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Conheça o BLW, o novo método de introdução alimentar para bebês

Frutas e vegetais em pedaços em vez de papinhas e purês. Essa é a premissa do BLW, que incentiva a autonomia e propõe um contato maior com alimentos

Por Colaborou: Danielly Fernandes - Atualizado em 18 fev 2020, 09h04 - Publicado em 2 Maio 2019, 17h12

Francisco tinha 6 meses quando sua mãe, a estudante gaúcha Mauren Borges, 26 anos, o colocou no cadeirão e lhe ofereceu morangos no lanche. O bebê, que até então só mamava, se deliciou com a fruta. Depois, ganhou brócolis e, aos poucos, outros alimentos.

“Cozinhava os vegetais até que ficassem macios, a ponto de ele conseguir amassar com as gengivas, já que os dentes só vieram no oitavo mês”, lembra ela. Mauren descobriu o método BLW (baby-led weaning, ou desmame guiado pelo bebê) em pesquisas na internet.

O assunto tem despertado polêmica entre profissionais da saúde e grupos de mães no WhatsApp e no Facebook – Mauren é, inclusive, administradora de um deles, com mais de 30 mil participantes.

Criada pela britânica Gill Rapley, mestra em alimentação infantil, a abordagem descrita no livro Baby-Led Weaning – BLW: O Desmame Guiado pelo Bebê (Timo) prega que a partir dos 6 meses a criança dite o que vai comer, a quantidade e o ritmo.

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“A proposta é deixá-la experimentar sem colher nem garfo. E sem um adulto levando o alimento à sua boca”, explica a especialista em nutrologia pediátrica Mônica de Araújo Moretzsohn, do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

No entanto, para ela o método não deve ser exclusivo, e sim conciliado com papinhas e amamentação. “Nessa idade, o ideal é que a criança consuma preparos com consistência pastosa, sem pedaços. Conforme ela vai crescendo, podem ser oferecidos alimentos mais sólidos”, ressalta.

Apesar dessas recomendações – repetidas pela maioria dos médicos –, a popularidade do BLW vem crescendo. Livros sobre o tema já foram publicados em mais de 15 idiomas. Entre os motivos listados por mães e especialistas para esse fenômeno estão a ênfase que a idealizadora dá ao desenvolvimento da independência e das habilidades motoras e sensoriais da criança.

“Eu queria que meu filho entendesse o formato dos ingredientes, explorasse o cheiro, a textura e o sabor”, conta Mauren. Francisco, hoje com 1 ano e 7 meses, adaptou-se totalmente.

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Segredos para o sucesso

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Conquistar a simpatia dos bebês exige dedicação à apresentação dos alimentos. Cenouras, beterrabas e batatas devem ser cortadas em tiras e as frutas em meia-lua para que a criança consiga segurá-las. São proibidos temperos, assim como comidas em rodelas, devido ao risco de asfixia.

Nos grupos do Facebook, as mães adeptas sugerem esquecer o pratinho e colocar legumes e frutas direto no cadeirão (bem limpinho, claro). O prato seria uma distração.

Só pode ser iniciado no BLW o bebê que conseguir controlar a cabeça e o tronco, sentar sem apoio e fazer o movimento de pinça com as mãos. Mais importante: o reflexo de protrusão (quando usa a língua para expulsar alimentos da boca) precisa ter diminuído, o que geralmente acontece em torno dos 6 meses. O adulto deve supervisionar, pois engasgos podem acontecer.

“Um dia fui jantar na casa do meu pai. Como ele não sabia nada sobre corte de segurança, deu uma coxa de frango inteira para o meu filho. Um pedaço ficou preso na garganta de Heitor. Percebi que ele não conseguia cuspir. Mantivemos a calma e meu pai fez a manobra para desengasgar”, relata a professora paranaense July’anne Pereira da Silva, 22 anos.

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A situação não é incomum. A gerente financeira Isabella Gomes Lustoza, 24 anos, mãe de Henrique, 1 ano e 1 mês, também enfrentou alguns engasgos dele. “Quem nunca passou por isso se espanta, mas eu intervinha com tranquilidade, e meu filho logo cuspia o que estava obstruindo a garganta.”

Muitas vezes o reflexo de gag, movimento fisiológico normal em que o bebê cospe a comida, é confundido com engasgo. A criança não tem controle sobre essa reação, pois, após meses só mamando, ainda está ganhando familiaridade com o alimento.

A falta de suporte da família e a dificuldade em manter a rotina atrapalharam Isabella. Ao iniciar o BLW, percebeu que Henrique não levava nada à boca. “Não conseguia deixá-lo sem comer, apesar de ouvir que, com fome, ele tomaria a iniciativa. Acabava dando da maneira tradicional, auxiliando e com talher.”

Mesmo contando com acompanhamento pediátrico, ela sofria com os pitacos da família e de amigos. “As pessoas diziam que tinha que oferecer o alimento amassadinho, que BLW fazia muita bagunça, que ia tudo para o chão. Como sou mãe de primeira viagem, me questionava.”

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No caso da gaúcha Mauren, a incerteza partia do pediatra. “Quando eu sugeri, ele tomou um susto. Acho que imaginou que eu ia dar comida de adulto”, comenta. A saída foi buscar um nutricionista que estivesse familiarizado com o método e pudesse oferecer o suporte necessário.

Já July’anne se surpreendeu com o incentivo da pediatra que atendia seu filho no Sistema Único de Saúde. “Ela me passou uma lista de comidas e falou que ele saberia comer sozinho se eu deixasse”, lembra.

Olhar atento

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July’anne entrou em um dos grupos do Facebook de mães que se interessam por BLW quando Heitor tinha 4 meses. Antes de tentar em casa, dois meses depois, ela pesquisou e tirou dúvidas com outras mulheres que já praticavam o método.

“Sempre respeitei a autonomia do meu filho. Sabia que ele não ia comer logo de cara, porque a criança precisa primeiro sentir a textura do alimento, brincar um pouco. Assim, mesmo com a pressão da família para desistir, eu me sentia segura.” Contudo, após Heitor completar 8 meses, July’anne começou a oferecer uma colher na hora das refeições.

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“Pensei que o talher ajudaria, mas deixava-o livre para tentar com ou sem. Eu tinha a sensação de que, às vezes, ele comia pouco”, recorda. Esse risco existe. Não há comprovação de que o BLW garanta todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento na quantidade adequada.

“A criança precisa do ambiente certo para crescer e aprender a comer, e não existem estudos suficientes para dizer qual a vantagem de oferecer somente alimentos sólidos”, destaca a nutricionista infantil Priscila Maximino, do Instituto Pensi, em São Paulo.

Blw a fundo

  • Associações de saúde de países como Canadá, Nova Zelândia e Estados Unidos não recomendam oficialmente o método por falta de dados sobre o impacto no crescimento da criança, a deficiência da ingestão de micronutrientes e calorias e sobre a segurança do método.
  • No Brasil, a Sociedade de Pediatria é contra o uso exclusivo. Em um guia publicado na internet, sugerem, no início, dar alimentos com consistência de papa, mas não peneirada nem batida no liquidificador.
  • Um estudo publicado pelo British Medical Journal concluiu que bebês que se alimentam sozinhos têm menor risco de se tornarem crianças obesas. Isso porque desde cedo eles aprendem a identificar o momento de saciedade.

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