Por que o rosto de Alisson fica vermelho? Entenda a rosácea do goleiro
Durante a Copa, o rosto avermelhado de Alisson chamou atenção do público. Dermatologista explica o que é rosácea, quais são os gatilhos e como tratar
Durante os jogos do Brasil na Copa, não foi apenas a atuação de Alisson que chamou atenção. Nas redes sociais, muita gente passou a reparar também no rosto avermelhado do goleiro e nas lesões aparentes na pele, levantando dúvidas sobre o que ele teria.
A resposta está em uma condição dermatológica relativamente comum: a rosácea. Embora muita gente confunda o quadro com acne, alergia ou irritação passageira, a rosácea é uma doença inflamatória da pele, que costuma provocar vermelhidão intensa, sensibilidade e, em alguns casos, lesões parecidas com espinhas.
Segundo a dermatologista Denise Steiner, “rosácea é uma doença inflamatória da pele caracterizada por avermelhamento intenso, além de lesões pustulosas parecidas com espinhas”.
Na prática, isso significa que a pele pode ficar constantemente avermelhada, especialmente na região central do rosto, como bochechas, nariz, testa e queixo. Em alguns casos, também surgem pequenos vasos aparentes e episódios de piora diante de estímulos externos.
“A pele comprometida pela rosácea é muito sensível e piora com vários estímulos ambientais”, explica Denise.
Por que a rosácea acontece?
A causa da rosácea ainda não é totalmente esclarecida. O que se sabe é que, nessa condição, os vasos da pele ficam mais dilatados, favorecendo inflamação, vermelhidão e aumento da sensibilidade.
“Os vasos ficam dilatados, causando inflamação e sensibilidade”, afirma a dermatologista.
Por isso, a rosácea pode oscilar bastante. Há períodos em que a pele parece mais calma e outros em que os sinais ficam mais evidentes. Calor excessivo, frio intenso, exposição solar, bebidas alcoólicas e alimentos apimentados estão entre os fatores que podem piorar a inflamação.
Rosácea não é acne
Uma das confusões mais comuns acontece porque a rosácea pode provocar lesões pustulosas, semelhantes a espinhas. A diferença é que, na rosácea, essas alterações fazem parte de um processo inflamatório crônico e geralmente vêm acompanhadas de vermelhidão persistente e sensibilidade intensa.
Também é por isso que tratamentos comuns para acne, especialmente produtos com ácidos ou fórmulas agressivas, podem piorar o quadro quando usados sem orientação médica.
A rosácea pode piorar com o tempo?
Sim. Quando não é acompanhada, a rosácea pode se tornar mais intensa e, em alguns casos, favorecer alterações mais persistentes na pele. Denise explica que a doença pode levar ao aparecimento das chamadas fimas.
“Além do avermelhamento persistente, a rosácea pode favorecer o aparecimento das fimas como o rinofima, quando o nariz fica hipertrofiado e edemaciado de forma crônica e progressiva”, diz.
O rinofima é uma alteração mais avançada, em que a pele do nariz fica espessada e aumentada. Embora não aconteça em todos os casos, ele mostra a importância de tratar e controlar a condição desde os primeiros sinais.
Como tratar a rosácea?
O tratamento depende da intensidade do quadro e deve ser indicado por dermatologista. Em casos mais importantes, podem ser usados medicamentos imunomoduladores por um período determinado.
“Muitas vezes, conforme o grau de intensidade da rosácea, é necessário utilizar medicamentos imunomoduladores como minociclina ou doxiciclina durante um período variável de um a dois meses”, explica Denise.
Além disso, a rotina diária de cuidados faz diferença. A pele com rosácea precisa de limpeza suave, hidratação constante e proteção solar adequada. A dermatologista recomenda evitar produtos agressivos, especialmente aqueles com ácidos.
“A limpeza deve ser feita com cremes suaves que não contenham nenhum tipo de ácido. O produto deve ser enxaguado completamente”, orienta.
Na hidratação, fórmulas em sérum ou creme podem ser usadas, especialmente quando contam com ativos antioxidantes, como niacinamida e vitamina E. Já o protetor solar deve ser escolhido com cuidado.
“O fotoprotetor não pode ser oil free nem com toque seco, precisa hidratar e acalmar a pele”, afirma Denise.
Em alguns casos, também há indicação de cremes anti-inflamatórios, como ivermectina ou metronidazol, geralmente usados à noite e alternados com hidratantes.
Laser e luz pulsada ajudam?
Sim. Para quadros com vasos dilatados, laser e luz pulsada podem ser aliados importantes. Esses tratamentos ajudam a reduzir os vasos mais aparentes e não funcionais, diminuindo a vermelhidão e a sensibilidade.
“O laser ou luz pulsada para tratamento vascular é um tratamento importante para eliminar os vasos mais dilatados e não funcionais”, explica Denise. “Em geral, são feitas duas a quatro sessões com intervalo de 15 a 30 dias.”
Com a melhora dos vasos comprometidos, a inflamação tende a diminuir. “Com a eliminação dos vasos dilatados e comprometidos, a inflamação e sensibilidade diminuem substancialmente”, completa.
Toxina botulínica também pode ser usada
Outro recurso citado pela dermatologista é a toxina botulínica, aplicada de forma diferente daquela usada para suavizar rugas. No caso da rosácea, ela pode ser usada em microdoses intradérmicas para ajudar a reduzir a vermelhidão.
“A toxina botulínica também é utilizada para a diminuição do avermelhamento na rosácea”, diz Denise. “Quando aplicada na pele, diminui a inflamação, acalmando e clareando a pele.”
Segundo a especialista, ela é diluída e aplicada em microdoses na região comprometida, em geral a cada três meses.
Rosácea tem controle
A rosácea não deve ser tratada como uma simples questão estética. A condição pode causar desconforto, ardência, sensibilidade e impacto na autoestima, especialmente quando aparece em momentos de grande exposição, como acontece com atletas em campo.
Ainda assim, com acompanhamento médico, cuidados diários e tratamentos adequados, é possível controlar a inflamação e melhorar bastante o aspecto da pele.
“O tratamento completo da rosácea diminui a inflamação da pele e promete resultados muito duradouros”, conclui Denise.
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