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A cultura do medo pode estar impactando sua vida

O sentimento protege você de diversas situações, mas também pode ser um convite a perda de experiências significativas quando não bem controlado

Por Lorraine Moreira
4 nov 2023, 11h15

As mãos suam, os batimentos cardíacos aceleram e os músculos ficam tensos. Picadas na pele e agitação no estômago não demoram a aparecer. Seu corpo reconhece os sinais: chegou o medo. Alguns sentem mais, outros sentem menos, mas a verdade é que esse sentimento influencia a sociedade. Até que ponto, porém, é saudável?

Seja de altura, solidão ou violência, todos os seres humanos experimentam o medo em alguma medida. “É uma resposta natural do nosso corpo a possíveis ameaças ou perigos percebidos”, explica a psicóloga Sara Santos.

Em situações assustadoras, a amígdala estimula o hipotálamo, que ativa sistemas no corpo, causando uma inundação repentina de hormônios e desencadeando a resposta de luta ou fuga.

“Uma ampla gama de estímulos pode desencadeá-lo, sendo eles situações de perigo real ou imaginário, e as respostas que temos diante do que sentimos nos faz reagir ou não”, pontua a especialista. O medo varia em intensidade, duração e efeitos em longo prazo.

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Também é importante para que precauções sejam tomadas e, assim, situações perigosas não sejam acessadas com tanta facilidade – as pessoas saem de riscos, muitas vezes, por causa dele.

“O medo é normal, mas também pode ser uma ferramenta negativa à saúde mental”, alerta. Antes de nos aprofundar neste ponto, é importante entender como o comportamento social afeta o assunto.

A cultura do medo

Segundo o sociólogo Frank Furedi, muitas vezes esse sentimento é incitado para que terceiros sejam beneficiados, ao que ele nomeia como cultura do medo. O controle de massas, a partir dessa ideia, ganha força: pessoas assustadas têm mais dificuldade em fugir das ordens.

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Não à toa, parcela importante das crianças recebem uma educação pautada em castigos: com medo, elas se tornam obedientes e incapazes de impor a própria vontade. Caso não durmam no horário correto, por exemplo, dizem que o monstro vai aparecer.

Maquiavel aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súditos, porque esse sentimento era mais potente e duradouro que o amor. “Governar pelo medo” era a sua orientação.

Na sociedade, a máxima prevalece: o desemprego e a a violência, por exemplo, são tão assustadores que levam milhares de pessoas a permanecer em situações desiguais ou apenas aceitar os problemas cotidianos.

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Em muitos casos, há quem abandone a vida social para não precisar lidar com esse sentimento, como aqueles que não frequentam espaços de lazer, por exemplo, para não ser assaltados.

Pessoa isolada com cabeça baixa
O medo pode ser uma ferramenta para a manutenção da sociedade (Pixabay/Pexels)

Quando o medo é prejudicial

“O medo pode ser prejudicial quando limita excessivamente a pessoa”, esclarece Sara. Exemplos disso são pessoas que não conseguem falar em público e, por isso, perdem oportunidades de emprego, ou quem sempre deixa de viajar por medo de acontecer algum acidente.

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“O medo excessivo pode levar à ansiedade, inclusive a generalizada, e depressão“, diz ela. Buscar uma relação saudável com ele, procurando ajuda de profissionais capacitados e especializados pode ser o começo. Estudar o modelo de funcionamento da sociedade é outro ponto importante.

Como ter uma relação mais saudável com o medo?

A necessidade de construir uma relação mais saudável com o medo pode aparecer quando o assunto é a frequência excessiva com que ele surge.

Uma das maneiras de se relacionar melhor é entender que se trata de uma emoção normal, que todos sentem em algum momento. Não negue ou reprima seu medo, mas sim reconheça seu aparecimento e lide com ele de forma saudável e consciente, o que inclui a prática de técnicas de relaxamento, como meditação ou respiração profunda, que ajudam a controlar a ansiedade e o estresse”, indica a profissional. 

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Outra maneira é enfrentá-lo. “Isso pode parecer assustador inicialmente, mas enfrentar nossos medos ajuda a reduzir a intensidade e aumentar nossa confiança em lidar com eles no futuro, pois criamos memórias positivas e ampliamos a nossa percepção, fazendo inclusive um processo de reprogramação mental.”

Começar com pequenos passos e aumentar gradualmente é a dica final dela. Se necessário, procure ajuda de um profissional qualificado de saúde mental para orientação e suporte. 

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