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Preste atenção aos sinais que crianças dão quando sofrem abuso sexual

73% dos casos de violência sexual infantil acontecem dentro da casa da vítima ou do suspeito

Por Nathalie Oliveira 18 Maio 2021, 18h11

No ano de 2019, o Disque Direitos Humanos registrou 159 mil ocorrências no país. 86,8 mil desses casos infringiam direitos de crianças ou adolescentes, sendo que 17 mil denúncias estavam ligadas ao crime de violência sexual.

Os números se tornam ainda mais alarmantes diante da proporção do local em que os abusos aconteceram e do perfil do abusador. Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, 73% dos casos ocorrem dentro da casa da vítima ou do suspeito e 40% das denúncias tinham sido cometidas pelo pai ou padrasto do menor.

Nesta terça-feira (18), além de ser celebrado os 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o dia é marcado pelo Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data surgiu pela Lei 9.970/2000 em memória da menina Araceli Crespo, que, em 18 de maio de 1973, quando tinha apenas 8 anos de idade, foi sequestrada, abusada e morta.

Para proteger e livrar vítimas desse crime silencioso, as psicólogas Silvia Vasconcelos e Paula Ayub, especializadas em atendimento infantil, mostram os sinais de alerta que podem aparecer em uma situação de abuso e violência infantil.

“Primeiramente deve ser observado o que tem de comportamento anormal na criança, como não conseguir dormir, alimentação não está sendo feita como antigamente, irritabilidade, não querer ir para determinados locais. Todas as situações que fogem do comum devem ser avaliadas como sinal de alerta”, comenta Silvia Vasconcelos, que tem 13 anos de atuação na área de psicologia clínica, especialista em terapia familiar e infantil.

A profissional ainda aponta como intervir em casos de violência e abuso. “O primeiro movimento que você deve ter para com a criança é o de acolhimento, dando segurança, palavras de conforto, para que ela passe a confiar em você e assim revelar o que passa.”

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Com as provas em mãos, a próxima ação é denunciar o caso. “O Disque 100 do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos atende e encaminha a família para todos os trâmites necessários. A denúncia é anônima, segura e eficiente. Há também o disque WhatsApp, do mesmo disque 100, em que a denúncia pode ser acompanhada de fotos e documentos pelo número: (61) 99656-5008”, diz Paula Ayub, que tem 32 anos de atuação, é terapeuta familiar e infantil e trabalha na Organização Não Governamental (ONG), Eu me Protejo.

A especialista ainda fala da importância do suporte emocional. “Os profissionais irão dar orientações, mas o não julgamento é o mais importante. O afastamento da criança do abusador/violentador também é crucial para que ela não se sinta ameaçada e culpada”, salienta.

Com o trabalho reconhecido pelo prêmio Neide Castanha, a ONG Eu me Protejo conta com profissionais de diversas áreas para ensinar crianças e adolescentes que seus corpos são seus e devem ser respeitados. O projeto liberou gratuitamente uma cartilha mostrando como eles podem se defender das violências (clique aqui para acessar). Para entrar em contato e saber mais sobre a ação, basta mandar um e-mail para eumeprotejobrasil@gmail.com.

Aumento de casos na pandemia

Segundo dados parciais de conselhos tutelares de São Paulo, a região teve um crescimento sofreu um crescimento de 12 vezes nos crimes de violência sexual e física em crianças, entre março de 2020 e fevereiro de 2021. “Com o isolamento social gerado pela pandemia, a criança, em muitos casos, está em casa com seu abusador”, destaca Paula.

A especialista elenca os fatores que contribuem para o agressor cometer o crime. “Queda da renda familiar, consumo de álcool, desemprego são promotores de contextos de vulnerabilidade para a criança. Por outro lado, a distância física dos educadores, maior irritabilidade pelo confinamento e falta de apoio tornam as crianças mais dependentes dos adultos que a cercam, as deixando mais à mercê dos violentadores”, alerta.

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