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Conheça os benefícios de começar a praticar ballet na vida adulta

Nunca é tarde demais para começar! A prática do ballet em adultos pode trazer benefícios para o corpo e para a mente. Além de ser muito divertido

Por Adriana Marruffo
3 Maio 2024, 15h40

A prática da dança, como o ballet clássico, é comumente associada à infância: das sapatilhas brilhantes aos tutus, parece que as aulas são sempre destinadas a grupos infantis. Mas, o que acontece com quem sempre sonhou em praticar ballet mas não teve a chance? Cada vez mais vemos adultos apostando na dança pela primeira vez, perdendo a vergonha e aprendendo tudo que, usualmente, é restrito às crianças e se adentrando no mundo da dança com orgulho. E a prática vai além de um sonho concretizado, afinal, o ballet adulto pode trazer diversos benefícios.

“O início da prática de ballet na vida adulta pode trazer diversos benefícios para a vida cotidiana, tais como melhoria da postura por meio da melhora da percepção corporal, coordenação motora, flexibilidade, força muscular e condicionamento físico geral”, explica a fisioterapeuta do Kurotel, Jaqueline Correa. Desvendamos os principais benefícios de praticar ballet na vida adulta, veja: 

Os benefícios físicos do ballet adulto

benefícios fisicos do ballet adulto
O ballet na vida adulta pode trazer diversos benefícios ao corpo, como melhora na flexibilidade (cottonbro studio/Pexels)

Uma coisa é certa: todo adulto deve participar de atividades físicas. Então, por que não apostar na dança clássica? Um estudo publicado pela revista científica Jama revelou que pessoas que começam a se exercitar na meia idade possuem um risco de mortalidade reduzido nos mesmos níveis que pessoas que se exercitam desde a adolescência, e a dança é uma ótima oportunidade de colocar o corpo no lugar certo, estimulando a saúde e, inclusive, trazendo uma série de benefícios físicos aos praticantes. 

“Entre os principais benefícios de começar o treino de ballet clássico na vida adulta, podemos citar a melhora do alongamento e da flexibilidade, além de uma estimulação da coordenação motora e o fortalecimento muscular”, explica Glaucia Coelho, professora do corpo de baile e do ballet adulto avançado do estúdio de dança Cisne Negro e diplomada pela escola municipal de bailados pela Royal Academy of Dance. Devido aos exercícios praticados nas aulas, é uma ótima oportunidade para praticar o equilíbrio e a estabilidade, que é cada vez mais essencial com o passar dos anos.

Além destes, a fisioterapeuta também cita uma melhoria da flexibilidade.

Os benefícios psicológicos do ballet adulto

“Toda e qualquer atividade física vai beneficiar o emocional, liberando hormônios importantes para o humor e bem-estar, como serotonina, dopamina e endorfina, que geram prazer, motivação e relaxamento. Mas o ballet, por ser uma atividade artística, também promove a auto imagem e a produtividade – aquele ‘sou capaz’ – além da concentração, foco, atenção e memória, todos quesitos que auxiliam no reforço positivo da autoestima”, explica o psicólogo Michael Zanchet sobre os benefícios emocionais que a dança pode trazer.

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Não apenas isso, a prática do ballet tem benefícios cognitivos. É isso o que diz um estudo realizado pelo Instituto Nacional sobre Envelhecimento que, após uma análise de 21 anos, conclui que pessoas que dançam algumas vezes por semana têm um risco 76% menor de sofrer com demência, devido à necessidade constante de relembrar sequências. 

“A prática também tem influência na melhoria de distúrbios como a ansiedade e a depressão – devido à liberação de hormônios – e fortalece a socialização. Mas, acima de tudo, faz bem para a alma” , pontua a professora de ballet. Mas, por que a dança estimula a socialização? Devemos lembrar que muitos adultos, com o passar do tempo, vão perdendo antigas amizades e seu círculo de convivência fica cada vez mais restrito, vendo apenas os familiares. Quando estimulados a fazerem as aulas, são inseridos em um novo ambiente com novas pessoas que, assim como elas, estão em busca de uma experiência nova. 

Como começar a dança na vida adulta?

Apesar de apresentar diversos benefícios, sabemos que sempre há um receio: como começar a dançar na vida adulta? Antes de tudo, é importante estar ciente dos possíveis desafios – até porque dança não é uma atividade fácil! 

“Os adultos podem enfrentar desafios com coordenação, flexibilidade, força e resistência, independente da idade. No entanto, para os adultos com mais de 40 anos, esses desafios podem se intensificar devido à diminuição natural da flexibilidade e da força muscular, bem como a maior susceptibilidade a lesões devido ao corpo estar menos adaptado aos movimentos exigidos”, explica o profissional de educação física Luciano Sanseverino. Além disso, regiões como pés, joelhos, quadris e coluna vertebral demandam um olhar mais atento. 

Mas não somente isso. Glaucia também pontua os desafios de subir ao palco e enfrentar a plateia, mas exalta que o maior desafio, especialmente em mulheres 40+, é se sentirem bonitas e capazes. Mas calma, isso não significa que você não pode começar na dança, muito pelo contrário, é apenas necessário ter alguns cuidados. “Antes de começar as aulas de ballet clássico, é recomendado focar em exercícios que aumentem a flexibilidade e fortaleçam os principais músculos exigidos nesta modalidade, como pernas, músculos do core e costas”, explica Jaqueline. 

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como começar ballet na vida adulta
Fazer ballet também é para os adultos, mas existem alguns cuidados especiais (Gabriel Margato/Arquivo pessoal)

Entre as práticas que podem te preparar estão o pilates, ioga e musculação. Além disso, é interessante trabalhar a resistência cardiovascular para suportar a exigência física das aulas. Mas, um dos principais medos continuam sendo as possíveis lesões: “É importante seguir algumas medidas de precaução, como a realização de um aquecimento adequado antes da prática para preparar os músculos e articulações, além de fortalecer os músculos principais e alongar regularmente para melhorar a flexibilidade e reduzir a tensão muscular”, coloca a fisioterapeuta. Acima de tudo, saiba ouvir o corpo e respeitar os limites individuais. 

O profissional de educação física ainda pontua a necessidade de fazer uma avaliação médica prévia em casos de praticantes 40+ ou, também, se houver um histórico de sedentarismo: “O acompanhamento fisioterapêutico dependerá do histórico de lesões e dores prévias ou surgidas durante as aulas”. 

“Os jovens têm maior facilidade nos exercícios, já os masters o fazem, porém têm limitações. E isso é normal!”, coloca Glaucia. 

Cuidados essenciais na vida adulta

Assim como em qualquer outra atividade física, é importante ficar atento a alguns cuidados essenciais, especialmente na dieta (e não, não estamos falando de emagrecer). É importante um consumo energético adequado em relação aos macronutrientes –  os carboidratos, proteínas e gorduras – e micronutrientes – as vitaminas e minerais – garantindo uma quantidade suficiente para suprir suas necessidades de manutenção e reparo de tecidos para o desempenho”, explica a nutricionista Mariellen Figueroa.

A nutricionista ainda pontua que o cérebro dos bailarinos necessita de glicose, um importante substrato energético para o cérebro e o sistema nervoso central, que é necessário para a memorização. 

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“Para encontrar um equilíbrio saudável entre desafiar-se e respeitar seus limites físicos ao praticar balé na vida adulta, é importante realizar os movimentos e exercícios com muita atenção e percepção corporal, além de prestar atenção aos sinais que seu corpo está enviando”, acrescenta a fisioterapeuta. Ademais, se sentir dor ou desconforto além do normal, pare e avalie se está se esforçando demais. 

O crescimento do ballet na vida adulta

Não é surpresa que, em meio a discursos de etarismo, a prática da dança na vida adulta seja frequentemente julgada, seja pela ideia de que já estamos velhas demais para aprender ou pelos supostos perigos de começar a prática. Mas, em oposição, diversos adultos estão apostando em dar uma chance para a atividade pela primeira vez na vida adulta. Prova disso é que, em 2017, a Royal Academy of Dance — uma das maiores entidades de ensino de dança clássica — criou o programa Silver Swan (em tradução livre, cisne prateado), que se propõe a ensinar dança para pessoas de 55 anos ou mais. 

E por que estamos vivendo essa onda de adultos na dança? Cada vez mais os discursos de fragilidade, seja na terceira idade ou na vida adulta, vem sendo rejeitados e, agora, dão voz à vida que ainda há na etapa adulta. Exemplos disso são bailarinas que, apesar da idade, continuam a estabelecer uma carreira no ramo, como é o caso da Ana Botafogo que, aos 66 anos de idade, é primeira bailarina do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 

Mas, claro, nem todas as bailarinas adultas treinaram a vida toda como no caso da primeira bailarina do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dando início à prática apenas na vida adulta. Existem mulheres que se aventuram na dança apenas na vida adulta, como Lu Fernandez (@balletaos60) que, aos 60 anos, fez sua primeira aula de dança na vida e, agora, incentiva mais mulheres a se aventurarem na arte da dança. 

crescimento do ballet na vida adulta
Lu Fernandez começou o ballet aos 60 anos e busca inspirar mais pessoas a entrarem na dança (Gabriel Margato/Arquivo pessoal)

“Eu comecei a fazer ballet quando eu completei 60 anos. Resolvi que eu tinha que fazer coisas que eu ainda não tinha feito e que eu tinha vontade , e uma dessas coisas foi o ballet. Não tive a oportunidade de fazer na infância e, na vida adulta, eu tinha a vontade mas me faltava a coragem”, conta a bailarina, hoje com 62 anos. Antes dos 60, o medo de sofrer preconceito no mundo da dança e não ser aceita a impedia de cumprir o seu sonho. 

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“A minha primeira aula foi uma aula particular, e eu não somente me senti muito bem mas fui muito acolhida por ela. A partir disso, eu comecei a fazer mais e mais aulas, e não parei até agora. Isso me faz um bem extraordinário, não só para a cabeça, mas para o emocional e o psicológico, conta Lu. 

“A motivação vem com a ação; a cada repetição da atividade proposta, deve perceber os benefícios positivos dela, criando memórias positivas para que meu cérebro entenda que aquele comportamento é benéfico e se torne um hábito, algo que não questiono mais fazer”, coloca o psicólogo sobre a motivação.

Mas, nem tudo é cor de rosa no ballet, pois Lu sofreu alguns desafios quando resolveu se aventurar na dança clássica, desde não ter o corpo biotipo de bailarina até a execução dos passos. 

“Os desafios são permanentes. Como o fato de eu não ter o corpo de bailarina – eu estava acima do peso e não tenho flexibilidade. Na realidade, eu digo que eu não tenho talento nenhum, eu tenho vontade e gosto. Os desafios são enormes, como conseguir decorar os passos, a execução e as coreografias”, coloca. Entre os benefícios, porém, ela relembra que antes ela não podia se abaixar para olhar os preços dos produtos no supermercado, mas hoje consegue se abaixar sem apoio: “Isso, para mim, é uma vitória imensa”. 

E sua motivação? “Uma das coisas que me motiva a continuar dançando é o fato de eu motivar outras pessoas, isso através do projeto do ‘Aulão do bem’, que eu criei há um ano, com o objetivo de incentivar as pessoas, assim como eu, de entrar numa sala de aula”, pontua. Mas, ela não encerrou por aí, e compartilhou com a Claudia que sua maior motivação são os depoimentos de suas seguidoras. Entre eles, uma de suas seguidoras revelou estar em sua segunda aula de dança, aos 61 anos, e se desafiando a dançar com adultos já dançarinos. Hoje, as oportunidades de Lu continuam crescendo, já tendo tido aula com o ícone da dança, Ana Botafogo.

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