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Em Paris, fachada floresta é assinada por escritório franco-brasileiro

Os arquitetos do Triptyque Architecture criaram uma estrutura que abriga plantas medicinais, árvores frutíferas e espécies de médio e grande porte

Por Nádia Simonelli Atualizado em 22 nov 2021, 08h29 - Publicado em 22 nov 2021, 08h30
Triptyque leva o Brasil a Paris com fachada floresta
Michel Denancé/CASA CLAUDIA

Esta fachada não passa despercebida para quem transita pelo Boulevard Pasteur, no bairro de Montparnasse, em Paris. Inaugurado em outubro de 2021, o edifício de uso misto Villa M foi concebido com uma fachada floresta, que tem como objetivo construir um novo pacto entre cidade, natureza e saúde. O projeto tem a assinatura do escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture e no espaço funciona um centro de saúde dinâmico.

A fachada-viva tem seu desenho formado por vigas de estrutura metálica, criadas para abrigar plantas herbáceas medicinais, árvores frutíferas e espécies perenes de médio e grande porte. Pensada como um exoesqueleto, a fachada tem um desenho minimalista e leve, e foi composta a partir do encaixe de estruturas pré-fabricadas, como em um jogo de construção. “O próprio prédio é o suporte desse jardim vertical, que vai crescer ao longo do tempo e ocupar toda a fachada, transformando o edifício em uma floresta vertical e medicinal e tornando-se a arquitetura principal”, explica Guillaume Sibaud, sócio da Triptyque.

Triptyque leva o Brasil a Paris com fachada floresta
Michel Denancé/CASA CLAUDIA

Além de levar natureza à cidade por meio da arquitetura, a fachada-viva contribui com a sustentabilidade ao ajudar na eficiência energética do edifício. Isso porque as plantas fazem com que os interiores fiquem mais frescos, diminuindo o uso de ar-condicionado. “Exploramos todas as superfícies disponíveis para potencializar a vegetação e evitar o desperdício de energia e carbono”, explica Sibaud. A responsabilidade ambiental também está presente na escolha de materiais básicos e orgânicos, propondo uma arquitetura low-tech.

Um aspecto fundamental é que o design do Villa M quer que a arquitetura devolva a natureza à cidade e tem como principal objetivo oferecer aos cidadãos uma nova experiência urbana. “Respirar, tomar sol e conectar-se à natureza são necessidades vitais as quais o estilo de vida urbana não consegue mais garantir”, afirma o sócio da Triptyque Olivier Rafaëlli. E ele completa: “para combater a expansão urbana – anti-ecológica por natureza, a cidade deve proporcionar essa vivência – além de incentivar a correlação dos espaços internos e externos em áreas construídas”.

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Triptyque leva o Brasil a Paris com fachada floresta
Michel Denancé/CASA CLAUDIA

O complexo de uso misto reúne hotel, restaurante, bar, área de conferência, clínica, coworking e showroom de startups de saúde. Com 8 000 m², o programa do prédio tem uma proposta inovadora: ser um espaço direcionado às pessoas que escolheram se dedicar a salvar vidas e ajudar outras pessoas – mas ainda aberto a todos. O objetivo é promover a combinação, o intercâmbio e a colaboração entre diversas especialidades e gerações de profissionais da saúde.

O Villa M reafirma o compromisso da Triptyque com a criação de projetos integradores da natureza ao espaço urbano, 10 anos depois da concepção do Harmonia 57, no Brasil. Localizado na Vila Madalena, em São Paulo, o projeto construído em 2008 impulsionou o escritório nacional e internacionalmente com sua atenção à questão ambiental, ainda mais aprofundada no conceito do edifício em Paris.

Triptyque leva o Brasil a Paris com fachada floresta
Michel Denancé/CASA CLAUDIA

O novo empreendimento é resultado do encontro entre Guillaume Sibaud e Olivier Raffaëlli com o paisagista Pablo Georgieff, do Coloco. Em 2010, o trio prometeu inverter os papéis: a arquitetura servindo à paisagem e não o contrário. A oportunidade surgiu anos depois, quando o Grupo Pasteur Mutualité os convidou para colaborar neste projeto inspirador.

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