Inflação de estilo de vida: por que você quer cada vez mais

Logo a felicidade passa, e você parte em busca do próximo sonho de consumo

Na semana passada, uma conhecida veio desabafar comigo. Ela me disse que não importava quanto ela ganhava, ela nunca conseguia sentir que o dinheiro era suficiente. “Quanto mais eu ganho, mais eu gasto! E o pior: continuo sempre na mesma”, ela me disse.

Este problema é quase universal. Se não cuidamos e controlamos nosso dinheiro, nunca vai ser suficiente. Um estudo decidiu medir o nível de felicidade de novos ganhadores de loteria _previsivelmente, estavam todos eufóricos. Os pesquisadores foram também conversar com pessoas que haviam sofrido algum tipo de acidente e perdido os movimentos –e, sem surpresas, estavam todos deprimidos.

O interessante foi o que aconteceu um ano depois. Quando os pesquisadores voltaram para conversar com eles, descobriram que os novos milionários já não estavam eufóricos, e que aqueles que haviam perdido os movimentos já não estavam deprimidos. Todos haviam se adaptado à sua nova situação e retomado os seus níveis anteriores de felicidade.

A palavra-chave aqui é adaptação. Nós humanos temos a incrível capacidade de nos acostumar a qualquer mudança, seja ela positiva ou negativa. E o mais incrível é que não suspeitamos dela nem conseguimos contar com ela. Quando algo bom acontece, achamos que seremos eternamente felizes por conta daquilo. Quando é algo ruim, acreditamos que nunca mais seremos tão felizes quanto antes.

Então imagine que você sonha em ter um aparelho de ar condicionado. Ao comprar um, você fica toda feliz: nunca mais vai passar uma noite de insônia por conta do calor. Nas primeiras noites, você liga ele na potência máxima, só para aproveitar o luxo de dormir de edredom em pleno verão. No entanto, logo você se acostuma à novidade. Em pouco tempo, aquele ar condicionado não te faz mais feliz. Você se acostumou ao aparelho, e ele agora faz parte do seu “pacote básico”. Você não chega em casa feliz só por saber que vai poder dormir em um quarto geladinho.

O nosso problema é que não sabemos prever o futuro –e custamos a aprender com a experiência. Por isso, continuamos a tomar uma série de decisões que acreditamos que trarão felicidade. Logo nos acostumamos a elas e em pouco tempo, aquela felicidade que achamos que seria eterna passa. A novidade vira parte do seu dia-a-dia.

Pode ser o aparelho de ar condicionado, um celular novo, um carro, a bolsa da moda, ou qualquer outro item que você deseje. Quando bate a vontade de ter algo, achamos que aquilo vai nos deixar mais felizes. Mas logo a felicidade passa, e você parte em busca do próximo sonho de consumo.

O que está em jogo é a inflação do estilo de vida: quando o luxo de antes vira o básico de agora e você fica sempre querendo mais.

Vi recentemente o documentário Happy (Feliz, em português), no Netflix –recomendo fortemente para quem busca construir uma vida mais feliz. O filme mostra que existem duas formas de buscar a felicidade: dentro ou fora de você. Quem acha que a felicidade vem de dentro vai procurar cuidar dos seus relacionamentos, do seu próprio bem-estar e do seu senso de sentido, seja por meio do trabalho ou de algum hobby ou trabalho social.

Já aqueles que buscam a felicidade fora acham que vão encontrá-la no dia que conseguirem aquela promoção, comprar aquele carro ou ganhar aquele salário. No entanto, é apenas como uma miragem: quando você acha que está chegando lá, descobre que os seus desejos mudaram e que tudo aquilo que você acha que queria não era suficiente. Afinal de contas, você se acostuma logo com aquilo e sempre vai ter alguém que tem mais do que você.

O mundo do consumo é o mundo da falta: a felicidade vive ali na esquina, mas nunca é sua por muito tempo. Isso acontece por um motivo simples. Não dá para achar que um carro, um celular ou uma bolsa vão te fazer feliz.

Saber olhar para dentro e dar valor ao que você já tem são as respostas para quem busca uma vida mais plena. Você pode até querer trocar de carro, ou reformar a cozinha –não tem nada de errado com isso. Mas não adianta pensar que isso tudo vai trazer felicidade. A felicidade não vem de fora –ela nasce dentro de você.

Para ler mais sobre consumismo e consumo consciente, dê uma olhada no www.financasfemininas.com.br.

 

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