Mitos e verdades sobre o melasma

A dermatologista Denise Steiner responde a cinco afirmações recorrentes sobre a mancha. Spoiler: não aparece só na gravidez

Melasma é uma mancha de gravidez

MITO – O melasma é uma mancha acastanhada que aparece principalmente no rosto de mulheres morenas adultas. É uma hipercromia muito comum no Brasil e aparece com frequência durante a gravidez. No entanto, não é uma doença exclusiva da gravidez, pois surge com alta incidência em mulheres não grávidas.

Por causa do aumento do hormônio melanócito estimulante (que aumenta a produção de melanina) durante a gravidez, essas mulheres têm maior chance de desenvolver melasma, além de apresentarem escurecimento no mamilo, na região íntima e na “linha alba” que divide o abdômen ao meio.

Melasma não tem cura

VERDADE – O melasma não tem cura, mas tem controle. As pessoas com predisposição para essa hiperpigmentação têm isso impregnado no seu gene, que é pessoal e definitivo. Sabemos, no entanto, que vários estímulos internos e externos provocam o aparecimento ou a piora do melasma. Entre esses fatores estão exposição ao sol, calor, mudança de hormônios, estresse, consumo de alguns medicamentos, traumas locais, entre outros.

O tratamento do melasma com proteção adequada da pele e combinação de substâncias tópicas, sistêmicas e procedimentos como peelings e laser, pode melhorar a aparência e deixar a marca sobre controle. Porém, caso haja exposição solar sem proteção, agressões à pele por tecnologias com muito calor ou estresse excessivo, pode voltar e piorar ao longo do tempo.

Se não tomar sol, não precisa usar protetor para o melasma

MITO – No caso de ser portadora do melasma é necessário usar filtro solar constantemente, mesmo que não esteja indo tomar sol na praia ou no clube. Qualquer luz e calor provocam o melasma, mesmo que essa luz seja da janela ou do dia a dia.

A radiação ultravioleta é a maior provocadora do melasma, sendo necessário filtro solar com proteção especifica para todas elas. Portanto, é importante que o filtro tenha proteção para UVB (FPS) alto > 60 e que a proteção para UVA seja 1/3 daquela para UVB ou seja (PPD) 20. Além disso, o filtro deve ter pigmentos para proteção à luz visível. Os filtros incolores conhecidos até o momento não têm a propriedade de proteger em relação à luz visível, então recomenda-se procurar um com cor (veja abaixo). O filtro deve esconder a mancha e ser usado de três a quatro vezes ao dia.

Maquiagem com cor protege em relação ao melasma

MITO – A cor de uma base cosmética pode proteger em algum grau, porém não é suficiente para evitar a piora do melasma, que escurece com a luz visível. Lembre-se que 40% da luz do sol é de luz visível. Os filtros solares existentes no mercado protegem em relação à radiação UVB e UVA, mas nenhum deles, mesmo que com número alto, protege da luz visível.

Hoje sabemos que a luz visível não causa queimadura como a luz UVB e nem câncer de pele como a luz UVB e UVA, mas causa escurecimento importante. Além disso, ela piora e mancha muito mais nas peles morenas e manchadas. Então, a luz visível é muito pior para quem tem melasma do que as outras radiações.

Como não existe filtro solar para luz visível, temos que usar um filtro que tenha pigmentos coloridos que conseguem absorver a mesma. O melhor pigmento para esse fim é o óxido de ferro com boa capacidade de absorção da luz visível. Portanto, não adianta usar base, mesmo que seja em cima de um bom filtro solar, pois é necessário que a formulação do protetor contenha um pigmento que proteja adequadamente desta parte da radiação.

Também é importante usar o filtro de 3 a 4 vezes ao dia. O produto tem que esconder a mancha. Esse é o parâmetro para garantir proteção verdadeira do melasma.

O laser provoca o melasma

MITO – Essa afirmação é falsa, porém com algum grau de verdade. As peles morenas com predisposição genética para terem melasma, ao serem tratadas com tecnologias que liberam calor excessivo, podem apresentar o início do melasma.

Os aparelhos de laser, usados para o tratamento de manchas, liberam calor para destruir os pigmentos. Sendo assim, lasers com energias altas podem destruir a melanina, porém o calor irá estimular formação de mais pigmento. Portanto, lasers utilizados para o tratamento do melasma são de baixa frequência (energia) e com pulsos muito rápidos. A combinação de pulso rápido e energia baixa libera pouco calor na pele, eliminando a mancha sem causar efeito rebote.

O laser que melhor combina esses parâmetros é o Nd Yag 1064 Q-switched, que combina energia baixa com pulso curto (nanosegundos). Sendo assim, há necessidade de várias sessões, entre 12 a 15 semanais, para que, aos poucos, o pigmento seja eliminado sem agressão significativa. Durante o tratamento, é importante hidratar e proteger constantemente a pele, além de manter as recomendações prévias dos médicos.

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