Clique e assine Claudia a partir de R$ 8,90/mês

Como ter mais prazer sozinha ou acompanhada

Na busca por autoconhecimento e plenitude no sexo, iniciativas de mulheres estimulam o desejo e incitam a usar novas técnicas

Por Letícia Paiva - Atualizado em 17 fev 2020, 13h20 - Publicado em 19 set 2019, 08h00

Fisiologicamente, o corpo da mulher é cíclico. Com o início da menstruação, há uma elevação dos níveis de estrogênio, enquanto durante o período fértil, é a progesterona, responsável por preparar o útero para receber o embrião e despertar o desejo sexual, que está em seu maior patamar.

Isso significa que, em determinados períodos, as mulheres estarão mais propensas ao sexo. Já nos homens, esse desejo é mais constante, pois o processo é linear. O aumento da produção de testosterona ocorre na puberdade e se mantém durante toda a idade adulta, vindo a declinar com a velhice.

“Se a mulher for esperar que a vontade de transar seja impulsionada pela ação hormonal, fará sexo pouquíssimas vezes por mês. Por isso, ela precisa buscar estímulos e pensar em sexo”, assinala a ginecologista Carolina Ambrogini, do Projeto Afrodite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Além dessa questão biológica, os homens são bombardeados por conteúdo sexual e de pornografia que frequentemente representa o sexo de modo agressivo. Como, em geral, essas referências masculinas não correspondem às expectativas femininas, uma nova frente de mulheres vem criando alternativas para buscarmos nossa melhor versão do prazer – a dois ou sozinha.

Selecionamos algumas iniciativas que fogem ao lugar-comum e nos colocam na posição de protagonistas. Confira:

Erotismo consensual

“Se a pornografia é referência sobre o que é sexo para muita gente, precisamos apresentar narrativas com responsabilidade”, afirma Carolina Albuquerque, idealizadora da Hysteria, rede de produção de conteúdo por mulheres.

Com Isadora Vieira, ela dirigiu o filme erótico Amores Líquidos, lançado na plataforma de streaming da sueca Erika Lust, pioneira do chamado pornô feminista. Nessa corrente, as fitas eróticas são produzidas por mulheres e desconstroem a submissão ao homem, comum na pornografia convencional.

“O objetivo é que tudo gire em torno do consenso”, diz Isadora. O streaming de Lust, por assinatura, tem centenas de filmes com esse viés. Além dele, são boas pedidas a plataforma Make Love Not Porn, com casais reais, e a série nacional Pornô Feito por Mulheres.

Elisa Riemer/CLAUDIA

Oficinas de orgasmos

Já que autoconhecimento é (quase) tudo para aumentar a autoconfiança e ter orgasmos mais intensos, há workshops que ensinam a exercitá-lo. Criada em 2017 por Mariana Stock, que até então levava uma carreira corporativa, a Casa Prazerela, em São Paulo, promove encontros para despertar a “potência orgástica”, também em versão online.

“Discutimos o prazer com embasamentos científicos para romper inibições”, explica Mariana. Há ainda terapias focadas em prazer e, para atender os homens, surgiu um negócio parceiro, o Prazerele.

Continua após a publicidade

Digital, o curso Jardim das Delícias, da terapeuta sexual Lua Menezes, que atualmente mora na Nova Zelândia, traz um roteiro para explorar o próprio corpo e incentivar o toque. “Temos tanto a descobrir, mas podemos começar aos poucos”, diz Lua.

Elisa Riemer/CLAUDIA

Saber compartilhado

A plataforma OMGYes mapeou as diversas formas de as mulheres sentirem prazer ao se tocar. Os resultados renderam uma primeira temporada, com 62 vídeos, disponíveis com legendas em português, em que mulheres ensinam técnicas com foco na região visível do clitóris.

A ênfase se deu após a pesquisa constatar que apenas 18% das entrevistadas eram capazes de ter orgasmos nas relações sem estímulo na área ante 74% que conseguiam com esse recurso.

“Quando uma mulher descobre o que funciona e compartilha, outras acessam esse conhecimento”, conta a gerente de pesquisa da OMGYes, a americana Naomi Sorbet. A segunda temporada, sobre penetração, terá conteúdo em português neste ano. O pagamento é único para acessar todos os vídeos.

Elisa Riemer/CLAUDIA

Sex shop do futuro

Incomodadas com a falta de produtos eróticos que atendessem aos seus desejos, Heloisa Etelvina e a Izabela Starling resolveram criar a marca Pantynova, que vende online.

O foco são os dildos (brinquedo para penetração), desenvolvidos por elas próprias com material translúcido, e strap-ons (suporte para vestir os dildos a dois), feitos para usar como calcinhas, mas elas também selecionam vibradores.

Todos são testados por “especialistas em ppk”, como descrevem. “A ideia é serem lúdicos, e não imitarem genitais”, explica Heloisa. Além disso, publicam contos e um podcast erótico.

Mulheres jovens são as principais clientes, mas há homens que compram os strap-ons para usar com as namoradas. “Isso é ótimo, porque é preciso desvincular práticas sexuais de gênero e orientação sexual”, diz Izabela.

Elisa Riemer/CLAUDIA

PORNÔ literário

A literatura erótica ganhou fôlego com best-sellers que tiraram o gênero de prateleiras escondidas nas livrarias, vários escritos por mulheres. “A emancipação feminina também se tornou tema das histórias”, diz Lani Queiroz, autora de séries como Rock’n Rio.

Parte dessas escritoras vem transformando linguagem e narrativas. “Sentia falta de ler diálogos mais casuais em que a mulher não estivesse sempre disponível”, afirma a maranhense Seane Melo, que recentemente publicou Digo Te Amo para Todos Que Me Fodem Bem (Quintal Edições).

Com base em casos de mulheres comuns, jovens como ela, conta os episódios de Vanessa, com cenários e vocabulário cotidianos “sem-vergonha”. Outras histórias são publicadas na plataforma online Medium.

Elisa Riemer/CLAUDIA
Continua após a publicidade
Publicidade