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Raquel Virginia cria empresa para mudar o mercado de trabalho

Com time 100% feminino, cantora cria agência para ter um mercado de trabalho com mais abertura para mulheres diversas e assim gerar mudanças

Por Nathalie Silva (colaboradora) Atualizado em 22 out 2021, 12h18 - Publicado em 22 out 2021, 12h16

A paulistana, Raquel Virginia, 28, cantora, mulher trans, ex-integrante do grupo As Baias, está de carreira nova. Ela que já tem no currículo duas indicações no Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa pelas obras musicais Tarântula em 2019 e Enquanto Estamos Distantes em 2020, acaba de abrir uma agência de entretenimento e marketing, a Nhaí.

A nova aposta de Raquel surgiu, após se ver cansada das práticas do mercado de trabalho que vivemos atualmente. “Decidi abrir a minha agência quando passei a discordar de forma veemente de algumas práticas do mercado em relação às nossas vidas e pensei que talvez a melhor maneira de lidar com isso fosse de maneira prática. Ou seja, abrindo meu próprio negócio e propondo algumas linhas de raciocínio que me parecem raras ou inexistentes no mercado”, afirma a CEO da Nhaí. 

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Se não bastasse o desafio de mudar ideias enraizadas no meio corporativo, a mais nova empresária também já enfrentou, de cara, a crise sanitária da Covid-19.  “Não sei como é lidar com uma empresa fora da pandemia. Infelizmente, um mês  após a abertura da empresa, o Brasil fechou por conta do vírus. A minha empresa só teve um dia até agora presencial”, diz. “Os desafios são muito grandes. É necessária muita concentração, ter um certo desejo em resolver problemas e ultrapassar obstáculos. Não estou romantizando, mas é necessário uma dose de romance para lidar com tanta dificuldade. Mas estou focada no futuro, sempre penso a longo prazo, pois o imediatismo nos leva ao desespero. É necessário olhar além do horizonte”, esperança. 

Polímata, ela ainda compartilha um pouco mais de detalhes do novo ramo de atuação. “A gente trabalha com criação. Além disso, hoje ocupamos um prédio presencial na Berrini, em São Paulo. Nossos corpos precisam ser vistos nesses espaços. Faz parte da construção da empresa. No nosso caso, o presencial se faz importante pela construção de imagem que a empresa propõe”, explica Raquel que tem um time 100% feminino. 

Porque Nhaí?

O nome da empresa não foi um pensamento solto. Raquel com o desejo de que seu trabalho traga mais representatividade e diversidade chamou sua empresa de Nhaí que é uma gíria LGBTQIA + para “E ai!”. “ O nome é uma provocação ao mercado. Como quem diz: ’E aí , vamos mudar ?’”, conta. 

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Empresária e cantora

Recentemente Raquel lançou um novo single com a MC Dellacroix chamado Las Muchachas de Copacabana. Com duas carreiras ativas, ela diz que uma complementa a outra em sua vida. “Uma coisa retroalimenta a outra na minha cabeça. Não são coisas paralelas, são coisas juntas, tudo misturado mesmo. E eu gosto”, declara. 

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Mas,  até chegar à multiprofissional de hoje, Virgínia passou por muitos desafios e encoraja quem tem medos, inseguranças, a seguir em frente com seus sonhos e ao menos tentar. “Minha trajetória até aqui é de muita batalha. Não há grandes eventos, na vida real, existem processos. Muitos deles são longos e trabalhosos. Para quem tem sonho eu digo: ‘Mergulhe nele e não deixe de voltar sempre para superfície, verticalize, mas nunca deixe de mirar o horizonte. Afinal, além do horizonte sempre vai existir um lugar’”, diz.

 

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