Insônia na menopausa: médica revela o que realmente funciona para voltar a dormir
Entenda por que a menopausa altera o sono e descubra estratégias eficazes, da higiene do sono à reposição hormonal, para voltar a descansar
Durante anos, o sono foi um território conhecido. Bastava encostar a cabeça no travesseiro para que o corpo encontrasse, quase sem esforço, o caminho até o descanso. Então, em algum momento, as noites começaram a mudar. O despertar no meio da madrugada tornou-se frequente, o calor surgiu sem aviso e aquela sensação de acordar renovada passou a parecer cada vez mais distante.
Para muitas mulheres, essa transformação coincide com a chegada da menopausa. Enquanto os hormônios se reorganizam nos bastidores do organismo, o sono também sente os efeitos dessa nova fase. O que poucas sabem é que as noites mal dormidas não precisam ser encaradas como um destino inevitável.
A seguir, em entrevista à CLAUDIA, a ginecologista e obstetra, Dra. Hanna Kurihara, explica por que a menopausa afeta o sono e quais medidas ajudam a devolver aquilo que o corpo procura ao fim do dia: o descanso.
Por que a menopausa afeta o sono?
Segundo a ginecologista, os problemas relacionados ao sono são bastante frequentes durante a transição para a menopausa e após a última menstruação.
“Queixas referentes à qualidade do sono são reportadas por 39% a 47% das mulheres na perimenopausa e por 35% a 60% das mulheres na pós-menopausa, principalmente por aquelas que apresentam sintomas vasomotores [os famosos calorões]”, explica.
A especialista afirma que essas alterações estão relacionadas à redução dos níveis de estradiol e progesterona — os dois principais hormônios sexuais femininos —, além da elevação do hormônio folículo-estimulante (FSH).
“As alterações hormonais afetam o sono por múltiplos mecanismos”, afirma a médica. Segundo ela, pesquisas recentes mostram que hormônios ligados ao sistema reprodutivo também influenciam áreas cerebrais responsáveis pela regulação da temperatura corporal e dos ciclos de sono.
Quais são as principais queixas das mulheres?
Nem sempre a dificuldade está apenas em adormecer. De acordo com a especialista, acordar várias vezes ao longo da noite e sentir os calorões (também conhecidos como ‘fogachos’) estão entre as reclamações mais frequentes das mulheres na pós-menopausa.
Além deles, também há uma maior prevalência de ansiedade e depressão nessa fase da vida, o que aumenta o risco de distúrbios do sono.
O que realmente ajuda a dormir melhor?
Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental identificar a origem do problema. “É importante realizar uma boa anamnese para identificar se a insônia é primária ou secundária aos sintomas da pós-menopausa”, afirma a médica.
Independente da causa, o primeiro passo é investir na chamada ‘higiene do sono‘. Isso inclui estabelecer horários regulares para dormir, evitar telas antes de deitar e reduzir o consumo de bebidas estimulantes no período noturno. “Também é importante treinar o cérebro para associar o quarto e a cama ao local de sono”, orienta a Dra. Hanna.
Outra estratégia recomendada é a terapia cognitivo-comportamental (TCC) voltada à insônia. Segundo a especialista, o acompanhamento ajuda na identificação de hábitos, pensamentos e fatores emocionais que prejudicam o descanso.
Quando a reposição hormonal pode ser indicada?
Nas mulheres que apresentam fogachos intensos, a terapia hormonal pode ser uma opção, desde que não existam contraindicações médicas. “Com a melhora dos calorões, as pacientes diminuem os despertares noturnos e melhoram a qualidade do sono”, afirma a ginecologista.
No entanto, a reposição hormonal não é a única alternativa. Às mulheres que apresentam problemas para dormir antes mesmo da menopausa, podem precisar de abordagens complementares. “Algumas pacientes podem necessitar de outras medicações além da reposição hormonal, como melatonina, antidepressivos e indutores do sono”, explica a médica.
Em quadros graves, é necessário o acompanhamento de um neurologista especializado em medicina do sono.
O que evitar ao tentar tratar a insônia?
A especialista alerta que algumas estratégias aparentemente inofensivas pioram o problema. Um exemplo, é o consumo de álcool antes de dormir. Apesar da sensação inicial de relaxamento, a bebida interfere na qualidade do descanso. “O álcool fragmenta o sono, causa despertares noturnos e pode piorar os fogachos”, afirma.
Outro cuidado importante é evitar a automedicação com calmantes ou remédios para dormir. “Esses medicamentos só devem ser usados com orientação médica rigorosa e por curtos períodos, devido ao risco de dependência e efeitos adversos”, alerta a Dra.
Além disso, refeições pesadas, cafeína, uso de telas e exercícios físicos intensos nas horas que antecedem o sono também dificultam o descanso.
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