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Mulher passa 12 anos sem falar e recupera voz repentinamente

Marie McCreadie acordou sem voz depois de uma forte infecção de garganta

Por Da Redação - Atualizado em 17 fev 2020, 12h32 - Publicado em 18 out 2019, 15h13

Marie McCreadie passou por anos que mais pareciam um pesadelo. Aos 12 anos, a britânica se mudou para a Austrália com a família e, repentinamente, perdeu a voz. Hoje, mais de 40 anos depois, ela conta sua história no livro Voiceless – Sem voz, em tradução livre -, lançado nesse ano.

Nos anos 70, Marie e sua família tiveram que sair do Reino Unido para ir a Austrália. O período de adaptação foi tranquilo até que um dia, no fim do verão, ela acordou com uma forte dor de garganta. “Na primeira semana, a irritação (da garganta) era muito intensa por causa da febre. Mas quando a temperatura baixou, a infecção desapareceu e comecei a me sentir melhor e ‘normal’… mas, depois de umas seis semanas, minha voz não voltou”, contou a BBC.

Ela não conseguia emitir nenhum outro som, nem uma voz rouca, nem tossir. O tempo foi passando e os médicos não conseguiam nenhum diagnóstico conclusivo sobre seu caso. A princípio diagnosticaram uma laringite e, depois, disseram que se tratava de mudez histérica, descrita como um transtorno da função vocal sem que haja mudanças no corpo, que resultaria num silêncio voluntário. É claro que ela não se conformou com o resultado. “Não podia marcar um corte de cabelo ou marcar uma consulta médica. Se estava em apuros ou sofria um acidente tampouco podia gritar”, disse.

Marie estudava em uma escola católica e, em um ano, foi obrigada a participar do coral da escola. Quando percebeu que não ela podia falar e que não havia nenhuma explicação física para isso, uma professora disse que Deus a estava castigando e, por isso, ela havia ficado sem voz. “Meus colegas começaram a acreditar no que diziam, que eu estava sendo castigada e tinha de confessar meus pecados para recuperar minha voz. Eu me negava porque não tinha nada a confessar. As meninas costumavam me chamar de mulher do diabo e outras piadas desse tipo, mas com o tempo deixou de ser uma piada. Era grave, extremo. Como me neguei a confessar pecados, não me deixavam entrar na igreja e ir para a missa que frequentávamos todas as sextas, então tinha de ficar do lado de fora”, relata.

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Depois de dois anos sem voz, ela estava tão deprimida que tentou se matar e foi internada em um hospital psiquiátrico, onde passou por várias experiências traumáticas. Marie teve que passar por sessões de terapias de choques elétricos. Ela fugiu e foi viver com um amigo. “Não queria ver ninguém, a pouca confiança que tinha nas pessoas desapareceu no hospital. Me isolei por seis meses e, como não acreditava que recuperaria a voz, comecei a reconstruir minha vida”, contou.

Arquivo Pessoal/Reprodução

Ela passou a trabalhar no café da família até que um dia, quando tinha 25 anos, começou a se sentir muito mal. “Comecei a tossir e começou a sair sangue da minha boca. Pensei que estava morrendo. Podia sentir algo se movendo no fundo da minha garganta. Em certo momento pensei que estava tossindo minhas entranhas”, relatou.

Quando chegou ao hospital, os médicos viram que ela estava com um objeto preso na garganta e conseguiram extraí-lo. A moeda estava presa desde os anos 60 e impedia que as cordas vocais vibrassem e emitissem sons. A partir do momento que foi extraída, Marie voltou a falar. Ela teve de reaprender a respirar e a moderar o tom da voz, mas logo voltou a ter a vida normal. Hoje, ela guarda a moeda em uma pulseira que usa sempre.

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Moeda australiana igual a que estava presa na garganta de Marie Getty Images/Reprodução

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