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Arthur Nory admite atitude racista contra colega de ginástica após 5 anos

Em 2015, Nory e colegas de ginástica publicaram um vídeo proferindo ofensas racistas ao colega Ângelo Assumpção, único negro da equipe

Por Da Redação Atualizado em 16 set 2020, 13h39 - Publicado em 1 set 2020, 13h32

O ginasta Arthur Nory usou as redes sociais, nesta terça-feira (1º), para se desculpar por ofensas racistas contra o colega Ângelo Assumpção, o único negro na equipe de ginástica, em 2015. No Instagram, Nory afirmou que “já passou da hora” de pedir desculpas pelas atitudes do passado.

Há cinco anos, Nory publicou em seu perfil do Snapchat um vídeo com colegas da equipe, incluindo Ângelo, em que proferiu diversas expressões racistas. Na publicação, o ginasta pergunta: “Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca… quando ele estraga é de que cor?”, ao que os colegas respondem “Preto!”. “O saquinho do supermercado é branco… e o do lixo? É preto!”, continuaram.

No vídeo de desculpas publicado por Nory, o ginasta afirma que o grupo “passou dos limites” e admite o tom preconceituoso das falas, afirmando que passou da hora de se desculpar efetivamente. Na legenda, ele diz que a atitude do grupo foi “uma imbecilidade” e que a rotina de equipe “coloca a gente numa bolha”.

Ginasta Ângelo Assumpção durante treinamento de pódio. Foto: Instagram/Reprodução

“Expus um amigo, uma amizade de 15 anos, numa total falta de noção. Os anos passaram e a falta de entendimento junto da ideia do ‘é melhor ficar calado’ andaram um tempo comigo”, escreveu, justificando o silêncio de cinco anos referente ao assunto. “Às vezes, a gente demora pra fazer muita coisa na vida. Tô aqui porque já passou da hora de me expor pelas minhas próprias palavras, que não são as melhores, mas são as que eu to construindo. Ou melhor, desconstruindo”, continua. “Enquanto a gente tiver medo de assumir a ignorância, qualquer um de nós pode estar machucando alguém, mesmo sem perceber.”

No vídeo, ele retoma a justificativa de que vivia em uma “bolha” e que, depois de uma reflexão, ele foi procurar entender seus erros. “Eu tinha duas opções: ou continuar cometendo [as atitudes racistas], continuar com ‘não, é só uma brincadeira’, que hoje eu entendo que não é uma brincadeira; ou mudar, ir buscar aprender com aquilo. E foi isso, 5 anos e 5 anos guardados comigo mesmo e indo buscar esse meu erro. E isso não pode se repetir”, declara.

Assista o vídeo completo abaixo:

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Há 5 anos, eu trazia à tona através de uma rede social uma imbecilidade, achando que era uma simples brincadeira engraçada. A rotina de anos, coloca a gente numa bolha. Numa maldita bolha. A gente acaba sendo “educado” a coisas sem perceber. Expus um amigo, uma amizade de 15 anos numa total falta de noção. Os anos passaram, e a falta de entendimento junto a ideia do “é melhor ficar calado”, andaram um tempo comigo. As vezes a gente demora pra fazer muita coisa na vida. Tô aqui porque já passou da hora de me expor pelas minhas próprias palavras, que não são as melhores, mas são as que eu to construindo. Ou melhor, desconstruindo. Um ato de preconceito só precisa de uma oportunidade pra acontecer. Enquanto a gente tiver medo de assumir a ignorância, qualquer um de nós pode estar machucando alguém, mesmo sem perceber. Passo a passo, eu quero ser um cara melhor.

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