Como falar da morte de um ente querido

Quando se perde algum familiar querido não são apenas os adultos que sofrem. Os pequenos também sentem o que está acontecendo, muitas vezes, os pais não sabem como lidar com a situação. Abaixo, mães relatam como conversaram sobre isso com os filhos.

Foto: Getty Images

Alessandra expressou sua dor

Quando morreu o pai dos meninos, Kaue estava com 15 anos e Caetano com 5. Chamei os dois no quarto, pedi que sentassem no chão e contei que eu estava sentindo muita dor e tristeza, pois o papai não estava mais com a gente. Eles participaram do velório e ali fizemos nossa despedida, nos abraçamos e jogamos lírios-da-paz em seu caixão. Sempre que podemos, falamos dele. Temos muitas lembranças divertidas e que cabem ser ditas no dia a dia. Optei por contar a verdade sem fantasiar, sem historinhas, porque o que estávamos vivendo era real e tínhamos que passar por isso juntos. Depois, busquei na literatura infantil e juvenil livros que abordassem o assunto, com o intuito de que eles tivessem espaço para olhar o luto de outras formas e, assim, dar um significado ao que estavam sentindo. No fundo, não tem um jeito certo de falar da morte, tem o jeito que conseguimos.

Alessandra Nogueira, mãe de Kaue, 19 anos, e Caetano, 8, é assistente de direção da Escola Jacarandá e mora em São Paulo

Adriana exaltou o legado da avó

Em 2009, a nonna, aos 96 anos, ficou doente e faleceu em uma semana. Ela era a matriarca da família, em volta de quem construímos nossa vida, nossa base. Contar para as crianças, na época com 7 e 5 anos, foi difícil. Como explicar que aquela rotina dos almoços de domingo, da passadinha para dar um beijo durante a semana, da presença dela, tudo isso não iria mais acontecer? Chamei meus filhos para conversar e disse: O coraçãozinho da nonna não aguentou e ela nos deixou. Fui direto ao ponto, mas de forma doce e já lembrando o que ela nos deu, todas as lições e histórias.

Adriana Passaro, mãe de Isabella, 12 anos, e Felipe, 10, é advogada e mora em São Paulo

Regina não usou a palavra morte

Quando meu pai morreu, Rodrigo tinha 1 ano e 5 meses. Fui para Ribeirão Preto, ele entrou na casa dos meus pais e foi direto para o quarto deles balbuciando “vovô”. Eu contei que ele tinha ido morar no céu e que estava bem. Não usei a palavra morrer, não tive coragem. Ele foi crescendo e, conforme perguntava, eu falava que o vovô tinha morrido. Até hoje dizemos que ele está no céu, que olha por nós, que vive com os anjos e mora no nosso coração. Não acho legal dizer para as crianças simplesmente que as pessoas morrem, são enterradas e ponto.

Regina M. Lana Nemi Porta, mãe de Rodrigo, 7 anos, é funcionária pública e mora em São Paulo
 

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