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Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Precisamos falar sobre a derrota

Nem sempre os planos seguem o script imaginado no início, mas isso não significa que tudo está perdido

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
24 Maio 2023, 10h16

Em 2007, logo depois de fundar a editora Magia de Ler, lancei as revistas Toca e Peteca. Ricamente ilustradas e voltadas ao público infantil, ambas tinham o objetivo de informar e, ao mesmo tempo, tornar as crianças protagonistas das reportagens. O projeto foi um grande sucesso entre os leitores, mas não conseguiu se pagar. Precisei descontinuá-lo em 2015, apesar de todo o meu amor pelas revistas.

Mas todo conhecimento que adquiri me ajudou a conhecer o mercado editorial, o que foi fundamental para o lançamento do jornal Joca, que hoje tem mais de 300 mil assinantes espalhados por todo o Brasil. Ainda que eu tenha me reerguido e criado um novo produto que me traz realização, não posso dizer que o fim das revistas tenha sido tranquilo para mim. Foi triste e frustrante. No entanto, jamais pensei em desistir, talvez por influência da minha veia empreendedora, que me impulsiona a seguir criando. Para me sentir completa, tenho a necessidade de criar a todo momento.

Acredito que a forma como encarei aquela perda foi fundamental para que eu me mantivesse disposta a seguir tentando. Decidi trazer esse assunto aqui na coluna depois de uma conversa na redação da Magia de Ler. Falávamos sobre o quanto os livros e revistas discorrem sobre os vitoriosos, mas pouco contam sobre as histórias de fracasso a despeito de todas as lições que elas nos trazem.

Temos muito a aprender com os erros

O fracasso é inevitável. Não é possível acertar e vencer 100% das vezes. Porém, é a atitude diante dele que nos faz dar a volta por cima. Se é assim, qual é a fórmula para isso? O que devemos fazer diante da derrota para não desistir e conseguir melhorar? Fui buscar a resposta conversando com Vitor Guida, psicólogo clínico e do esporte, porque acredito que em nenhum outro segmento a vitória é tão perseguida e a derrota tão lamentada. Ele falou que não existem fórmulas.

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Cada pessoa vai lidar de um jeito em situações como esta. Uma pessoa pode enxergar o fracasso como uma oportunidade de continuar melhorando e trabalhar em cima disso. Outra vai se frustrar e pensar em desistir. Isso vale tanto para planos de negócio quanto para metas pessoais, como praticar uma atividade física regularmente, voltar a estudar ou meditar todas as manhãs.O primeiro passo para superar a frustração, segundo o psicólogo, é entender a origem do desejo inicial. Se for um desejo real, é importante pensar no que o está impedindo de fazer o que planeja.

“Eu costumo até fazer um desenho para os pacientes mostrando uma representação deles e da ação que querem tomar. Se for alguém que esteja frustrado porque não consegue ir à academia, peço a ele que preste atenção no momento exato em que programou ir à academia, o que estava acontecendo antes desse momento e o que acontece depois disso. Peço que preste atenção nos seus pensamentos, no corpo e no que estava sentindo naquele momento”.  As respostas, afirma Guida, vão ajudar as pessoas a ter mais autoconhecimento, entender o que as mantêm motivadas e se cobrar menos. É um exercício simples, mas não significa que seja fácil. São os aprendizados a partir desse processo que nos apresentarão os novos caminhos. No entanto, é difícil mudar os velhos hábitos, se livrar dos preconceitos e encarar nossos traumas.

O passo a passo para acertar

Uma vez decidida a mudar, o que a pessoa deve fazer para atingir seus objetivos? Pegando como exemplo o que acontece no mundo do esporte, Guida conta que o primeiro passo é estar realmente disposto a mudar e confiar na própria capacidade de fazer acontecer. O segundo passo é treinar, ou seja, agir para que as metas sejam alcançadas.

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Neste mergulho interno é possível que a pessoa descubra, de fato, que aquele plano ou aquela atitude não fazia sentido para ela. Era apenas uma imposição da sociedade, da família ou dos amigos. Nesse caso, a desistência não é um fracasso, mas um reconhecimento de nossa essência que nos revela nossa verdadeira vocação. O mundo prega sempre que quem é vencedor tem respeito, dinheiro, competência e poder. Então, quem não tem esse perfil se sente um fracassado. Mas a verdade é que nem todos desejam ser um Elon Musk, dono da Tesla, ou Mark Zuckerberg, dono do Facebook, do Instagram e do Whatsapp.

Eu mesma, antes de me dedicar ao mundo editorial, atuei muitos anos no mercado financeiro até entender que não estava ali a minha vocação. Eu poderia não ter desistido e estar trabalhando em bancos até hoje. Mas não estaria me sentindo tão realizada e viva como hoje em dia. Por isso, assim como comemoramos nossas vitórias, precisamos acolher nossos fracassos. Eles sempre nos trarão muito aprendizado.

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