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Quem é a ex-namorada de Jeffrey Epstein, citada por Ghislaine Maxwell

Shelley Lewis teria namorado o milionário quando tinha 22 anos e o FBI a considera uma testemunha importante para o caso

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 4 ago 2020, 13h50 - Publicado em 4 ago 2020, 13h15

Aparentemente um dos argumentos de defesa de Ghislaine Maxwell não é exatamente uma mentira. A empresária, que foi namorada de Jeffrey Epstein e é acusada de ter liderado com ele a rede de exploração sexual de menores, disse em depoimento oficial que não tinha um relacionamento com o milionário há anos antes da prisão e morte dele. Claro que ela não disse a verdade quando insiste que não tinha contato com ele há “décadas”. A troca de e-mails entre os dois em 2015 comprova o contrário, mas a informação de uma outra namorada surpreendeu muita gente. Pois ela existiu e foi identificada como a escritora inglesa Shelley Anne Lewis.

Shelley, que não é citada oficialmente em nenhuma das investigações, seria a pessoa que Ghislaine pressiona a Epstein para assumir oficialmente, afim de que ela mesma se distanciasse das acusações que ele estava enfrentando. No e-mail, Ghislaine diz que ficaria grata se “Shelley se apresentasse” como namorada de Epstein, “eu acho que ela era do final de 99 até 2002”, escreveu. A resposta de Epstein, que publicamente dizia que Ghislaine era sua “melhor amiga”, aceita o pedido. “Tudo bem por mim”, ele respondeu, “você não fez nada de errado e eu imploro que você passe a agir de acordo com isso. Saia, cabeça erguida, não como uma fugitiva condenada. Vá às festas, lide com isso”, ele escreveu em 25 de janeiro de 2015, quatro anos e meio antes de sua morte.

No entanto, ninguém sabia de Shelley até os documentos do processo serem revelados.

Shelley Lewis em um evento em Nova York City, em 2016 Pul Bruinooge/Patrick McMullan/Getty Images

Shelley Anne Lewis é uma autora de livros infantis, de 43 anos, que hoje se apresenta como “empreendedora espiritual”, gerenciando um “lugar sagrado”.  De acordo com documentos sobre o empresário, foi confirmado que ela frequentava a ilha do Caribe, onde aconteciam as orgias, assim como era frequente voadora no jatinho particular do milionário. “Shelley sempre teve ótimas conexões e é linda. Estou triste e chocado”, diz um amigo ao jornal The Sun. Procurada pela imprensa, Shelley apagou suas contas nas redes sociais e não respondeu aos jornalistas.

Calcula-se que Shelley tinha 22 anos quando namorou Epstein, que teria 46 anos na época. Eles se conheceram em Nova York, quando ela trabalhava na Christie’s. Nesse período, amigos dizem que ela falava de um “mentor”, que ela considerava “tão original em todo processo mental que ele não via nem a caixa”, um elogio para a “criatividade” de Epstein, que segundo o documentário “Jeffrey Epstein: Poder e Perversão”, mesmo sem diploma superior, conseguiu ser professor universitário e depois entrar para o mercado financeiro de Wall Street.  “Minha natureza inquisidora e curiosa evoluíram. Eu acredito que ele me fez passar a ver que ‘tudo é possível’”, Shelley teria dito a um amigo.

Neil Rasmus/Patrick McMullan/Getty Images

No momento, Shelley tem uma editora de livros infantis, batizada com o nome de seu primeiro livro, “Chocolate Sauce” (Molho de Chocolate) e tem um centro de meditação em Nova York, onde diz que “A arte da reconexão honra a prática de reduzir a velocidade em Nova York, a convidamos para se ligar internamente”, diz.

Sacred Espace NY/Reprodução

Mesmo sem ter sido apontada pelas sobreviventes como participante da rede de exploração, Shelley pode ser chamada como testemunha. “A Sta. Lewis pode ter informações que tenham valor e que possam auxiliar às vítimas que buscam indenização das propriedades de Epstein”, diz a promotoria. “Pedimos que ela conte ao FBI o que sabe”, diz.

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