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6 atitudes que aplaudimos nos relacionamentos, mas deveriam ser o mínimo

Apesar do amor, respeito, diálogo e confiança serem o básico de uma relação, muitos ainda encaram esses traços como raridades dignas de aclamação

Por Kalel Adolfo
10 abr 2023, 09h55

Quando falamos sobre relacionamentos, alguns pilares — amor, respeito, comunicação, empatia, confiança e apoio — são, em teoria, básicos. Mas, na prática, sabemos que esses valores não são seguidos com tanta frequência. Consequentemente, inúmeras pessoas acabam supervalorizando aqueles indivíduos — normalmente homens cis, heterossexuais e brancos — que fazem apenas o mínimo.

E o que seria o mínimo e o máximo? Para chegar a essa resposta, Andreone Medrado (@andreone.medrado), doutorande em psicologia pela USP, explica que precisamos levar recortes como autoestima, raça, sexualidade, idade e gênero em consideração. “Isso sem falar em toda a expectativa social que cerca o relacionamento”, afirma.

A tal expectativa levantada por Andreone diz respeito ao formato da relação: “A sociedade espera que o vínculo seja monogâmico. E aí, quando vivemos uma dinâmica que se encaixa nas ‘normas’, concluímos que temos um bom relacionamento. É justamente aí que mora o perigo de começarmos a aplaudir o mínimo”, declara.

A seguir, Medrado aponta quais são aquelas atitudes em relacionamentos que aclamamos, quando, na verdade, deveriam ser apenas o básico:

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1. A pessoa te respeita

Imagine que louco alguém respeitar a sua existência? Pois é, este é o primeiro item na lista daquilo que não deveríamos aplaudir gratuitamente. “Precisamos afirmar que ‘menos do que isso eu não aceito’, ao invés de acreditar que ser respeitado é um presente. Infelizmente, o patriarcado, o racismo e a mídia tornam coisas básicas um espetáculo fora do normal. Aí, a pessoa que apenas faz o certo acaba ocupando um lugar de mega destaque”, diz u especialiste.

2. A pessoa diz o que pensa

Para Andreone, colocar o próximo num pedestal apenas porque ele sabe expressar os próprios sentimentos é um sinal de alerta. “Tudo bem, a pessoa sabe se comunicar. Mas como essa comunicação é recebida e emitida? Como vivemos aquilo? Muitas vezes, sem ao menos perceber, acabamos caindo no que chamo de ‘migalhas afetivas’”, pontua.

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Elu esclarece que este é um reflexo direto de uma ideia cultural extremamente naturalizada: relacionamentos são laços que não podem ser terminados. “Tudo o que eu fizer e falar precisa estar alinhado ao intuito de manter o vínculo. E por isso colocamos um diálogo minimamente bom num pedestal. Não que ele seja realmente digno disso, mas nos convencemos que, caso não fiquemos contentes, tudo termina. Aí qualquer mínimo detalhe já vira um enorme diferencial.”

Também precisamos compreender que, por mais que não queiramos, os relacionamentos podem sim acabar. E é aí que reforçamos a ideia do diálogo como algo básico: “Ao não comunicar os nossos incômodos para o outro, lhe damos o direito de produzir sob a gente exatamente aquilo que nos incomoda”, afirma. Já deu para entender que estar alinhado com quem amamos é essencial, né?

Contudo, a questão não é tão simples para determinados grupos sociais: “Há pessoas que não têm um contato tão frequente e diversificado com o afeto. Portanto, quando finalmente o recebem, não vão querer perder. Por isso é muito importante ter uma rede de apoio que nos mostre a existência do afeto para além da vida a dois (ou a três)”, recomenda.

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3. Dividir ou não as tarefas

E aqui não estamos falando apenas de tarefas domésticas, mas também sobre saúde mental e senso de companheirismo. De acordo com Medrado, não é fácil dar conta de tudo sozinho, especialmente em uma sociedade marcada pelo neoliberalismo e o capitalismo.

“Observo cada vez mais o prefixo ‘auto’ sendo inserido com uma enorme pressão: autoestima, autossuficiência, autoamor, autocuidado. Porém, esquecemos que afetos e sentimentos também são socialmente construídos numa rede. E quando tiramos o indivíduo desta rede, ele pode se perder em algum momento, experimentando sentimentos como cobrança e culpa”, explica u psicologe ao abordar a importância da parceria.

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4. Mostrar-se disponível

Alguém que nos manda mensagens, nos chama para encontros e, de forma geral, está presente em nossas vidas, é o mínimo que merecemos. “Quando o amor vem aos poucos, estamos falando sobre um instrumento de dominação”, alerta.

Elu traz um exemplo: “Imagine que eu ofereça algo muito pequeno, a pessoa aceite, e quando eu me afasto, ela me procura novamente. Aí, eu apenas ofereço aquilo de novo, nas mesmas proporções, e faço o indivíduo clamar por pequenas demonstrações.”

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Andreone alerta que, muitas vezes, clamamos tanto por essas migalhas, que caímos naquelas frases clássicas (e problemáticas) como: “Pelo menos ele me mandou mensagem”, ou “Pelo menos ela veio me visitar”. Seguindo esse raciocínio, construímos a nossa autoestima a partir de um lugar muito perigoso.

5. Ser desconstruído e tolerante

Sim, estamos falando dos famosos esquerdomachos! “Se desconstruir está quase virando um projeto político identitário, e não uma causa que realmente assumimos. De um ponto de vista heteronormativo, estes são os esquerdomachos”, brinca Medrado.

“Os homens estão assumindo esse lugar de absorver os discursos do feminismo, da raça, do corpo, da vivência livre, mas em muitos casos, essa absorção vai até a página dois”, dispara.

Para Medrado, não é interessante dar palco para pessoas que façam questão de nos avisar que temos o direito de viver a nossa vida, sexualidade e identidade da maneira que quisermos. ”Puts, que incrível, a pessoa está me dando o direito de ser eu”, ironiza. Elu recomenda que, ao invés de colocar uma atitude básica num pedestal, precisamos começar a treinar a análise lógica: será que o discurso da pessoa está alinhada com o que ela faz?

6. A pessoa te deixa ter amigos

Por fim, poder cultivar amizades e outros vínculos afetivos que ultrapassem a esfera amorosa é o mínimo que devemos esperar de um relacionamento. “É extremamente perigoso não ter referencial. O casal é um ponto de afeto importante, mas aquela amizade que você sai para tomar um café, ou liga para desabafar da vida, são tão primordiais quanto. Sem referências, não temos como saber o que é o mínimo para a gente”, conclui.

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