Morador de rua encontra filha após post de jovem viralizar

Em relato comovente, ela conta detalhes de uma longa conversa que tiveram. Encontro aconteceu enquanto o homem buscava algo nas ruas para comer

Não foi a primeira vez que a jovem Milena Ginçalves Francisco, de 19 anos, parou para escutar a história de um morador de rua. Mas foi a primeira vez que viu o seu relato, em uma tentativa de chamar atenção para algo muito importante, ganhar tamanha repercussão. Ela viu, também, sua atitude mudar o destino de uma família.

Milena encontrou o morador de rua Cícero Joel da Silva Filho, próximo a uma lanchonete, em Sorocaba (SP), enquanto comprava seu jantar com os amigos. Do outro lado, Cícero buscava desesperadamente algo para comer. Estava “apanhando restos na rua”, nas palavras de Milena. Com seu lanche na mão, a jovem não pensou duas vezes e voltou para comprar algo para ele.

A boa ação rendeu um encontro de mais de duas horas, em que Cícero relatou, com detalhes, parte de sua história. Entre os tristes fatos, um deles chamou sua atenção: ele estava ali na rua, sozinho, desde 2014, mas tem dois filhos. Um menino e uma menina.

Foi então que Milena relatou o encontro em suas redes sociais e, com o depoimento, conseguiu alcançar a filha de Cícero. Em entrevista ao G1, ela disse que um amigo conseguiu o contato dos filhos do morador de rua e pediu para que o levassem a uma clínica de recuperação. “Eu adicionei a filha dele e ela viu o post”, contou.

Veja na íntegra o relato da jovem, que viralizou na internet com mais de 12 mil curtidas e 16 mil compartilhamentos:

“Vamos falar sobre esse homem, ele se chama Cícero Joel da Silva Filho.
Ontem junto com dois amigos, estávamos chegando no Mc Donalds, aqui em Sorocaba – SP (unidade do Campolim), quando me deparei com um senhor apanhando alguns restos de alimento, na rua… minha primeira reação, foi o susto. A segunda, foi imediatamente querer comprar um lanche para ele. Tinha certeza que ele estava com fome. Fomos até ele para procurar saber um pouco mais, resumidamente, ele disse que se chamava Cícero, que tinha 47 anos e que era de Pernambuco. Ok, já tinha algumas informações… perguntei se estava com fome, ele disse que sim (óbvio!), então eu junto com meus amigos, fomos até o restaurante onde compramos 1 combo + 1 lanche. Não consegui comer antes de entregar o lanche que havia prometido a ele. Voltamos até o lugar onde ele estava… lá estava ele, paradinho, esperando. O olho dele brilhou de felicidade, disse que gostava muito daquilo, mas que já fazia muitos anos que não comia.
De imediato, a primeira reação dele foi: “NOSSA! Que delícia! Vou levar um para o meu amigo!” Fiquei observando… e pensei “meu Deus! Alguém que não tem nada, mora na rua, ainda sim, pensou no amigo que também vive na mesma situação. E nós muitas vezes com muito mais do que precisamos, não dividimos.”
Ok… papo vai, papo vem. Ele me contou que ele estava na rua, por conta de um amor que não deu certo. Havia se casado aos 16, morava no interior de Pernambuco, nunca estudou na vida, não sabe ler, nem escrever. Se separou em 2001 e está na rua desde 2014, lutando para sobreviver.
Nessa conversa, descobri que ele tem 2 filhos. Uma menina e um menino, seus nomes são Renata Cordeiro da Silva e Renato Cordeiro da Silva. A filha mora em São Bernardo do Campo – SP e o filho em Santo André – SP.
Perguntei a ele por diversas vezes se ele gostaria que fosse gravado um vídeo no qual ele pudesse passar um recado, senti que ele estava envergonhado… não insisti mais, pois ele pediu para que deixássemos para uma próxima vez.
Ele me disse também, que fica no semáforo com uma plaquinha, das 11h às 14h, para juntar 12,00 e comprar uma marmitex para o almoço. Aquilo me doeu o coração… fora que, ele disse que quando não consegue almoçar, come alguns alimentos que encontra por ai.
Depois de muitas horas de conversa, eu percebi que ali, a única pessoa que foi ajudada, foi eu mesma. Até mesmo a refletir na vida que tenho, que às vezes somos ingratos e insatisfeitos, mas que moramos no CÉU! Temos comida, uma cama para dormir, um teto para morar, chuveiro para tomar banho quantas vezes quisermos… e o seu Cícero disse que, essa vida ele não deseja nem para o pior inimigo.
Às vezes, por preconceito ou proteção, não notamos o quanto essas pessoas precisam! O quanto uma ajuda muda realmente o dia daquela pessoa… são pessoas ocultadas pela sociedade, mas que não deixam de ser SERES HUMANOS como nós!
Por favor, quem puder me ajudar compartilhando, eu serei eternamente grata. Talvez, seja uma forma de encontrar seus filhos que estão tão perto daqui… estou arrecadando também roupas e coisas como cobertor, travesseiro, alimentos… qualquer tipo de ajuda será muito bem-vinda!
Ele me disse o lugar onde dorme e permitiu as postagens. E caso mais alguém se interesse em ajudar, podemos ir até ele!
Obrigada a todos e Deus abençoe!

Ps: esse é apenas um resumo de uma conversa que durou aproximadamente 2h30″.