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Insônia na menopausa: médica revela o que realmente funciona para voltar a dormir

Entenda por que a menopausa altera o sono e descubra estratégias eficazes, da higiene do sono à reposição hormonal, para voltar a descansar

Por Gabriel Bueno 8 jun 2026, 18h26 | Atualizado em 9 jun 2026, 15h56
Mulher de cabelos loiros e camisa clara espreguiçando-se na cama, com os olhos fechados e braços esticados para cima. Ao fundo, parede verde-escura, cabeceira de madeira e abajur com planta ao lado
A reeducação de hábitos e o suporte médico especializado evitam que os distúrbios do sono se tornem permanentes. (Superinteressante/Pinterest)
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Durante anos, o sono foi um território conhecido. Bastava encostar a cabeça no travesseiro para que o corpo encontrasse, quase sem esforço, o caminho até o descanso. Então, em algum momento, as noites começaram a mudar. O despertar no meio da madrugada tornou-se frequente, o calor surgiu sem aviso e aquela sensação de acordar renovada passou a parecer cada vez mais distante.

Para muitas mulheres, essa transformação coincide com a chegada da menopausa. Enquanto os hormônios se reorganizam nos bastidores do organismo, o sono também sente os efeitos dessa nova fase. O que poucas sabem é que as noites mal dormidas não precisam ser encaradas como um destino inevitável.

A seguir, em entrevista à CLAUDIA, a ginecologista e obstetra, Dra. Hanna Kurihara, explica por que a menopausa afeta o sono e quais medidas ajudam a devolver aquilo que o corpo procura ao fim do dia: o descanso. 

Por que a menopausa afeta o sono?

Mulher de cabelos escuros e roupão branco, com expressão serena, toca o rosto enquanto se olha no espelho dourado, em um banheiro com paredes de mármore e iluminação quente
O declínio invisível do estradiol e da progesterona altera a física do descanso e redesenha nossas noites de sono. ( Маргарита SMM для брендов/Pinterest) (Маргарита | SMM для брендов/Pinterest)

Segundo a ginecologista, os problemas relacionados ao sono são bastante frequentes durante a transição para a menopausa e após a última menstruação.

“Queixas referentes à qualidade do sono são reportadas por 39% a 47% das mulheres na perimenopausa e por 35% a 60% das mulheres na pós-menopausa, principalmente por aquelas que apresentam sintomas vasomotores [os famosos calorões]”, explica.

A especialista afirma que essas alterações estão relacionadas à redução dos níveis de estradiol e progesterona — os dois principais hormônios sexuais femininos —, além da elevação do hormônio folículo-estimulante (FSH).

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“As alterações hormonais afetam o sono por múltiplos mecanismos”, afirma a médica. Segundo ela, pesquisas recentes mostram que hormônios ligados ao sistema reprodutivo também influenciam áreas cerebrais responsáveis pela regulação da temperatura corporal e dos ciclos de sono.

Quais são as principais queixas das mulheres?

Médica jovem de jaleco branco, cabelo preso, conversando com paciente de costas, em consultório claro com janela, mesa com tablet, estetoscópio e laptop
Os despertares noturnos estão entre os maiores obstáculos para o descanso profundo. (Дан/Pinterest) (Дан/Pinterest)

Nem sempre a dificuldade está apenas em adormecer. De acordo com a especialista, acordar várias vezes ao longo da noite e sentir os calorões (também conhecidos como ‘fogachos’) estão entre as reclamações mais frequentes das mulheres na pós-menopausa.

Além deles, também há uma maior prevalência de ansiedade e depressão nessa fase da vida, o que aumenta o risco de distúrbios do sono.

O que realmente ajuda a dormir melhor?

Mulher deitada na cama com os olhos fechados e a mão na testa, parecendo cansada ou com dor de cabeça, luz solar ilumina seu rosto
O tratamento eficaz começa com a diferenciação clínica entre a insônia primária e os sintomas da pós-menopausa. (Divulgação/Pinterest) (Divulgação/Pinterest)
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Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental identificar a origem do problema. “É importante realizar uma boa anamnese para identificar se a insônia é primária ou secundária aos sintomas da pós-menopausa”, afirma a médica.

Independente da causa, o primeiro passo é investir na chamada ‘higiene do sono‘. Isso inclui estabelecer horários regulares para dormir, evitar telas antes de deitar e reduzir o consumo de bebidas estimulantes no período noturno. “Também é importante treinar o cérebro para associar o quarto e a cama ao local de sono”, orienta a Dra. Hanna.

Outra estratégia recomendada é a terapia cognitivo-comportamental (TCC) voltada à insônia. Segundo a especialista, o acompanhamento ajuda na identificação de hábitos, pensamentos e fatores emocionais que prejudicam o descanso.

Quando a reposição hormonal pode ser indicada?

Close-up de uma pessoa com a boca aberta, colocando uma cápsula amarela brilhante na língua com os dedos
A terapia de reposição hormonal melhora o sono para reduzir a intensidade e a frequência das calorias noturnas. Mas atenção: não é recomendado à todas as mulheres! (Divulgação/Pinterest) (Divulgação/Pinterest)

Nas mulheres que apresentam fogachos intensos, a terapia hormonal pode ser uma opção, desde que não existam contraindicações médicas. “Com a melhora dos calorões, as pacientes diminuem os despertares noturnos e melhoram a qualidade do sono”, afirma a ginecologista.

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No entanto, a reposição hormonal não é a única alternativa. Às mulheres que apresentam problemas para dormir antes mesmo da menopausa, podem precisar de abordagens complementares. “Algumas pacientes podem necessitar de outras medicações além da reposição hormonal, como melatonina, antidepressivos e indutores do sono”, explica a médica.

Em quadros graves, é necessário o acompanhamento de um neurologista especializado em medicina do sono.

O que evitar ao tentar tratar a insônia?

Mulher de cabelos castanhos e sorriso largo, vestindo blusa de gola alta branca e estetoscópio, sentada em uma mesa de escritório com computador e um modelo de bebê em um útero rosa
Dica médica: o uso de bebidas alcoólicas antes de deitar sabota a qualidade do descanso e agrava os sintomas dos fogachos. (Hanna Kurihara/Divulgação) (Hanna Kurihara/Divulgação/Instagram)

A especialista alerta que algumas estratégias aparentemente inofensivas pioram o problema. Um exemplo, é o consumo de álcool antes de dormir. Apesar da sensação inicial de relaxamento, a bebida interfere na qualidade do descanso. “O álcool fragmenta o sono, causa despertares noturnos e pode piorar os fogachos”, afirma.

Outro cuidado importante é evitar a automedicação com calmantes ou remédios para dormir. “Esses medicamentos só devem ser usados com orientação médica rigorosa e por curtos períodos, devido ao risco de dependência e efeitos adversos”, alerta a Dra.

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Além disso, refeições pesadas, cafeína, uso de telas e exercícios físicos intensos nas horas que antecedem o sono também dificultam o descanso.

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