Saúde mental também é prioridade em tempos de pandemia

Além do físico, manter a mentalidade em dia e controlar a ansiedade é crucial para enfrentarmos a circulação de coronavírus da melhor maneira

Há pouco mais de duas semanas, o coronavírus chegou ao Brasil. De lá para cá, foram 234 casos confirmados em todo o país. Algumas universidades e escolas, privadas e públicas, já suspenderam suas aulas. Empresas estão liberando o trabalho remoto para evitar que seus funcionários saiam de casa. A Itália enfrenta uma situação caótica, com mais 24 mil casos e 1800 mortos devido ao COVID-19. A Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou, na semana passada, que já é possível afirmar que o mundo vive hoje uma verdadeira pandemia.

O clima inspira cuidados imediatos, isso é fato. Mas será que, para nós, brasileiros, realmente existe motivo para pânico? É o que muitos estão se questionando. Afinal, por que máscaras e álcool em gel estão em falta em algumas farmácias e pessoas começam a aumentar suas compras no supermercado a fim de estocar alimentos?

“O Brasil viveu pouquíssimas situações extremas. Somos um país muito novo. Não vivemos as grandes guerras. É a primeira vez que vivemos uma pandemia. Por isso, não sabemos nos comportar”, opina Mariana Luz, psicóloga clínica a CLAUDIA. Para ela, a inexperiência do brasileiro frente às questões coletivas e globais, como essa do coronavírus, gera tamanha preocupação e pânico na população. “Como não passamos por situações parecidas antes, não sabemos o que vai acontecer e isso gera muita insegurança”, explica.

Como podemos, então, lidar com uma situação tão nova e delicada como essa pandemia? 

Primeiramente, é importante que cada um faça a sua parte seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, como evitar aglomerações, lavar bem as mãos com água e sabão e, quando não for possível, utilizar o álcool gel para a higienização. Além disso, as máscaras devem ser utilizadas apenas quando na presença de sintomas como tosse, espirros ou dificuldade de respirar, para evitar o contágio a pessoas ao seu redor.

“Se eu estou muito ansiosa, o que devo fazer? Objetivamente, devo seguir o protocolo. Ele vai garantir a nossa saúde, a nossa segurança e a segurança das pessoas que amamos”, afirma a profissional.

Ansiedade e coronavírus

O Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população (18,6 milhões de brasileiros) que sofrem de ansiedade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A ansiedade é o excesso de pensamentos relacionados ao futuro e às angústias por conta da incerteza do que está por vir traz. Não saber o que vai acontecer no país e como a nossa rotina será alterada devido ao coronavírus faz com que essa insegurança aumente ainda mais. E o quadro piora com o excesso de informações sobre a pandemia nas mídias digitais e televisivas.

“É importante termos informação, mas também há uma overdose de notícias. Com isso, a pessoa ansiosa precisa se questionar se isso faz bem a ela”, explica Luz. “Precisamos nos atentar ao agora. Já sabemos que é uma doença que está nos cinco continentes e que os casos irão aumentar no Brasil. Sendo assim, além de seguir o protocolo, vale a pena pensar: ‘hoje estou me sentindo bem? As pessoas ao meu redor estão se sentindo bem? Então é isso que eu vou aproveitar'”, exemplifica.

Afinal, precisamos lembrar que, diariamente, independente de estarmos vivendo uma epidemia, acordamos sem saber o que vai acontecer. Por isso, é importante viver o presente da melhor maneira possível. “O coronavírus veio para percebermos que precisamos valorizar mais o tempo presente. Não temos controle sobre o futuro”, afirma a psicóloga.

Enxergue a pandemia com outros olhos

Tem quem acredite que determinadas situações acontecem por algum motivo e que temos sempre que enxergar o lado positivo de algum problema, nem que seja um aprendizado. Será que o mesmo vale para a pandemia do coronavírus?

Para Luz, sim. “Aumentamos o nosso senso de coletividade, aprendendo uma série de coisas e uma delas é valorizar os laços”, opina. “Muitas vezes, não valorizamos o ato de abraçar alguém e, agora que estamos evitando isso, passamos a refletir. Evitar o abraço, evitar o beijo, agora são atitudes que demonstram valorização à saúde. Eu estou amando o próximo ao fazer isso.”

Além das relações humanas passarem por mudanças, mesmo que por um curto período de tempo, há uma oportunidade de encontrar e praticar atividades de formas diferentes, como assistir aulas online de yoga, fazer terapia à distância ou baixar um aplicativo de exercícios físicos em que não é necessário ir à academia, por exemplo.

Ocupe sua mente

Para evitar a ansiedade e  preocupação constante com o coronavírus, é preciso manter a mente ocupada, principalmente em um cenário de quarentena. Se você não estiver trabalhando ou estudando, procure fazer atividades que te agrade, como ler um livro, assistir aquela série favorita ou filme. É um bom momento também, se você não morar sozinho, de se conectar com as pessoas que já moram com você.

No caso do isolamento, vale ressaltar que o coronavírus tem baixa taxa de mortalidade, em especial para as pessoas que não estão no grupo de risco. “Você está lutando contra uma doença, que certamente poderá vencer. E a tendência é que com todos os cuidados, em algumas semanas esteja recuperado”, reitera Luz. “Não precisamos ter pânico, precisamos seguir o protocolo. E o isolamento faz parte desse protocolo. É importante ocupar a mente com outras atividades e não ficar fixada nisso.”

No caso dos idosos, que estão no grupo de risco, vale a pena buscar alternativas para manter o contato, como as redes sociais. Utilize os aplicativos de conversa, por exemplo, para conversar com a família e avisar sobre seu estado de saúde.

      Como ajudar uma pessoa com crise de ansiedade?

      As recomendações para ajudar uma pessoa que está passando por uma crise de ansiedade são as mesmas independentemente do motivo. Durante uma crise, o ansioso fica com a respiração ofegante, os batimentos cardíacos acelerados e com a certeza de que algo ruim irá acontecer a ele.

      Por isso, o primeiro passo é ouvir a pessoa. O segundo é lembrá-lo de que o importante é se atentar ao que pode ser feito naquele momento, já que não temos controle do futuro e, sim, do presente. Terceiro, procure ajudá-la a respirar pausadamente e de forma lenta a fim de desacelerar os batimentos cardíacos alterados.

      “A respiração oxigena o cérebro. Quando estamos em pânico ou com ansiedade, temos a tendência de respirar de forma mais ofegante e não conseguir, de fato, pensar”, explica a terapeuta.

      Se você estiver em um local público, com aglomeração, e perceber o início de uma crise de ansiedade ou pânico, procure se afastar ao máximo da multidão. Caso esteja no ônibus ou metrô, desça no próximo ponto ou estação e ligue para alguém de confiança ou procure ajuda de um dos funcionários.

       

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