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Afinal, quem é Greta Thunberg e por que o mundo não para de falar dela?

Aos 16 anos, a adolescente se tornou uma das pessoas mais conhecidas no planeta e conquistou o título de Personalidade do Ano pela revista Time

Por Colaborou: Gabriela Maraccini - Atualizado em 17 fev 2020, 11h02 - Publicado em 12 dez 2019, 16h44

Se você está antenado aos noticiários neste ano, com certeza já ouviu falar no nome de Greta Thunberg ou já viu seu rosto nas redes sociais. A adolescente sueca de 16 anos ficou mundialmente conhecida por seu ativismo ambiental e foi considerada a Personalidade do Ano pela revista Time um dia depois de ter sido chamada de “pirralha” pelo presidente Jair Bolsonaro.

Mas por que essa garota tornou-se uma figura pública?

Tudo começou em agosto de 2018. Mais precisamente em uma sexta-feira. Ainda com 15 anos, Greta decidiu faltar à aula para protestar contra as recentes ondas de calor e os incêndios que afetaram a Suécia. Ela foi ao Parlamento do país e sentou-se em frente ao prédio com um cartaz que dizia: “Em greve escolar pelo clima”.

Foi dessa forma, sozinha, que ela iniciou uma onda de mobilizações a cada sexta-feira, junto com outros milhões de jovens do mundo inteiro que se inspiraram nela, para que políticos e autoridades cumprissem as metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O movimento ficou conhecido como “Fridays for Future” (sexta-feiras pelo futuro, em tradução livre).

Desde então, Greta chama a atenção dos noticiários mundiais. A jovem já discursou em locais como o TED e a COP25 (Conferência das Nações Unidas pelas Mudanças Climáticas) para alertar sobre os problemas ambientais. Mas seu mais famoso discurso foi na Cúpula do Clima na sede das Nações Unidas, em setembro deste ano. Nele, a garota responsabilizou os adultos por não tomarem medidas efetivas para proteger o meio ambiente.

“Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse Thunberg na ocasião. “Isso está errado, eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na escola, do outro lado do oceano.”

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“Right here, right now is where we draw the line. The world is waking up. And change is coming, whether you like it or not.” My full speech in United Nations General Assembly. #howdareyou Swipe for full video->

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Ela também foi responsável por mobilizar milhões de pessoas no mundo inteiro para a Greve Global pelo Clima, no dia 20 de setembro deste ano. Naquele dia, manifestantes de 150 países se juntaram para protestar contra o aquecimento global e exigir medidas concretas contra as emissões de gás carbônico.

Manifestantes em ato pelo clima, em Cape Town, na África do Sul
Manifestantes em ato pelo clima, em Cape Town, na África do Sul Brenton Geach/Gallo Images/Getty Images

Mas quem, afinal, é Greta? Quem é a garota por trás das manifestações pelo clima que estão tomando conta do planeta? Quem é a “pirralha” que se tornou, passando na frente de vários concorrentes adultos e experientes, a Personalidade do Ano?

Família artística

Greta Thunberg nasceu no dia 3 de janeiro de 2003, em Estocolmo, Suécia. É filha da cantora Malena Ernman, uma das principais vozes da ópera e da música pop no país, e do ator Svante Thunberg.

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Seus avós paternos também têm ligação com o meio artístico. Seu avô, Olof Thunberg, é ator e diretor, e sua avó, Mona Andersson, é atriz.

Malena, inclusive, representou a Suécia no Festival Eurovisão da Canção, em 2009, ficando em 21º lugar.

Primeiros contatos com a causa ambiental

O primeiro contato de Greta com a pauta da mudança climática foi na escola, quando ela tinha oito anos. A garota contou, ao G1, que ficou sensibilizada com um filme sobre plástico nos oceanos e ursos afetados pelo aquecimento global.

“Meus colegas ficaram preocupados, mas quando o filme terminou, foram pensar em outras coisas. Eu não consegui. As imagens ficaram na minha cabeça”, afirma.

Síndrome de Asperger

Nessa época, Greta parou de comer e entrou em um período de depressão. Quem conta essa história é sua mãe, no livro “Nossa casa está em chamas – ninguém é pequeno demais para fazer a diferença” (Editora Record). O transtorno alimentar a fez perder dez quilos em dois meses e ela precisou receber acompanhamento psicológico.

A psicóloga da escola onde estudava foi a responsável por fazer a investigação sobre Greta e dar o diagnóstico que confirmava que a jovem sofre de Síndrome de Asperger, um dos transtornos do espectro do autismo, e também de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

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No livro, Malena cita um discurso em que Greta se abre sobre sua condição. “Tem gente que caçoa de mim por causa do meu diagnóstico. Mas Asperger não é uma doença, é um dom”, reflete.

Instagram/Reprodução

“Tem também os que dizem que, como tenho Asperger, eu não poderia ter me colocado nessa posição. Mas é exatamente por isso que me coloquei nessa posição. Porque, se eu fosse ‘normal’ e social, eu teria me afiliado a uma organização ou começado uma sozinha. Como não sou tão boa em socializar, fiz isso. Eu estava muito frustrada porque nada estava sendo feito em relação à crise climática e senti que tinha que fazer alguma coisa, qualquer coisa. E às vezes não fazer nada — como ficar sentada do lado de fora do Parlamento — tem muito mais impacto do que fazer coisas. Assim como um sussurro às vezes faz mais barulho do que um grito”, continua.

Ainda no livro, a mãe da ativista relata um caso em que a filha se revoltou ao ouvir o primeiro-ministro sueco falar na TV que o problema do meio ambiente era de todos.

“Ele está mentindo! Ele disse que o problema são os humanos, mas não é verdade. Nem todo mundo é culpado. São poucas pessoas e, para salvar o planeta, devemos lutar contra eles, as empresas deles e o dinheiro deles, e fazer com que eles assumam a culpa”, disse Greta.

Personalidade do Ano

No período de um ano, Greta se tornou uma pessoa mundialmente conhecida, admirada por uns e odiada por outros. Mas é inegável que sua luta pelo meio ambiente lhe rendeu grande reconhecimento. É extensa a lista de prêmios que a jovem ganhou nesse período até se tornar, por fim, a Personalidade de 2019 por uma das mais importantes revistas do mundo.

Em 2018, ela foi uma das vencedoras do artigo de debate do Svenska Dagbladet, em maio daquele ano. Em dezembro, a revista Time a nomeou uma dos 25 adolescentes mais influentes do mundo.

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Já em 2019, a lista se expandiu enormemente. Entre todas as honrarias, as que mais se destacaram foram sua indicação ao Prêmio Nobel da Paz – apesar de não ter ganhado. Também recebeu os seguintes títulos: Prêmio Embaixadador de Consciência, pela Amnesty International; Game Changer Award, da GQ; e o Prêmio Internacional da Criança de 2019, pela KidsRights Foundation.

A Time já dava indícios, ao longo do ano, de que Greta seria a Personalidade de 2019. Antes de receber este título, a adolescente já tinha sido nomeada uma das “100 pessoas mais influentes do ano”, em abril, “Modelo a ser seguido” e uma das “Líderes da Próxima Geração”, ambos em maio.

Ao ser reconhecida como Personalidade do Ano – e foi a mais jovem a conseguir o feito –, a Time afirmou: “Ela conseguiu criar uma mudança de atitude global, transformando milhões de vagas ansiedades em um movimento mundial que pedia mudanças urgentes. Ela ofereceu um apelo moral para aqueles que estão dispostos a agir e lançou vergonha para aqueles que não estão”.

Sobre o impacto de seu ativismo, a revista disse ainda: “Ela concentrou a atenção do mundo nas injustiças ambientais que jovens ativistas indígenas protestam há anos. Por causa dela, centenas de milhares de adolescentes ‘Gretas’, do Líbano à Libéria, deixaram a escola para liderar seus colegas nas greves climáticas em todo o mundo.”

“Uau, isso é inacreditável! Eu compartilho essa grande honra com todos do movimento #FridaysForFuture e ativistas pelo clima em todos os lugares”, agradeceu Greta em seu Twitter.

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