Bloco Plusamba mostra que o Carnaval também é das mulheres gordas

Mais do que um espaço para sambar, o projeto foi criado com o intuito de incentivar mulheres gordas a se amarem cada vez mais e se aceitarem como são.

“Mais do que um bom ritmo nos pés”. É assim que se define o bloco “Plusamba”, um grande palco para mulheres gordas mostrarem que passistas não precisam ser magras..

Negra, gorda e com muito amor pelo samba como a mãe, Aldria Adiola é a grande responsável pelo grupo que irá se apresentar no próximo dia 9 de março, no pós-Carnaval de São Paulo. Com o desfile batendo na porta, a história da jovem passista começou em 2016, quando ela participou de um concurso realizado pela escola de samba Sociedade Rosas de Ouro. A competição buscava por sete mulheres gordas que, dali em diante, representariam a agremiação.

Ainda que infelizmente Aldria não tenha sido uma das selecionadas, foi ao observar as 26 participantes da disputa que ela entendeu que, na verdade, poderia sim haver espaço para muito mais de sete mulheres gordas no Carnaval. “Por que não uma ala só Plus Size?”, questiona a si mesma.

Com a ideia viva dentro de si, em 2017 ela passou a perguntar para quem estava ao seu redor se fazia sentido ou não existir um grupo específico de samba para figuras femininas gordas. Ela ouviu mais “sim” do que esperava, e esse foi o último incentivo de que precisava para montar um projeto e começar de uma vez por todas o Plusamba.

Atualmente, em terras paulistanas, 40 mulheres fazem parte do grupo de samba. Elas chegaram até Aldria de diferentes maneiras, seja por convites feitos pela própria passista ou por meio de uma grande corrente, do tipo “traz a sua amiga também!” – potencializada após uma apresentação de sucesso na escola Acadêmicos do Tucuruvi.

Afinal, “às vezes, você quer se empoderar e trazer alguém com você”, comenta a dançarina. 

Para a felicidade da luta contra a gordofobia, o projeto sem fins lucrativos não se restringiu apenas à cidade de São Paulo. Com a repercussão do Plusamba em uma das maiores capitais do Brasil, a educadora Rosana Lopes procurou por Aldria. O resultado dessa amizade, que começou com uma conversa de interesse para desfilar no bloco, resultou em sua extensão para o Rio Grande do Sul.

Infelizmente, devido ao cenário de preconceito existente no sul do país, as coisas aconteceram de um modo diferente daquilo que rolou em São Paulo. Enquanto que a passista paulistana nunca ouviu ofensas ou foi olhada torto durante suas apresentações, as participantes gaúchas foram discriminadas pelos corpos fora dos padrões impostos pela sociedade.

Com uma realidade tão dura como essa, é possível entender o porquê de Aldria ter escolhido figuras femininas gordas para serem o foco do grupo. “Porque além de mulheres, o sobrepeso em cima delas pesa muito mais. Elas acabam perdendo a autoestima, às vezes, não se sentem valorizada pelos companheiros e pelas amizades. Tudo devido à ditadura do peso, de que uma pessoa feliz é uma pessoa magra”, finaliza a passista.