Mulheres lutam por mais espaço no agronegócio brasileiro

Pesquisa da Corteva Agriscience, Divisão Agrícola da DowDuPont, mostra que produtoras rurais têm orgulho do trabalho, mas sofrem discriminação de gênero

A mineira Hilda Loschi, de 54 anos, faz parte da terceira geração de uma família de produtores rurais. Depois da morte do marido, há 25 anos, ela teve que assumir o controle dos negócios e da fazenda. Foi quando se deparou com as dificuldades de ser a única mulher da região à frente de um trabalho na área do agronegócio — do medo de viajar sozinha à noite em zonas rurais isoladas ao descrédito de clientes que achavam que ela era menos competente pelo simples fato de ser mulher. Duas décadas se passaram e ela garante que as coisas melhoraram, mas que ainda há muito a fazer para que a equidade de gêneros seja alcançada no campo.

Hilda é o retrato das descobertas de uma grande pesquisa da Corteva Agriscience, Divisão Agrícola da Dow DuPont, que ouviu 4 157 produtoras rurais que vivem realidades distintas em 17 países e cinco continentes diferentes (433 delas no Brasil). O estudo constatou que, embora essas profissionais estejam orgulhosas de trabalhar no agronegócio, enxergam na discriminação de gênero uma barreira para seu avanço. Segundo o estudo, 78% delas acreditam que há preconceito — mais do que a média global, que é de 66%. “Apesar de as mulheres brasileiras terem demonstrado esse orgulho tão alto, elas são as mais insatisfeitas. Isso mostra que esse orgulho não reflete necessariamente satisfação”, explica Vivian Bialski, diretora de comunicação da Corteva América Latina.

De fato, as brasileiras são as que mais identificam disparidades. Apenas 33% se sentem empoderadas para tomar decisões no campo, como comprar, vender e transferir ativos, já a média global é de 56%. E quase 50% relatam ganhar menos do que os homens — nos outros países, a média é de 40%. Hilda sentiu essas dificuldades na pele. “Quando assumi os negócios, fui cobrada de dívidas do meu marido que nunca existiram. As pessoas veem uma mulher e logo imaginam que ela é sozinha, frágil e que é mais fácil enganá-la. Além disso, me deparei com profissionais que não queriam ser atendidos por uma mulher”, diz.

Para mudar esse cenário, a pesquisa identificou ações-chave para treinamento e apoio jurídico (veja quadro ao lado). “O maior acesso à educação já ajudou. E ver mais e mais exemplos de mulheres trabalhando em atividades pouco convencionais tem sido inspirador”, conta Hilda. Avanços de fato já ocorreram: 63% das brasileiras acreditam que hoje existe menos discriminação do que há dez anos. Mas 44% delas consideram que o país levará em média de uma a três décadas para alcançar a equidade. “Não podemos nos conformar com isso. Acelerar os processos está em nossas mãos. Empresas, ONGs e governos podem se unir”, diz Vivian.

Diante disso, a Corteva vai lançar, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Academia de Liderança das Mulheres do Agronegócio. O objetivo é capacitar as brasileiras que se dedicam às atividades no campo. “É um projeto pioneiro, com uma imersão em módulos que são importantes para atividades agrícolas, como políticas públicas, impactos do cenário político e econômico no agronegócio e planejamento financeiro. Vamos fazer o piloto aqui no Brasil e a ideia é expandir para outros países”, conta. O processo seletivo para a primeira turma já está em andamento e as aulas começarão em fevereiro de 2019.

 (Reprodução/Abril Branded Content)