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Não está feliz com seu trabalho? Mudar de carreira é sempre possível

Não importa a sua idade, mas sim fazer o que gosta

Por Luciana Teixeira (colaboradora) Atualizado em 21 jan 2020, 11h43 - Publicado em 11 abr 2016, 12h52

Desde que as gerações Y e Z (nascidos entre as décadas de 1980 e 2000) entraram no mercado de trabalho, muitos questionamentos sobre a carreira começaram a ser feitos. Algumas ideias como sucesso ser sinônimo de dinheiro e trabalhar só para pagar as contas estão sendo fortemente questionadas. Enquanto alguns torcem o nariz, outras pessoas começaram a fazer as mesmas perguntas, dando início a um movimento de mudança de carreira para fazer o que se gosta – e elas não têm 20 e poucos anos, não.

Nina Cast, de 36 anos, conta que o conflito entre a arte e uma “carreira de verdade” começaram quando ela tinha 15 anos e estava no Ensino Médio. “Aos 15 tinha plena certeza de que arte era o que eu queria fazer durante todos os anos da minha vida. Mas quando fui confrontada com o momento de escolher uma profissão e cursar uma faculdade, aos 17 anos, os ecos da sociedade falaram mais alto. Tive medo e acabei indo parar no curso de Publicidade.”

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#artistworking #pastel #realism

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Não demorou muito para Nina perceber o erro que cometeu e fazer a mudança de curso – agora para Design Gráfico -, na tentativa de trilhar um caminho do meio entre a arte e a “carreira tradicional”. Foi só depois de um bloqueio criativo para coisas espontâneas que a artista percebeu que algo estava errado. “Em 2011 (aos 31 anos) tive um filho – e o ato de ‘criar’ um novo ser, de alguma maneira, começou a me conectar de volta à arte”, conta Nina. “Eu sentia que precisava de uma mudança, mas ainda não sabia direito o que ou como fazer, afinal, agora eu tinha também um filho pra sustentar e o medo da escassez estava sempre me rondando.”

O coaching Bob Floriano explica que esse processo de mudança de área profissional nunca surge do nada. Geralmente a pessoa está em um processo de autoconhecimento. Junto a esse movimento, Floriano também apresenta outra tendência: “as pessoas estão com mais vontade de acertar e menos medo de errar. E isso é diferente.”

>>> Leia também: 7 passos para mudar de carreira com segurança

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Nina, então, começou a trabalhar em uma galeria de arte – não como artista, mas representando e vendendo o trabalho de outros criadores – e isso foi a inspiração necessária para que ela mesma voltasse a criar. Nesse sentido, Floriano fala sobre a importância de olhar para outras áreas dentro da sua própria carreira, buscando um desenvolvimento dela, ou de buscar outro local com os mesmos valores que o seu para que você seja feliz com o que está fazendo.

“Eu sinto que a minha vida como artista é um resultado de tudo o que vivi, e isso inclui as minhas antigas atividades profissionais. Mas se tem alguma coisa que tanto a Publicidade como o Design me ensinaram é comunicar para as pessoas o que estou fazendo. Criar e mostrar (e não apenas criar e guardar) eu acho que tem feito toda a diferença pra que a arte não seja hoje só uma atividade prazerosa, uma cura, ou uma terapia que me ajuda a lidar com o mundo, mas também – e principalmente – uma profissão”, conta Nina.

Mudando totalmente

Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora
Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora

Já para Flora Matsumori, 27 anos, dona da Padoquinha da Flora, o processo foi um pouco mais difícil. “Eu acreditava que era essencial fazer faculdade, que sem ela eu não seria ninguém. Acabei escolhendo Letras por não ter condições de pagar uma faculdade de gastronomia – só tem particular, o valor é superalto e, como vegetariana na época, eu também não teria condições psicológicas de cursar – o curso é baseado em consumo de carnes e derivados animais”.

Como muitas pessoas, Flora conta que se acomodou no seu emprego – na época, professora do plantão de dúvidas em uma escola em São Paulo. A mudança foi algo obrigatório quando foi demitida do trabalho e percebeu que as opções existentes no mercado de trabalho não lhe agradavam. “Nessa época eu já estava fazendo cupcakes como hobby e decidi seguir carreira trabalhando com comida.”

>>> Leia também: 5 dicas pra quem quer mudar de profissão

Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora
Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora

Só que como os negócios novos não se abrem sem investimento, Flora conta que teve que pedir ajuda da sua mãe para dar início ao que hoje é a Padoquinha da Flora – em contrapartida ela avisava a filha de todos os concursos públicos que abriam. Contrariando muitas mães, a coach Andrea Deis conta que, hoje, as carreiras consideradas tradicionais são as mais inseguras, já que os modelos de trabalho estão mudando. Então não precisa ficar com tanto receio assim de olhar para algo diferente que faça seus olhos brilharem. “O que impede (as pessoas) de realizar são o medo paralisador, as crenças culturais – sobreviver está bom – e a falta de motivação. Isso justifica a zona de conforto.”

Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora
Kika Rodrigues/Facebook Padoquinha da Flora

Hoje, tanto Flora quanto Nina se consideram felizes em suas carreiras. O caminho que elas percorreram é o mesmo que a maioria das pessoas que desejam ser mais feliz no trabalho fez. Infelizmente não existem mudanças do dia para a noite: é preciso dar o primeiro passo e ter muita autoconfiança. “Seja a grande comandante de sua vida, tanto dos acertos quanto dos erros. Quando a gente ouve só as referências externas, nós perdemos o nosso propósito. A única certeza que nós podemos ter é a vontade de caminhar”, finaliza Andrea.

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