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97% das mulheres já sofreram assédio em meios de transporte, diz pesquisa

Dados mostram que o crime ainda é prática comum no dia a dia

Por Gabriela Maraccini - Atualizado em 17 fev 2020, 16h40 - Publicado em 18 jun 2019, 16h17

O assédio sexual é uma realidade na vida da maioria das mulheres brasileiras. 71% conhecem alguma mulher que já sofreu com os abusos em espaço público e 97% afirmam já ter sido vítimas de assédio em meios de transporte

Os números fazem parte de uma pesquisa feita com 1081 mulheres realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva com apoio da Uber. Eles levantaram dados sobre violência contra a mulher no transporte que mostram que o assédio sexual ainda é um desafio a ser enfrentado no dia a dia.

“O objetivo é entender quais são os obstáculos que as mulheres enfrentam no dia a dia quando usam o transporte para se locomover pelas cidades”, diz Maíra Saruê Machado, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva. “Nós queremos despertar a atenção da sociedade e usar o estudo como uma ferramenta importante para gerar reflexão sobre o problema”, completa.

De acordo com o levantamento, a segurança é o que mais preocupa as mulheres quando o assunto é locomoção. Para 72% das entrevistadas, o tempo para chegar ao trabalho influencia na decisão de aceitar ou permanecer em um emprego. Ainda assim, 46% não se sentem confiantes para usar os meios de transporte sem sofrer assédio sexual.

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O gráfico abaixo mostra situações que mulheres enfrentam ao usar os meios de transporte. A maior parte das entrevistadas já recebeu olhares insistentes (41%) e/ou foram encoxadas (35%) no transporte coletivo.

Gráficos sobre assédio no transporte público
Situações pelas quais as mulheres já passaram em meios de transporte Instituto Patrícia Galvão/Instituto Locomotiva/Divulgação

“A pesquisa confirma que, infelizmente, o assédio sexual no transporte faz parte da rotina das mulheres brasileiras. Para elas, que em sua maioria estuda e trabalha fora de casa, a segurança no deslocamento é uma questão essencial. É importante não só aplicar a lei que criminaliza essa prática, como também desenvolver políticas e mecanismos para prevenção, para garantir que as brasileiras possam se sentir seguras ao exercerem seu direito de ir e vir, garantindo também seu direito a uma vida sem violência”, afirma Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

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+ Um em cada cinco profissionais já foi vítima de assédio sexual no trabalho 

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