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Assassinatos de Marielle e Anderson completam mil dias sem solução

Os suspeitos da execução da vereadora e do motorista já foram presos, mas ainda não há conhecimento sobre o mandante; veja o que mudou de lá para cá

Por Da Redação 8 dez 2020, 17h06

Mil dias após os assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes e ainda não há conhecimento sobre quem mandou matar a vereadora, naquele 14 de março de 2018. Veja o que mudou de lá para cá:

Dois dias antes de o caso completar um ano, duas pessoas acusadas de terem executado o crime foram presas: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz. Houve duas trocas de delegados responsáveis pela apuração do caso, uma em março de 2019 e outra em setembro deste ano.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), chegou a ser citado em outubro do ano passado em um depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, que disse à polícia que foi o Chefe de Estado quem liberou a entrada de Élcio no dia do crime. No entanto, o Ministério Público apurou que essa versão era falsa e o presidente estava em Brasília na ocasião.

A batalha judicial entre o Google e o Ministério Público do Rio travou uma das frentes de investigação. A promotoria pediu, em agosto de 2018, que a empresa compartilhasse os dados de geolocalização de todos os usuários que, em um determinado intervalo, passaram pelo local onde o carro utilizado pelos supostos assassinos, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foi visto pela última vez, em dezembro de 2018.

No entanto, o Google se negou a fornecer as informações, alegando que o compartilhamento de grande volumes de dados representa grave ameaça à privacidade dos usuários. Porém, a empresa foi derrotada em recursos apresentados no Tribunal de Justiça do Rio e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso ainda será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nova revelação

Enquanto isso, algumas novas informações estão sendo reveladas pela imprensa. Reportagem da VEJA revelou que dois milicianos que atuavam como braço financeiro do Escritório do Crime grupo fundado pelo ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia em fevereiro se filiaram ao PSOL (Partido Solidariedade), do qual Marielle fazia parte.

De acordo com a reportagem, a filiação do casal Erileide Barbosa da Rocha e Laerte Silva de Lima aconteceu logo após as eleições municipais de 2016, ano em que a vereadora foi eleita com mais de 46 mil votos. A principal tese que vigora dentro das investigações é que a motivação teria sido uma vingança contra o partido, mas, principalmente, contra o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), amigo pessoal e correligionário da parlamentar. Quando era deputado estadual, Freixo comandou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das milícias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o que o levou a sofrer uma série de ameaças de morte.

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Dois milicianos se filiaram ao PSOL, de acordo com reportagem
Filiações ao PSOL TSE/VEJA/Reprodução

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a adesão dos dois milicianos ao PSOL ocorreu na mesma data, 19 de novembro de 2016. Os investigadores verificam se a entrada do consórcio criminoso nos quadros do partido ocorreu com fins de infiltração para avaliar a dinâmica da sigla e monitoramento de agendas, congressos e eventos da legenda de Marielle.

É importante ressaltar, entretanto, que a filiação dos dois milicianos não significa que o PSOL tenha algum tipo de envolvimento com o crime e nem descontrole de filiados, já que qualquer cidadão pode se filiar a qualquer partido.

O legado de Marielle

Apesar das incertezas sobre os assassinatos de Marielle e Anderson e da constante cobrança da mídia, militantes e políticos pela resolução do crime, é importante lembrar, nesta data tão emblemática, o impacto do trabalho de Marielle enquanto vereadora.

Nos 14 meses em que integrou a Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Psol, Marielle apresentou, sozinha ou com outros parlamentares, 16 projetos de lei (PL) e um de lei complementar. Oito deles foram aprovados, mas apenas um antes de sua morte.

A comoção popular desencadeada após o assassinato foi um dos motores para que os projetos restantes fossem votados rapidamente. Mas o ato simbólico de aprovar suas ideias não teve tantos resultados na prática. Agora, quem tenta mudar essa trajetória são algumas das antigas parceiras de batalha da vereadora nos bastidores do jogo político.

Em março, mês que completou dois anos dos assassinatos, CLAUDIA contou a história de mulheres que lutam pelo legado de Marielle dois anos após sua morte, reportagem que pode ser lida aqui.

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