigos envelheceram e partiram e ela continua igual. Para evitar a dor de dizer adeus, ela se isola”, conta Gal.

O trailer, liberado em agosto, alimenta o maior mistério da trama: a volta do grande amor da guerreira, Steve Trevor (Chris Pine). O chileno Pedro Pascal interpreta Max Lord, empresário do ramo imobiliário cujo comportamento lembra muito o do presidente americano Donald Trump. Ele acompanha Kristen na vilania. Ela é Barbara Minerva, que, no início, surge como uma cientista tímida e desajeitada, amiga da protagonista.

“Diana é quem apoia Barbara e diz que ela é maravilhosa e deve se orgulhar de si mesma. No fundo, Barbara deseja ser como Diana, mas não imagina que Diana queria ter seu senso de humor”, explica Kristen. As duas atrizes tiveram conexão imediata. “Nós nos tornamos melhores amigas. Gal é uma das pessoas de que mais gosto”, revela. Ela lembra do período divertido de filmagem, quando escreveram músicas e fizeram videoclipes juntas: “Acho que todo mundo ficou com inveja, era risada o dia todo”.

Kristen Wiig
Ilustração por Catarina Moura Jason Bell/Divulgação/CLAUDIA

Para Kristen, mais conhecida por seu trabalho na comédia – em Saturday Night Live ou em Missão Madrinha de Casamento, da qual também é corroteirista –, fazer um longa baseado em quadrinhos é uma experiência nova.

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“Era a Patty Jenkins, e eu disse sim antes mesmo de saber do que se tratava”, conta, reforçando que é fã do gênero. “Eu vi todos, mas, quando assisti a Mulher-Maravilha, percebi que o jogo tinha virado. Eu gritava, apertava o braço do meu namorado: ‘É uma mulher! Isso realmente está acontecendo!’ ”, relata, referindo-se ao ator Avi Rothman. No começo do ano, eles se tornaram pais de gêmeos, que tiveram com uma barriga de aluguel. Kristen contou a uma publicação americana que, antes, tentara a fertilização in vitro três vezes.

Patty, assim como Gal, já era fã da comediante, e diz que não passou outro nome pela cabeça dela. “Kristen é incrível, uma profissional genial. E é também uma das pessoas mais doces e sensíveis que conheci, do tipo que perde o sono com gente sendo maltratada e que se preocupa quando alguém fica doente”, elogia a diretora, destacando que ela está distante do perfil de sua personagem.

Patty Jenkins
Ilustração por Catarina Moura Jason Bell/Divulgação/CLAUDIA

“Barbara é uma garota que todo mundo ama e acha o máximo, mas ela se cobra muito, e isso causa ressentimento, algo perigoso”, explica. Tornar-se personagem de um filme de heróis, contudo, não é tarefa fácil. Gal já sabia do esforço físico. Ela e Patty se inspiraram no Cirque du Soleil para criar as cenas de ação com dublês.

“Como nesses filmes os personagens são majoritariamente homens, as lutas também são muito masculinizadas. Queríamos nosso estilo próprio, que não é só chute e soco. É algo gracioso e até sexy”, diz Gal. A invenção exigiu um sistema complexo de cabos, testado pelos dublês antes. Em uma das cenas, por exemplo, a atriz teve que correr pela Penn Avenue, uma das ruas mais movimentadas da capital americana, amarrada pelos cabos.

“Não sou uma boa corredora e tinha que mover minhas pernas no ritmo do Usain Bolt. Foi terrível”, lembra. Para Kristen, o processo foi literalmente dolorido. “Fiz treinamentos por um ou dois meses antes de ir para Londres, onde gravamos, e lá continuei a rotina. Mas nunca tinha feito nada parecido. Sentia dores em lugares que nem sabia que tinha músculos”, diverte-se.

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