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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Híbrido, home office ou presencial?

Com a melhora da pandemia, a discussão sobre modelos de trabalho nunca foi tão intensa

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 23 Maio 2022, 16h25 - Publicado em 24 Maio 2022, 08h09

A pandemia fez com que muitas empresas tivessem que mudar suas operações e passar para o modelo remoto. Agora, com a melhora das taxas de contágio da Covid-19, as companhias começam a discutir qual seria o melhor modelo de trabalho a ser adotado daqui para frente. Os funcionários devem ir ao escritório diariamente? Podemos continuar com o esquema 100% home office? Seria melhor adotar um modelo híbrido – alguns dias na sede e outros, em casa?

Perguntas como essas estão sendo feitas nesse momento por lideranças e funcionários do mundo todo. A pandemia alterou radicalmente a nossa rotina de trabalho e a forma como encarávamos a divisão entre vida pessoal e profissional. Por isso, é natural que agora as pessoas se façam esses questionamentos. Ao mesmo tempo, como cada pessoa tem uma rotina e a sua própria maneira de trabalhar, as discussões sobre modelos de trabalho a serem adotados nunca são simples e não possuem apenas uma resposta correta.

No caso das trabalhadoras que também são mães, o debate é ainda mais complexo. Não basta apenas pensar no que é melhor para a empresa ou para você como pessoa, é preciso considerar como o modelo de trabalho adotado impactará no dia a dia da família como um todo. Diante disso, é comum surgirem dúvidas como: “Onde posso deixar os meus filhos enquanto estiver no trabalho?”, “Se passo a maior do meu tempo no serviço ou no transporte, como posso ter tempo de qualidade com as minhas crianças?”, “Como conciliar a rotina dos filhos com as demandas profissionais?”.

Mãe de três filhos, Ahtange Ferreira é professora e atualmente está trabalhando presencialmente todos os dias. Ela diz que está satisfeita com esse modelo, pois consegue se concentrar mais nas tarefas e encerrar o seu expediente no horário. “Quando trabalhava no esquema home office, eu estava ficando maluca. Não tinha hora para acabar o trabalho. Recebia mensagens tarde da noite…”, conta.

Ahtange diz que sempre foi um desafio conciliar a rotina da casa e dos filhos com as demandas profissionais. “Tenho um filho que é deficiente físico e precisa de alguns cuidados – fazemos idas frequentes ao hospital, às vezes ele é internado… Minhas filhas precisaram amadurecer mais cedo e aprender a fazer tarefas domésticas para me ajudar. Não tenho condições de pagar alguém para me ajudar a dar conta de tudo”, explica.

Apesar das dificuldades que ainda enfrenta, ela diz que está sendo mais fácil de administrar tudo agora que o trabalho 100% presencial voltou. “Quando chego em casa, não preciso mais lidar com mensagens, e-mails e chamadas de vídeo – estava tendo até pesadelos com o Google Meet quando estávamos em isolamento.”

Já a analista de recursos humanos Jaqueline Rodrigues diz que encontrou no modelo híbrido o esquema ideal para conciliar a maternidade com a vida profissional. Mãe de uma menina de 1 ano e 6 meses, ela conta que descobriu a gravidez em fevereiro de 2020 (pouco antes de a pandemia chegar ao Brasil) e que passou a gestação e os primeiros meses após o retorno da licença maternidade trabalhando home office.

Então, em abril deste ano, passou para o modelo híbrido, com duas idas semanais ao escritório. “Esse esquema atende bem as minhas necessidades. Eu consigo passar tempo de qualidade com a minha filha e, ao mesmo tempo, ter mais contato com as pessoas da minha empresa”, afirma.

Além disso, Jaqueline ressalta que, desde a gestação, a companhia em que ela trabalha tem dado muito suporte e liberdade para que ela se dedique à maternidade. “Quando nos tornamos mãe, o que mais precisamos é de apoio e acolhimento. E foi o que eu encontrei na minha empresa. A minha filha tem alguns problemas de saúde e sempre que eu preciso levá-la a uma consulta médica, por exemplo, eu tenho total apoio da minha liderança. Eles me liberam tranquilamente”, conta. “Acho que é uma troca: eu estou sempre à disposição da empresa para o que precisar e, em troca, a liderança dá o retorno que eu preciso.”

Ao mesmo tempo, há algumas mães que preferem o modelo 100% home office, como é o caso da Gabriela de Oliveira, que trabalha com recrutamento e seleção e tem uma filha de 1 ano e 4 meses. Atualmente, ela está no esquema híbrido (vai para o trabalho uma vez por semana), o que para ela é tranquilo. Porém, afirma que, se pudesse escolher, optaria por trabalhar todos os dias de casa.

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“Tenho mais problemas com a ida ao trabalho do que benefícios. O meu serviço fica muito distante da minha casa. Eu gasto cerca de duas horas para ir para lá e duas horas para voltar. Fora isso, tenho que gastar com combustível, estacionamento e alimentação”, explica. “Além disso, a minha função faz com que eu não tenha muita produtividade no escritório. Se eu fechar a minha agenda de entrevistas no dia em que eu vou para o escritório, acabo não tendo tempo para interagir com os outros funcionários. Então, prefiro não marcar nada no dia em que vou para o serviço, o que acaba fazendo com que se torne um dia perdido de trabalho para mim.”

Gabriela conta que, em dezembro de 2019, quando voltou da licença maternidade, começou um trabalho que era 100% presencial. Então, em março de 2020, com a chegada da covid-19 ao Brasil, passou a trabalhar todos os dias de casa, o que para ela foi muito bom. “Quando retornei do afastamento, resolvi fazer uma experiência de como seria trabalhar todos os dias longe de casa. Eu tinha certo na minha cabeça que, se fosse algo que impactasse muito na minha rotina com a minha filha, teria que repensar se queria continuar naquele esquema. Mas aí veio a pandemia. Agora, consigo trabalhar de casa quatro vezes por semana e tenho muita flexibilidade de horários. Esse modelo me ajuda demais no dia a dia como mãe!”, reflete.

trabalho presencial
Retorno ao presencial divide a opinião de mulheres que equilibram trabalho e maternidade. olia danilevich/Pexels

Como escolher o modelo de trabalho a ser adotado?

Em entrevista à coluna, Ana Marcia Lopes, vice-presidente de Pessoas e Responsabilidade Social da Atento no Brasil, diz não acreditar em um único esquema de trabalho que seja o ideal para todas os indivíduos, já que cada pessoa tem o seu próprio ritmo e a sua forma de trabalhar melhor. “Acredito que o modelo majoritariamente presencial, que tínhamos antes da pandemia, funcionava para aquele momento. Mas, hoje, os colaboradores têm valorizado, cada vez mais, a possibilidade de manter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, afirma. “A tendência é que as empresas estejam aptas para essas adaptações e consigam atender às demandas de diferentes perfis, sempre em linha com a estratégia de negócios.”

Diante disso, Ana Marcia acredita que a melhor forma de chegar a um acordo sobre o modelo de trabalho a ser adotado é conversando com funcionários e lideranças e tentando chegar a um esquema que seja satisfatório para todos os lados envolvidos. “Na Atento, buscamos manter um diálogo aberto para adequar a forma de trabalho e fazer com que ela seja boa para todos: cliente, colaborador e empresa. Buscando esse equilíbrio, conseguimos manter as equipes motivadas e produtivas, sem deixar de atender às necessidades dos clientes”, explica. “Cada vez mais, acredito que a cultura corporativa precisa entender que as demandas das pessoas devem ser compreendidas e dialogadas, aumentando o espaço de negociação entre os colaboradores e as necessidades de uma empresa, permitindo uma maior fluidez na condução do trabalho.”

Já no que tange a relação entre maternidade e trabalho, Annete Soihet, CEO da PulseRH, consultoria estratégica de gestão de pessoas, afirma que conciliar a vida profissional com a vida pessoal sempre foi um grande desafio para as mulheres, e que o ideal seria que as companhias desenvolvessem um olhar especial para as funcionárias que são mães. “As empresas precisam estar cada vez mais focadas em ações de integração, utilizando canais para desenvolver atividades focadas no engajamento profissional e no bem-estar das profissionais. Além disso, devem criar espaços de troca de experiências, nos quais as colaboradoras possam compartilhar seus sentimentos e ideias” diz.

Annete ainda ressalta que a tendência é que cada vez mais as empresas tragam o “sentir” para o espaço corporativo, ou seja, tratem os funcionários como seres humanos completos, com sentimentos e necessidades, e não apenas como mão de obra. “É importante que as companhias vejam a mulher como um ser integral em suas quatro dimensões: física, mental, emocional e espiritual. É preciso ter a sensibilidade de cuidar e acolher cada uma em sua individualidade, valorizando e reconhecendo as diferentes singularidades que existem.”

Como funciona na minha empresa?

Como você, leitora assídua dessa coluna, já sabe, eu sou a fundadora do Joca, um jornal para crianças e jovens (jornaljoca.com.br). Atualmente, a nossa empresa tem cerca de 25 funcionários, então, como vocês podem imaginar, é um grande desafio conciliar os diferentes interesses e necessidades de cada trabalhador. Sendo assim, nesse momento, estamos testando modelos diferentes: começamos indo uma vez por semana para o escritório, depois passamos a ir duas vezes, três…

Na minha opinião, não podemos abrir mão completamente do convívio presencial. Quando estamos juntos, trocamos ideias, damos risada, resolvemos os problemas com mais facilidade… Mesmo um encontro casual, no café do escritório, pode render muito.

Porém, assim como outras empresas, continuamos sem uma resposta definitiva para a questão. Seguimos abertos para dialogar com os funcionários e ver o que é melhor para todos. Acredito que só assim poderemos garantir um ambiente acolhedor para todos nesse “novo normal” pós-vacina.

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