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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Folia na maturidade

No mais, é invocar a Leila Diniz que existe aí dentro.  Extravasar, gritar, cantar, dançar, pular e esquecer a bobagem do azul e do rosa

Por Kika Gama Lobo 27 fev 2019, 08h00

Cabrocha balzaca. Por que não? Já sei, a patrulha do “não pode” te atinge? Ok, que você não vai se enfiar num fio-dental deixando as saliências de fora, ou vai? O importante no Carnaval, legítima festa da carne, é valorizar a nossa. Eu nunca gostei do vale-tudo, pode-tudo que a data convoca. Prefiro ser ousada o ano inteiro, mas o chamamento para a esbórnia cativa, então, quais minhas dicas para as maduras:

– Foco no copo. Não vai virar a pinguça e fazer a bêbada-mala. Suba um degrau etílico, mas mantenha a capacidade de fazer o quatro e se hidrate. Dois goles de pinga e três de água. É de lei.

– Saia comida de casa. Ops! Sem trocadilho. Forre as banhas com um bom prato de arroz com feijão, legumes e uma proteína. Ah, o bloco-baile é cedo? Açaí com banana pra dentro. Depois é só gastar no binômico calor-amor.

– Celular. Deixe o XPlusSWTop em casa e use um bem simples. Arrastões, furtos, picpockets são frequentes. Diga pros seus filhos-amigos onde você vai brincar e se deixe achar por quem você ama. Eu tô tão senil que já coloco um telefone pra contato no sutiã. Vai que dou PT por aí?

– Pintou um amor de Carná? Quer transar como se não houvesse amanhã? Camisinha nele. Vai dizer que já é rodada e não precisa disso e que não tem mais útero e não vai engravidar? E as doenças, além da AIDS? Isso não acontecerá comigo dirão as tolinhas.

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– Filtro solar. Pra quê? Pra tudo. Protege a pele, protege das queimaduras. Repelente? Idem. Se besunta e vai. Essa soou como dica de avó pra neta, né?

– Bala perdida? Se joga no chão. Facada, idem. Gás de pimenta? Molha sua camiseta e coloca na boca e corre. Dicas pra quem pula Carnaval do Rio, infelizmente.

No mais, é invocar a Leila Diniz que existe aí dentro.  Extravasar, gritar, cantar, dançar, pular e esquecer a bobagem do azul e do rosa, adotar o pan, o plural, o nosso afinal estamos todos no mesmo bloco da vida.

Ei, você aí, abre-alas que eu quero passar.

 

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