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Teste de ancestralidade realmente funciona? Geneticista revela

Cada vez mais popular nas redes sociais, o teste de ancestralidade promete revelar as origens étnicas de nossa ancestralidade

Por Kalel Adolfo Atualizado em 22 jun 2022, 13h54 - Publicado em 23 jun 2022, 08h49

Quem nunca sentiu curiosidade em descobrir mais sobre as próprias origens? De certa forma, conhecer as nossas raízes é uma maneira de nos conectarmos com quem somos. Por esse motivo, o teste de ancestralidade vem ganhando cada vez mais popularidade. A sua proposta é bem simples: através de uma amostra de DNA, a ferramenta faz uma espécie de “varredura” ao redor do globo, encontrando populações que compartilhem traços genéticos semelhantes aos seus.

Agora, a pergunta que fica é: será que a técnica funciona de verdade? Como a amostra é analisada em um laboratório? Para desvendar o assunto, Claudia bateu um papo com Ágatha Faria, doutora em genética humana. Veja a seguir:

Teste de ancestralidade: o que é e como funciona?

Segundo Ágatha, o teste de ancestralidade realmente funciona: “Ele nada mais é do que a sua história contada através de seu DNA”, afirma. Para isso, o laboratório realiza uma análise completa de seu código genético, o comparando com marcadores de populações de todo o planeta.

“Assim que a amostra chega ao laboratório, o DNA é extraído das células e passa por um processo de interpretação de dados. Essa técnica realiza uma ‘leitura’ de mais de seis mil pontos do DNA, gerando informações sobre quais variações estão presentes nele”, explica.

Segundo a especialista, a maioria dessas variações é neutra. Em outras palavras, isso significa que não possuem quaisquer influências sobre funções ou características biológicas. Mesmo assim, elas guardam informações valiosas acerca de nossas raízes.

“Utilizando algoritmos e inteligência artificial, essas variações são analisadas e comparadas a bancos de dados genéticos. No laboratório em que trabalho — Meu DNA —, comparamos a amostra com marcadores de 88 populações para estimar a ancestralidade da pessoa. Assim, você descobre quais povos — e qual é a porcentagem deles — em seu sangue”, esclarece Ágatha.

Como é realizada a coleta de amostra

Se você tem medo de agulhas, não se preocupe: todo o processo é bem simples e indolor. “A coleta é feita pela saliva, com a ajuda de um cotonete especial. Assim que coletar e ‘ativar o kit’ [processo feito através do site do laboratório], é só enviar a amostra para a companhia responsável através do correio. Normalmente, os resultados chegam em até seis semanas”, revela.

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Como os resultados aparecem

A especialista compartilha que o teste identifica a origem de cinco a oito gerações passadas presentes em seu DNA. “No resultado, você terá a porcentagem de cada povo que faz parte de sua composição genética. A partir daí, é só mergulhar nessa jornada de autodescoberta”.

Irmãos podem ter resultados diferentes?

Pode parecer surpreendente, mas irmãos biológicos podem receber resultados e porcentagens completamente diferentes. “Metade de nosso DNA vem da mãe, e a outra, do pai. Porém, o processo biológico de recombinação genética faz com que o DNA seja embaralhado antes de ser passado para um descendente. Ou seja, os filhos não recebem a mesma quantidade de DNA, e portanto, não obtém a mesma quantidade de cada ancestralidade de seus pais”, clarifica.

O quão assertivas são as informações reveladas?

Agora que você já sabe que o teste funciona, outra dúvida pode surgir: o quão assertivos são os dados revelados? De acordo com Ágatha, isso pode variar de acordo com cada laboratório. Porém, ela garante que a tecnologia avançada utilizada na análise acaba garantindo um alto grau de acurácia.

“É um cálculo complexo e, claro, envolve uma margem de erro. Mas, em média, conseguimos determinar cada ancestralidade com mais de 85% de assertividade. Vale ressaltar que o grau de confiabilidade também vai depender do recorte geográfico que estamos considerando”, diz.

A geneticista exemplifica: “Estimar que a origem do DNA está no sudeste da Europa ou no oeste da África traz uma grande precisão. Porém, investigar países ou populações específicas acaba diminuindo as chances de acerto, pois a diferença genética entre as populações de uma mesma região acaba sendo menos evidente.”

Teste de ancestralidade é importante?

A geneticista esclarece que, por mais que soe apenas como uma curiosidade trivial, o teste traz uma ótima oportunidade de autoconhecimento: “Ter essa informação é como encontrar uma peça importante no quebra-cabeça que é a nossa identidade. É um convite para conhecer culturas, tradições e formas de arte que se conectam conosco de alguma maneira.”

Há alternativas para o teste de ancestralidade?

Infelizmente, não há outros testes no mercado que tragam informações sobre a nossa ancestralidade. “A única alternativa é procurar documentos, fotos ou algum registro histórico para descobrir o caminho que seus antepassados fizeram antes e depois de vir pro Brasil”, conclui.

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