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A emocionante história de Freddy, a jabuti que ganhou uma prótese de casco feita em impressora 3D

Sem a cirurgia, o animal teria poucas chances de sobrevivência.

Por Priscila Doneda Atualizado em 21 jan 2020, 09h14 - Publicado em 8 jun 2016, 14h49

A história de Freddy poderia ser bem diferente se um casal não a tivesse encontrado em uma mata, em Brasília. A jabuti estava em um local onde ocorreu uma queimada e foi levada, por esses amigos, até o Dr. Rodrigo Rabello.

Com o incêndio, seu casco foi acometido pelo fogo e 85% de seu volume foi perdido. Dessa forma, as chances de sobrevivência de Freddy eram bem pequenas, já que ela estava desprotegida e os órgãos, quase expostos. “Era um grande risco ela se aproximar de objetos pontiagudos ou mesmo ficar sob os raios do sol”, explica o designer gráfico Cícero Moraes, que participou do processo de produção do novo casco.

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“Em 2013, começamos a estudar os processos de criação de próteses a partir de computação gráfica 3D, mas, naquela época, sequer entendíamos direito como funcionava uma impressora 3D. Em 2015, o Dr. Paulo Miamoto adquiriu uma impressora e eu já havia dominado o processo de criação de próteses, com a ajuda técnica do Dr. Roberto Fecchio. Em conversa com o Dr. Rabello, ele soube da necessidade da Freddy e, naturalmente, surgiu a ideia de criarmos uma prótese para ela”, lembra Cícero.

Os trabalhos foram divididos em três frentes. “Na primeira, pela qual fui o responsável, desenvolvemos a prótese do casco em 3D, a partir de dados tridimensionais criados por fotogrametria (escaneamento 3D por fotos) na Freddy e em outro animal com o casco completo. Criamos, então, uma prótese dividida em quatro partes que se encaixavam”, menciona o designer.  

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Um segundo momento foi dedicado à impressão 3D e ao preparo da peça. Esta fase ficou por conta do Dr. Paulo Miamoto, que é cirurgião dentista. “Para você ter uma ideia, a impressão de cada parte demorou, em média, 50 horas. Uma semana inteira foi necessária para imprimir e tratar o casco!”, recorda.

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A terceira e última etapa, por sua vez, foi a de colocação da prótese durante um procedimento cirúrgico, que durou quatro horas e aconteceu em Santos, sob os cuidados dos veterinários Dr. Roberto Fecchio, Dr. Rodrigo Rabello, Dr. Matheus Rabello e Dr. Sergio Camargo. 

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A prótese foi feita de PLA, um plástico criado a partir do amido de milho ou da cana-de-açúcar. Depois de impressa e testada por meses, a equipe pôde contar com o trabalho do artista brasiliense Yuri Caldeira, que fez uma pintura realista incrível e deixou a aparência de Freddy ainda mais natural.

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Apesar de a iniciativa ser memorável, a equipe enfrentou uma série de dificuldades ao longo do processo, que durou três meses, do início ao fim, em julho de 2015. Entre os principais desafios mencionados, os amigos não tinham referência técnica e, quase sempre, as conversas eram virtuais. Por meio de comunicadores instantâneos, e-mails e videoconferências, a equipe conseguiu se organizar e atingir seu grande e nobre objetivo. “Ficamos desanimados, em alguns momentos, ao ver que nossas tentativas não encontravam o sucesso almejado na aplicação técnica, mas levantávamos a cabeça, ainda mais motivados, para resolver aquela etapa, de uma vez por todas. De pequena vitória em pequena vitória, nós fomos capazes de criar o casco e devolver uma vida plena a nossa querida Freddy!”, celebra Cícero. 

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O novo casco de Freddy é o primeiro, no mundo, a ser modelado completamente para substituir a estrutura original. No entanto, não é o único trabalho da equipe na vanguarda da impressão 3D de próteses. “Também criamos o primeiro bico de tucano e o primeiro bico de papagaio, procedemos com a primeira cirurgia para a colocação de um bico de arara impresso em metal (titânio), bem como o primeiro bico de ganso e de araçari – uma ave que lembra o tucano”, dispara Cícero.

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No que diz respeito a procedimentos do tipo em medicina veterinária, este é, sem dúvidas, um grande marco. “Mostramos que é possível utilizar a tecnologia para recuperar as funções comprometidas de um animal. Mais que isso, fizemos tudo com tecnologia aberta, usamos impressoras de baixo custo, técnicas de escaneamento 3D por fotografias acessíveis a qualquer um, software livre e gratuito, tudo fundamentado em tecnologia veterinária testada e aprovada por décadas”, aponta.

Segundo o designer, é possível que, no futuro, Freddy precise de uma nova prótese. “Estamos mais preparados e, então, o processo todo levará uma fração do tempo que foi necessário na primeira vez”, comemora Cícero – e nós também! <3

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