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Stéphanie Habrich

Stéphanie Habrich é CEO da editora Magia de Ler, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, o maior jornal para adolescentes e crianças do Brasil e do TINO Econômico, o único periódico sobre economia e finanças voltado ao público jovem, ela aborda na coluna temas conectados ao empreendedorismo, reflexões sobre inteligência emocional, e assuntos que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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A saúde mental no trabalho durante o retorno ao presencial

Stéphanie Habrich conta como aborda a questão do bem-estar na sua empresa e faz reflexões sobre maneiras de trazer leveza à rotina profissional

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 ago 2022, 10h59

Desde que fundei o jornal Joca, em 2011, sempre tive em mente que queria criar uma empresa horizontal, para que quem trabalhasse por lá pudesse se sentir engajado e feliz no dia a dia do negócio. Naturalmente, ao longo dos anos, tudo foi mudando, e o que começou como um projeto no escritório da minha casa – em uma época em que toda a empresa almoçava em conjunto na minha sala de estar enquanto acompanhava o crescimento dos meus filhos –, hoje é uma editora com aproximadamente trinta funcionários. E, conforme o negócio cresce, mais me preocupo em saber como todos se sentem aqui dentro, já que fica cada vez mais difícil acompanhar de perto cada um deles, especialmente após enfrentarmos quase dois anos de isolamento social.

Antes da pandemia, era mais simples manter uma relação próxima com cada parte da empresa. Pude acompanhá-los de perto – tanto profissionalmente como pessoalmente – em almoços mensais com cada área do jornal, dinâmicas fora do escritório que permitiam que as pessoas da empresa tivessem um convívio para além do quesito profissional e reuniões mensais em que todos eram convidados a compartilhar experiências e pensamentos (que renderam discussões riquíssimas, desde trocas sobre livros que estavam lendo até viagens que tinham feito recentemente). 

É claro que sei que cada empresa tem sua realidade e que em um negócio de grande porte fica bem mais difícil manter uma relação de proximidade com cada funcionário (se não impossível). Mas realmente acredito que é essencial que todo mundo se sinta cuidado, em prol da saúde mental, dentro do ambiente profissional. Dessa forma, mesmo que as pessoas que comandam a companhia não possam fazê-lo, por que não incentivar os responsáveis de cada área a se preocupar com os seus funcionários?  

Com o isolamento social, assumi como desafio manter essa relação de proximidade mesmo durante o período em casa. Tivemos happy hours remotos em que enviei os ingredientes para todos fazermos, simultaneamente, uma receita do meu país – a França. Também aconteceram dinâmicas em grupo, como um escape room virtual, e não deixamos de fazer o nosso tradicional amigo secreto de fim de ano – mesmo que as risadas ficassem mais distantes por estarem separadas por telas. 

Hoje, neste período de retorno gradual à vida normal, tento cada vez mais retomar a proximidade que tínhamos há cerca de dois anos. Porque, na minha opinião, amar o que faz e se sentir confortável no ambiente de trabalho é essencial para ter uma boa experiência profissional e colaborar com a saúde mental de cada um aqui dentro. 

Ouvindo cada parte do mecanismo da empresa

Por isso, e observando o crescimento do jornal nos últimos tempos, decidi criar uma pesquisa de clima organizacional. A ideia era que os funcionários da editora respondessem, anonimamente, a algumas perguntas sobre melhorias que gostariam de ver na empresa, seus futuros profissionais, ambições e como se sentem trabalhando aqui. 

Fiquei extremamente feliz ao ver que 96% das pessoas que responderam sentem que estão alinhadas com os valores da empresa e que todos se identificam com o propósito do jornal. Isso porque, sempre que vou contratar alguém, prezo por escolher pessoas que sinto serem apaixonadas pelo o que fazem. Sempre falo para meus funcionários que nada faz com que me sinta mais completa do que vê-los conversando, rindo e interagindo entre si.

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Mas, para além da satisfação, a pesquisa também me trouxe vários pontos de atenção. Algo que me foi confirmado através do questionário é que as pessoas querem mais do que os dois dias semanais de home office que oferecemos. Além disso, melhorias no espaço físico também são importantes para boa parte dos funcionários – e reconheço essa questão, já que nosso escritório foi ficando pequeno demais conforme o jornal ganhava mais funcionários. 

Essas respostas me fizeram pensar. Além das questões práticas que foram apontadas na pesquisa, o que é essencial que uma empresa tenha para que o maior número possível de envolvidos esteja satisfeito?

A saúde mental em pauta

Em uma busca rápida no Google, encontrei dezenas de empresas que oferecem serviços relacionados ao bem-estar no ambiente profissional quando procurei por “saúde mental no trabalho”. Uma certeza que eu tenho é que, quando entrei no mercado de trabalho, se eu encontrasse um só negócio que prestasse esse tipo de serviço já seria excepcional. 

Por isso, perguntei sobre a evolução do tema da saúde mental nas empresas para Silvia Lang Roth, psicóloga com 30 anos de atuação em RH em empresas como Atos Origin, Unilever, Maersk, AvisBudget, Arris Comscope, Listo, S.I.N. e Sats. Ela me confirmou que esse tema teve, sim, uma evolução bastante expressiva nos últimos anos. No entanto, ele ainda não é tão simples de ser retratado, já que envolve a dor e o sofrimento psíquico. “Principalmente com o aumento de afastamentos por causas de saúde mental, as empresas começaram a falar sobre o tema e buscar nova compreensão e formas de ação – não só reação”, explica. 

Ela também explicou que a tendência de se preocupar mais com a saúde mental desde o início da pandemia, que observamos na editora, é algo que está presente nas empresas de forma geral. “Já antes da pandemia, os afastamentos por depressão, síndrome do pânico e outras causas mentais tinham aumentado muito. Durante a pandemia, com novos temas de isolamento, medos e regras novas de interação, o volume de casos explodiu – e o debate também”. 

Afinal, como incentivar o bem-estar no trabalho?

De acordo com Silvia, falar sobre saúde mental ainda é um desafio grande por conta de os transtornos serem doenças não-visíveis – em que os pacientes não têm febre ou manchas no corpo, por exemplo. “O preconceito vem de todas as partes. Dos gestores, dos colegas, dos subordinados… Ainda é forte a percepção de que [doenças mentais] podem ser frescura ou que terapia é coisa de rico”, comenta.

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No entanto, nos últimos anos o tabu sobre a saúde mental tem sido quebrado aos poucos. “Já antes da pandemia começamos a buscar apoio em soluções profissionais, como empresas de escuta ativa e de saúde mental e projetos de saúde física (como ioga, convênios com academias ou health techs). Também há uma busca pela melhoria dos serviços de saúde dos convênios que as empresas oferecem aos colaboradores”, relata.

Com a covid-19, esses esforços se tornaram ainda mais frequentes. “Reforçamos os serviços de teleatendimento não só para os casos de atendimento médico geral como terapêuticos, mas também de acompanhamento e de escuta. Outro recurso que não usei diretamente nas empresas, mas tenho ouvido mais coisas boas, são empresas que fazem serviços sérios de atenção e atendimento psicológico. Agora, depois do auge da pandemia, o serviço está melhor, mais organizado e qualificado”, completa. 

Na minha opinião, ferramentas como atendimento psicológico e psiquiátrico, além de abordar o tema da saúde mental, são partes essenciais do cuidado com os funcionários. Mas é preciso que as empresas não esqueçam que prezar pelo bem-estar é algo que deve estar em todos os âmbitos da experiência profissional, e não em momentos isolados. 

O fato de os funcionários terem um dia a dia mais leve por enxergarem um propósito no próprio trabalho, a meu ver, é essencial para exercer uma rotina profissional saudável. Isso foi algo que o Felipe Sali, editor de conteúdo no Joca, me confirmou recentemente: “Por mais que eu saiba que os alunos usam o Joca em sala de aula, ver isso sendo aplicado pessoalmente, acompanhar a reação das crianças lendo as reportagens e notar todos esses detalhes que só são possíveis no cara a cara faz com que eu tenha a noção mais concreta de como o nosso trabalho está impactando”. Sempre haverá o que aprimorar em uma empresa para garantir a melhor possibilidade de saúde mental a todos. Mas tenho certeza de que trabalhar com algo em que realmente se acredita é peça indispensável nesse processo.

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