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Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Como ajudar os filhos a se abrirem para o novo

É nosso papel como pais tentar compreender, envolver e despertar esse interesse nos adolescentes

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
14 set 2023, 09h14

Semanas atrás participei de um evento voltado ao mercado financeiro aberto a jovens em idade escolar. Quis muito oferecer essa chance aos meus filhos, mas eles não aceitaram o convite. Preferiram ficar em casa. Senti por eles terem perdido a oportunidade de aprender um pouco sobre um tema novo para eles. Tenho certeza de que teriam gostado muito de estar lá. Sei que não sou a única mãe que passa por isso.

Lá no evento ouvi esse mesmo lamento de uma amiga em relação ao filho. Acredito que seja um comportamento comum para a idade. É um momento em que começam a crescer e ganhar independência. É esperado que queiram construir o próprio caminho. Por outro lado, temo que, com este tipo de atitude, eles percam oportunidades interessantes, deixem de conhecer lugares bacanas ou de ter contato com realidades distintas que podem enriquecer a cultura e o conhecimento deles. Diante deste dilema, tenho dúvida de qual deveria ser a minha reação em situações como esta.

Deveria forçar a barra para que eles me acompanhassem, uma vez que tenho certeza de que seria o melhor para eles? Ou deveria deixá-los livres para escolher?As psicólogas Carol Ferreira e Carol Canuto me ajudaram com a resposta. Elas, além de serem mães, lideram grupos de orientação parental, nos quais muitas vezes assuntos como este são discutidos. As duas me confirmaram que este é realmente um comportamento comum entre adolescentes. “Isso tem muito a ver com o período que eles estão passando, de diferenciação. A adolescência é a fase em que eles estão querendo formar o grupo deles, entender ou procurar quem eles são e se diferenciar dos pais”, diz Carol Ferreira.

Segundo as psicólogas, é um período de desenvolvimento, no qual eles precisam de um espaço. E essa busca por espaço vem através do não para as coisas que eles não escolheram. Por isso é tão comum ouvirmos “se meus amigos forem, eu vou”. “O melhor a fazer em situações assim é ter uma conversa sem julgamento. É parar para escutar e conseguir se despir do pensamento de que o filho não quer ir só porque são os pais que estão convidando”, explica Carol Canuto.

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As duas especialistas sugerem algumas perguntas que podem ser feitas aos filhos quando recusarem um convite: mas por que você não quer ir nesse evento? O que você acha que pode ser ruim? O que você conhece sobre este lugar para ficar tão desinteressado? “Jogar uma pergunta que faça eles pensarem é melhor do que dizer ‘você tem que ir’ ou ‘vai ser muito bom você ir’. Importante também deixar eles falarem, porque eles querem ser escutados. Abrindo esse canal de comunicação vai ser possível estreitar a relação”, afirma Carol Ferreira.

Para quem tem mais de um filho, elas sugerem que pais e mães tenham momentos sozinhos com cada um. Pode ser em um lugar escolhido por eles, que se torne um refúgio para diálogos e até conversas difíceis. “Quando você consegue esses momentos com o filho, consegue estreitar esse laço e criar novas oportunidades a partir dele”, conta Carol Ferreira.

Como ajudá-los a se abrirem para o novo

O novo amedronta todo mundo. Somos assim desde que nascemos. É por isso que crianças pequenas gostam de ver o mesmo filme ou ler o mesmo livro muitas vezes. “O conhecido traz tranquilidade. É bom quando já sabemos como a história termina”, relata Carol Ferreira.

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Ao longo da vida, essa sensação permanece em outras situações, por isso é comum jovens e até adultos oferecerem resistência a algo que seja novo e desconhecido. Para encorajar os filhos, vale contarmos a eles que também passamos por situações como estas e compartilhar histórias reais em que precisamos enfrentar o desconhecido. Para Carol Canuto, “é importante para eles saberem que a mãe e o pai também sentem medo e já passaram por situações semelhantes às deles”.

Faça seus acordos

Quando nós, pais, temos certeza de que um evento ou uma oportunidade será boa para nossos filhos, as psicólogas aconselham que tentemos alguns acordos. Em vez de perguntar se eles querem ou não ir a um evento, melhor apresentar duas ou mais possibilidades de evento e dar-lhes a chance de escolher em qual querem ir. “Faça isso sem autoritarismo, apresente como um convite e se ofereça para conhecer algo que ele queira te apresentar”, afirmam as psicólogas.

Essa troca estreita muito os laços e faz eles se sentirem pertencentes. É importante também deixar claro o porquê de a participação deles ser importante. E explicar que podemos perder muitas oportunidades na vida se não nos abrirmos para conhecer coisas novas. Mostrar que eles estão semeando agora os frutos que colherão no futuro. Impor ou obrigá-los a participar não deve ser uma opção.

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“Muitas vezes, a imposição é um caminho curto e efetivo do momento, mas as consequências disso vão aparecer mais para frente”, diz Carol Ferreira. Também não dá para esperar que eles gostem e queiram fazer tudo que consideramos legal, porque eles são diferentes. Isso é fato. É nosso papel como pais tentar compreender, envolver e despertar esse interesse, e colocar os limites no que é negociável e no que não é negociável a partir dos nossos valores. Boa sorte para nós!

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