Beija-Flor é a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2018

Com enredo politizado que abordou alguns dos principais problemas do Brasil, como intolerância, corrupção e violência, a escola é a campeã pela 14ª vez.

No Rio de Janeiro, a escola campeã do Carnaval 2018 foi a Beija-Flor de Nilópolis, pela 14ª vez na história. A apuração rigorosa, que aconteceu nesta quarta-feira de cinzas (14) na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, revelou a vencedora entre as 13 escolas do Grupo Especial, após serem divulgados os resultados da categoria “Samba-Enredo”, que avalia letra e melodia, em uma disputa das mais acirradas.

 

O Carnaval carioca deste ano foi marcado por desfiles com uma pegada política e social pela Sapucaí, e a Beija-Flor, da Baixada Fluminense, que fez uma crítica à corrupção e à intolerância no Brasil, foi um grande exemplo disso.

A escola “fechou” o Carnaval do Rio com chave de ouro, e desfilou depois das 04h desta terça-feira (13). Com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, de autoria de Neguinho da Beija-Flor, traçou um paralelo entre os 200 anos do famoso livro “Frankenstein”, de Mary Shelley, e alguns dos principais problemas da nossa sociedade.

A mensagem por trás do desfile, que deu um show de criatividade nas alegorias, era a de espalhar o amor em todas as suas formas.

Leia Mais: Pabllo Vittar estreia na Sapucaí e se emociona com a Beija-flor

Ala dos "Lobos em Pele de Cordeiro" no desfile da Beija-Flor de Nilópolis, campeã do Carnaval 2018

 (Mauro Pimentel/AFP/Divulgação)

Entre seus pontos relevantes, a escola colocou Pabllo Vittar para desfilar pela primeira vez na avenida, e ainda contou com a presença poderosa de Jojo Todynho – as duas representaram o combate às intolerâncias de gênero e racial, respectivamente, e foram destaque do carro “O Abandono”.

A escola abordou, ainda, temas importantes como o tráfico e a guerra às drogas, a falta de incentivo à educação, a corrupção do governo e a violência no Rio de Janeiro, sempre usando de metáforas inteligentes que colocavam o “terror brasileiro” como pano de fundo. Ao final do desfile, para simbolizar o espírito de união, a avenida foi aberta ao público.

Ala representando a falta de incentivo à educação levou crianças carregando cartazes sobre o tema para a avenida

 (Pilar Olivares/Reuters/Divulgação)

Mais de três mil e quinhentos integrantes, divididos entre a bateria “Poderosa”, 36 alas e cinco carros-alegóricos diferentes comandaram a festa impecável da Beija-Flor, que não vencia um Carnaval desde 2015. Contabilizando 269,6 pontos (de virada) em 2018, ela se torna a terceira maior vencedora no rol das campeãs brasileiras, atrás apenas da Portela e da Mangueira.

O vice-campeonato ficou com a escola Paraíso do Tuiuti – favorita do público – , empatada com a Acadêmicos do Salgueiro (ambas com 269,5 pontos), em terceiro lugar. Enquanto a primeira falou sobre a escravidão, ao mesmo tempo em que criticava duramente o governo atual, a segunda enalteceu e homenageou a história de importantes mulheres negras e guerreiras.

As escolas Grande Rio e Império Serrano, penalizadas por erros no tempo dos desfiles, tiveram as menores pontuações, foram rebaixadas e irão desfilar pela Série A do Carnaval em 2019.