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Crônicas de Mãe

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Em primeira pessoa, mães compartilham histórias reais sobre os desafios, as descobertas e os encontros que transformam a maternidade.

“Eu te amo no meu dente” ou onde mora, afinal, o amor entre mães e filhas/os?

"Sentir faz parte de nossas histórias e lembranças e de quem nos tornamos como mulheres/mães", escreve a colunista Ana Carolina Coelho

Por 13 set 2021, 11h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h32
maternidade
 (Jupiterimages/Getty Images)
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“Eu te amo no meu dente” ou onde mora, afinal, o amor entre mães e filhas/os? Priorizar nos meus resultados Google

Poucos dias depois da nossa mudança – da qual eu falei na última crônica – a mãe de uma amiga/irmã faleceu. A mãe de uma atual mãe. Eu conheço a “tia” há 40 anos, porque Beta e eu somos amigas desde nossos primeiros dias de aula. Eu e ela somos desses amores que se (re)conhecem.

Eu chorei amargamente quando soube da notícia: estava longe do alcance dos braços da minha tão querida companheira de alma e só pude fazer meus abraços chegarem à distância, pelas azuladas telas de mensagens. A minha amiga “amaternou” sua mãe nos últimos anos e sua tristeza transbordava em cada letra escrita. Ela ainda teve a imensa generosidade de dizer o quanto minha viagem a fazia feliz, que eu aproveitasse meu trabalho e cuidasse das crianças. Eu a amo tanto que me preocupo sempre em mandar pequenas mensagens que dizem “estou aqui!”.

Essa é uma coisa engraçada sobre amar. Muito mais que um sentimento, o amor é um fazer diário, um gesto contínuo que insiste em se manter presente com todas as limitações da ausência, um “oi” que se diz aleatório, mas que possui a intensidade do contato. Durante praticamente toda a minha vida as mães das minhas amigas foram minhas “tias”, apelido, acredito eu, de todas as mães de nossas amizades nos anos 1980 e 1990 – e não poder dizer “adeus” de perto a essa “tia/mãe” cortou um pedaço de mim.

Uma vez eu e Roberta estávamos brincando na sala de sua casa e quebramos, quer dizer, tecnicamente fui eu, mas ambas dividimos a responsabilidade – um vaso que a “tia” adorava. Em vez de contarmos a verdade, e na vã tentativa de nos salvarmos de uma grande bronca, remontamos o vaso, peça por peça e o deixamos no pequeno aparador no canto da sala. Assim que a “tia” chegou em casa, entrou na sala e disse: “o que houve com meu vaso?”.

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Confrontadas, fomos obrigadas a confessar (meu) nosso delito. Recebemos um grande sermão, mas ela nos deu o crédito da criatividade do disfarce do vaso quebrado e riu. A sua risada era a coisa mais linda, além de seu olhar apurado pois, afinal, o vaso ficava em um canto no final da sala!!

Quando chegamos na idade de “amaternarmos” nossas mães entendemos um pouco que o amar possui palavras, gestos e corpos. E que esse sentir faz parte de nossas histórias e lembranças e de quem nos tornamos como mulheres/mães. Somos pegas rindo de algo que ocorreu há mais de 25 anos com a mesma intensidade por alguma coisa que aconteceu há meia hora. O amor transpassa o tempo e permanece em nossos corpos. E isso é o que faz a saudade doer por todas as partidas nas quais somos obrigadas a nos despedir.

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Ontem eu estava assistindo TV com minha flor menor no colo e, em um determinado momento, ganhei um abraço apertado. Retribui e afirmei: “Eu te amo em todo meu abraço, você sente?.” E minha pequena disse: “Sinto sim, mamãe. E eu te amo no meu dente.” Eu perguntei “porque no dente?” e recebi como resposta a singela frase “por que eu gosto do meu dente, ué!”. Logo, se ela gosta dos dentes, o amor deve existir neles também, certo? E minha garotinha me olhou com o sorriso vitorioso da sabedoria dos 3 anos de idade.

Com essa idade eu já era amiga da Beta e já conhecia a “tia”. O tempo é um estranho compasso da humanidade. Foram anos muito lindos de convivência e eu hoje sou uma mulher melhor por ter tido a honra de ter sido amada e acolhida por uma “tia/mãe” como ela nas tantas vezes em que fiquei em sua casa. Amar alguém é como uma onda que nós construímos dentro de nossas almas e que nos rega de tempos em tempos com sua força.

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Amar é algo que está no corpo inteiro e somos tomadas por essa benevolência ativa que constrói e se mantém firme independente do tempo e do espaço. É um sentimento e igualmente uma ação de existir no cuidar e ser cuidada.

“Eu te amo no dente e no meu corpo inteiro!”, respondi e continuei segurando minha pequena Jasmin nos braços enquanto lágrimas escorriam livres, em uma cachoeira formada pelas ondas, que ontem insistiam em morar nos meus olhos. Dias Mulheres virão!

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Vamos conversar?

Se quiser entrar em contato comigo, Ana Carolina Coelho, mande um e-mail para: ana.cronicasdemae@gmail.com ou uma mensagem pelo Instagram: @anacarolinacoelho79. Será uma honra te conhecer! Quer conhecer as “Crônicas de Mãe”? Leia as anteriores em aqui e acompanhe as próximas!

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