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O cartão de crédito não precisa ser seu inimigo, saiba como lidar com ele

Amado no início do mês e odiado com o fechamento da fatura, o cartão de crédito acaba nos gerando sentimentos pra lá de conflitantes

Por Kalel Adolfo Atualizado em 8 abr 2022, 19h02 - Publicado em 8 abr 2022, 08h27

“Só mais esse delivery” ou “Vou me mimar um pouquinho porque eu mereço.” Quem nunca brincou com o limite do cartão de crédito não sabe o que é o nervosismo de pagar (ou pior, não conseguir pagar) a fatura no final do mês. E, claro, existem momentos pontuais para investir num curso ou comprar aquele item que você tanto desejou. Porém, existem cuidados necessários para evitar o erro de achar que, parcelando, tudo se resolve. “Organização financeira é metade técnica, metade emoção. Entender sobre inflação, política de juros e taxa Selic é importante. Mas também existe uma enorme relevância em compreender a nossa relação com o dinheiro quando estamos ansiosas ou inseguras”, aponta Gaby Chaves, Mestre em Economia Política Mundial e fundadora do No Front Educação Financeira.

Antes de mais nada, aponta a economista, é preciso entender que o consumismo é baseado no impulso e na criação de um desejo pautado por emoções específicas, seja por busca de pertencimento ou compensação em épocas em que o emocional está mais oscilante. “Além disso, o brasileiro sempre cai no gatilho das ofertas, adquirindo coisas que nem precisam ou querem, apenas por estarem baratas.” Para utilizar a ferramenta de compra de maneira inteligente e responsável, siga as dicas da especialista.

1. Não se deixe seduzir

Um perigo que pode parecer óbvio, mas muitos caem: considerar o limite do cartão de crédito como parte da renda. “É sempre importante lembrar que gastar 1 000 reais num mês implica em não ter esse dinheiro no mês seguinte”, alerta.

2. Olhe a fatura, sim

Quem nunca sentiu aquele frio na barriga ao precisar conferir o resumo da fatura na metade do mês? “Sair gastando sem fazer uma análise de nossas prioridades é um baita erro. Pior ainda é deixar de acompanhar a fatura com regularidade. Atualmente, a maior parte dos cartões de crédito possui um aplicativo em que você consegue monitorar as compras em tempo real”, diz. Gaby indica tirar meia hora por semana para olhar o resumo da fatura. “Se você pesou a mão numa semana, é possível compensar na seguinte. Agora, se você deixar para fazer essa leitura no final do mês, pode ser tarde demais para os seus gastos ficarem num patamar sustentável e seguro”, explica a economista.

3. Defina o teto de gastos

Para definir um teto de gastos, sempre leve em consideração a sua renda. “Normalmente quem gasta quantias superiores ao próprio salário acaba optando pelo parcelamento. A parcela sem juros existe no Brasil, mas atrasar os pagamentos pode gerar taxas assustadoras que te impedem de quitar aquela dívida por um bom tempo”, ressalta. Além disso, os juros dos cartões de crédito estão entre os mais altos do mercado. “No site do Banco Central, é possível ver um ranking com as taxas de juros praticadas por cada bandeira. É uma informação pública que pode ajudar bastante”, indica. Em sua fatura, não deixe de olhar o CET (Custo Efetivo Total): se você atrasar o pagamento, essa taxa será cobrada.

4. Atenta ao parcelamento

Se você possui uma renda de até cinco salários mínimos, busque utilizar o cartão de crédito para comprar aquilo que não seria possível à vista, como passagens de avião, móveis ou eletrodomésticos importantes para a sua casa. “Neste caso, o cartão é um instrumento excelente porque você pode adquirir bens com um parcelamento sem juros que caiba no seu bolso”, afirma. Porém, tenha em mente: assumir uma parcela significa comprometer a sua renda do futuro. “Quando temos dívidas, é necessário reprogramar a mente em relação às nossas economias. Se eu ganho dois mil e tenho mil em dívidas, eu não posso considerar que tenho dois mil livres todo mês. Se não, entramos naquele ciclo de endividamento em que pagamos as contas, ficamos sem grana, contraímos novos empréstimos e sofremos com juros abusivos”, reitera.

“A parcela sem juros existe no Brasil, mas atrasar os pagamentos pode gerar taxas assustadoras que te impedem de quitar aquela dívida por um bom tempo”

5. Autônomos, online

Diferente de quem recebe um salário fixo todo mês, as pessoas autônomas possuem oscilações na renda. “Está cada vez mais comum encontrar funcionários MEI, ambulantes, domésticas e outras profissões informais que não oferecem nenhuma previsibilidade monetária. Nesses casos, parcelamentos a longo prazo devem ser avaliados com extrema cautela”, avisa. “Não sabemos o estado em que o Brasil estará em dezembro, então como fazer um parcelamento em 12 vezes? Na hora do aperto, muitos fazem o pagamento mínimo da fatura, que é como varrer a areia da praia. Os juros crescem e o que você está pagando só vai embora sem diminuir a dívida.”

6. Cuidado com os gastos picados

“Quem tem uma renda mais baixa precisa tomar cuidado para não ficar passando compras pequenas no cartão de crédito. É fácil perder o controle desse jeito. Caso você esteja fazendo isso, pare tudo e faça um trabalho manual de olhar a fatura e classificar quantos desses gastos são essenciais”, aconselha. Analise a quantidade de compras direcionadas a áreas essenciais, como compras no supermercado ou na farmácia, e a porcentagem de gastos impulsivos. “Corridas de aplicativos ou um suco na esquina parecem pouca coisa no início do mês, mas tudo isso vai pesando”, exemplifica a especialista.

7. Débito ou crédito?

Gaby informa que várias operadoras oferecem a função de transformar o cartão de crédito em débito para quem quer acompanhar e controlar os gastos no dia a dia, sem tomar um susto no final do mês: “Isso acontece porque muitos locais continuam aceitando apenas crédito como forma de pagamento. O Pix melhorou esse cenário, mas há muitas limitações. Não é porque alguém não tem cartão que vai deixar de consumir”.

dividas cartao de credito
Um erro comum e que leva ao endividamento é considerar o limite do cartão como parte da renda mensal. Divulgação/Getty Images

Cartão de crédito não precisa ser o seu inimigo

“O crédito pode ser um grande aliado. Foi através dos carnês que muitos de nós conseguiram mobiliar as suas casas no passado. O crédito já permitiu que diversas pessoas realizassem grandes sonhos, então não podemos demonizar ele. O governo e as empresas estão endividadas, pois a dívida faz parte do capitalismo. O grande ponto é a gente parar de encarar a dívida com culpa, e vê-la com responsabilidade”, declara. Segundo a economista, o cartão traz muitas vantagens que, quando usufruídas de modo inteligente e consciente, podem garantir ótimas conquistas.

Veja algumas delas:

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Parcelamento sem juros:

Pode parecer que não, mas o Brasil é um dos poucos países que oferecem essa modalidade de pagamento.

Programas de milhas:

A partir dos gastos no cartão de crédito, o cliente acumula milhas que podem ser trocadas por passagens aéreas.

Cashback:

Muitas agências devolvem uma quantia de seus gastos — ou uma parte da taxa de anuidade — para os clientes usarem como quiser.

Recompensas:

Gastando certas quantias, você ganha descontos e brindes em companhias parceiras de seu banco.

Facilidade em empréstimos: 

Pagando a fatura em dia, é possível aumentar o seu score em plataformas como o Serasa. Isso fará com que as instituições lhe ofereçam melhores condições de empréstimo, já que o cartão de crédito também influencia em seu histórico financeiro.

“Essas e outras vantagens podem ser melhores para quem passa todos os gastos possíveis no cartão. E tudo bem, dá para se organizar assim. Mas não considero que valha a pena utilizar o crédito apenas para ter esses benefícios, pois podemos sofrer com imprevistos na renda, como atrasos no pagamento do salário e até demissões”, alerta.

Controlar os gastos é um gesto de autocuidado

Gaby reforça que o dinheiro deve ser um meio e não um final: “Vamos olhar para os nossos recursos como uma maneira de garantir uma maior qualidade de vida. Muitas pessoas falam que vão viver o hoje como se não houvesse amanhã, que a vida é curta demais. Porém, o futuro sempre chega, tenha você se preparado ou não.” Para a economista, controlar os gastos nada mais é do que um gesto de autocuidado: “Cuidar do dinheiro é garantir a nossa segurança e estabilidade emocional. Ficar sem grana e endividada é um gatilho absurdo para a ansiedade. Precisamos ter responsabilidade e conhecimento sobre o que estamos fazendo. Portanto, o cartão pode ser um grande amigo mas também um enorme inimigo”, conclui.

 

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