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Denise Steiner Por DERMATOLOGIA A médica Denise Steiner é dermatologista, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia e doutora pela Unicamp

Mitos e verdades sobre o melasma

A dermatologista Denise Steiner responde a cinco afirmações recorrentes sobre a mancha. Spoiler: não aparece só na gravidez

Por Denise Steiner - Atualizado em 14 Maio 2020, 16h13 - Publicado em 14 Maio 2020, 16h00

Melasma é uma mancha de gravidez

MITO – O melasma é uma mancha acastanhada que aparece principalmente no rosto de mulheres morenas adultas. É uma hipercromia muito comum no Brasil e aparece com frequência durante a gravidez. No entanto, não é uma doença exclusiva da gravidez, pois surge com alta incidência em mulheres não grávidas.

Por causa do aumento do hormônio melanócito estimulante (que aumenta a produção de melanina) durante a gravidez, essas mulheres têm maior chance de desenvolver melasma, além de apresentarem escurecimento no mamilo, na região íntima e na “linha alba” que divide o abdômen ao meio.

Melasma não tem cura

VERDADE – O melasma não tem cura, mas tem controle. As pessoas com predisposição para essa hiperpigmentação têm isso impregnado no seu gene, que é pessoal e definitivo. Sabemos, no entanto, que vários estímulos internos e externos provocam o aparecimento ou a piora do melasma. Entre esses fatores estão exposição ao sol, calor, mudança de hormônios, estresse, consumo de alguns medicamentos, traumas locais, entre outros.

O tratamento do melasma com proteção adequada da pele e combinação de substâncias tópicas, sistêmicas e procedimentos como peelings e laser, pode melhorar a aparência e deixar a marca sobre controle. Porém, caso haja exposição solar sem proteção, agressões à pele por tecnologias com muito calor ou estresse excessivo, pode voltar e piorar ao longo do tempo.

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Se não tomar sol, não precisa usar protetor para o melasma

MITO – No caso de ser portadora do melasma é necessário usar filtro solar constantemente, mesmo que não esteja indo tomar sol na praia ou no clube. Qualquer luz e calor provocam o melasma, mesmo que essa luz seja da janela ou do dia a dia.

A radiação ultravioleta é a maior provocadora do melasma, sendo necessário filtro solar com proteção especifica para todas elas. Portanto, é importante que o filtro tenha proteção para UVB (FPS) alto > 60 e que a proteção para UVA seja 1/3 daquela para UVB ou seja (PPD) 20. Além disso, o filtro deve ter pigmentos para proteção à luz visível. Os filtros incolores conhecidos até o momento não têm a propriedade de proteger em relação à luz visível, então recomenda-se procurar um com cor (veja abaixo). O filtro deve esconder a mancha e ser usado de três a quatro vezes ao dia.

Maquiagem com cor protege em relação ao melasma

MITO – A cor de uma base cosmética pode proteger em algum grau, porém não é suficiente para evitar a piora do melasma, que escurece com a luz visível. Lembre-se que 40% da luz do sol é de luz visível. Os filtros solares existentes no mercado protegem em relação à radiação UVB e UVA, mas nenhum deles, mesmo que com número alto, protege da luz visível.

Hoje sabemos que a luz visível não causa queimadura como a luz UVB e nem câncer de pele como a luz UVB e UVA, mas causa escurecimento importante. Além disso, ela piora e mancha muito mais nas peles morenas e manchadas. Então, a luz visível é muito pior para quem tem melasma do que as outras radiações.

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Como não existe filtro solar para luz visível, temos que usar um filtro que tenha pigmentos coloridos que conseguem absorver a mesma. O melhor pigmento para esse fim é o óxido de ferro com boa capacidade de absorção da luz visível. Portanto, não adianta usar base, mesmo que seja em cima de um bom filtro solar, pois é necessário que a formulação do protetor contenha um pigmento que proteja adequadamente desta parte da radiação.

Também é importante usar o filtro de 3 a 4 vezes ao dia. O produto tem que esconder a mancha. Esse é o parâmetro para garantir proteção verdadeira do melasma.

O laser provoca o melasma

MITO – Essa afirmação é falsa, porém com algum grau de verdade. As peles morenas com predisposição genética para terem melasma, ao serem tratadas com tecnologias que liberam calor excessivo, podem apresentar o início do melasma.

Os aparelhos de laser, usados para o tratamento de manchas, liberam calor para destruir os pigmentos. Sendo assim, lasers com energias altas podem destruir a melanina, porém o calor irá estimular formação de mais pigmento. Portanto, lasers utilizados para o tratamento do melasma são de baixa frequência (energia) e com pulsos muito rápidos. A combinação de pulso rápido e energia baixa libera pouco calor na pele, eliminando a mancha sem causar efeito rebote.

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O laser que melhor combina esses parâmetros é o Nd Yag 1064 Q-switched, que combina energia baixa com pulso curto (nanosegundos). Sendo assim, há necessidade de várias sessões, entre 12 a 15 semanais, para que, aos poucos, o pigmento seja eliminado sem agressão significativa. Durante o tratamento, é importante hidratar e proteger constantemente a pele, além de manter as recomendações prévias dos médicos.

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