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LGBTQIAPN+: entenda a sigla e sua importância para a representatividade

A constante evolução da sigla é um convite para refletir sobre a pluralidade das vivências dentro da comunidade LGBTQIAPN+

Por Kalel Adolfo Atualizado em 8 jun 2022, 13h31 - Publicado em 7 jun 2022, 08h57

No mês do orgulho LGBTQIAPN+, é imprescindível reservar um tempo para entender tanto as raízes da sigla quanto a sua evolução nas últimas décadas. Estamos conquistando cada vez mais espaço, e o entendimento de nossas complexidades é um ponto essencial para analisar a evolução da representatividade no mundo.

“Até o início dos anos 2000, a sigla GLS [Gays, Lésbicas e Simpatizantes] nos representava. A população entendia que você podia ser apenas heterossexual ou homossexual. Ninguém entendia outras questões”, afirma Ana Claudino, pesquisadora em raça, gênero, sexualidade e comunicação, e criadora do canal Sapatão Amiga.

A especialista explica que, por conta da transfobia — que era ainda maior no início do século — transsexuais e travestis eram unidos com os homens gays, sofrendo uma enorme quantidade de rótulos transfóbicos. Portanto, a fim de diminuir essas agressões, a comunidade abandonou o termo GLS e abraçou o LGBT: “O ‘L’ foi para a frente, devido à luta das ativistas lésbicas daquela época. Por muito tempo, fomos despriorizadas pela letra ‘G’ dos homens gays”, esclarece.

LGBTQIAPN+: o que cada letra significa?

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  • L: Lésbicas (mulheres que se relacionam com mulheres);
  • G: Gays (homens que se relacionam com homens);
  • B: Bissexuais (pessoas que se relacionam com ambos os sexos);
  • T: Transsexuais e travestis (quem passou por transição de gênero);
  • Q: Queer (Pessoas que transitam entre os gêneros, como as drag queens);
  • I: Interssexo (Pessoa com qualidades e características masculinas e femininas);
  • A: Assexuais (quem não sente atração sexual por quaisquer pessoas);
  • P: Panssexuais (quem se se relaciona com quaisquer gêneros ou orientações sexuais);
  • N: Não-binário (sem gênero).

Por que a sigla é tão importante?

De acordo com Ana Claudino, a sigla marca um posicionamento de luta, resistência e orgulho. “Essa não é uma discussão do século XXI. A população LGBTQIAPN+ está neste planeta desde os primórdios da humanidade. As raízes do movimento vêm dos ancestrais, que batalharam e abriram portas para todxs. Porém, grande parte de nossa história foi apagada propositalmente, para mostrar que não é natural ser homossexual”, declara.

A pesquisadora reitera que, por isso, é extremamente importante continuar lutando e abrindo portas para que os direitos da comunidade — conquistados com muito sangue e suor — sejam preservados. A sigla é uma das ferramentas para sempre nos lembrarmos disso.

Junho não é apenas o “Mês do Orgulho Gay”

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Erroneamente, muitas empresas — e até membros do movimento LGBTQIAPN+ — classificam junho como o “Mês do Orgulho Gay”. Porém, tal equívoco apenas alimenta outros sistemas opressores: “Dentro do movimento, ainda existe uma forte predominância dos homens gays cisgênero e brancos. Todxs que não se encaixam nesse ‘padrão’ precisam lutar muito mais para terem suas vozes ouvidas. Pode parecer exagero, mas ainda existem pessoas que não acreditam na existência das lésbicas. Precisamos mudar esse cenário”, aponta.

Pessoas LGBTQIAPN+ não possuem as mesmas vivências

Por isso, Ana reforça a importância de refletirmos sobre a pluralidade de experiências na sigla LGBTQIAPN+: “Lésbicas, mulheres trans e bissexuais precisam enfrentar o machismo. E essa estrutura machista, de certa forma, beneficia os homens gays cisgênero. Mesmo que eles enfrentem a homofobia, há um favorecimento”, diz.

“No caso das pessoas LGBTQIAPN+ pretas, indígenas e asiáticas, ocorre o racismo. As opressões em algumas identidades vão se somando, e precisamos ter um olhar interseccional diante dessas situações. A sigla é diversa e plural, e é aí que está a potência de nossa comunidade. Só vamos conseguir aumentar a nossa ligação e organização quando dermos a mesma importância para todas as letras”, declara.

A ativista afirma que o primeiro passo em direção a uma boa representatividade é sair de nossas bolhas: “Escute, tenha um olhar carinhoso e acolha as diversidades. Se eu consigo acessos para as lésbicas, e as mulheres trans lésbicas não estão conseguindo os mesmos direitos, algo está muito errado. Para a sigla realmente nos fortalecer, precisamos considerar raça, gênero, classe social, localização geográfica e corpos — incluindo os gordos e PCD’S”.

Representatividade LGBTQIAPN+ na mídia

Enquanto nós precisamos entender e abraçar a complexidade da sigla, a pesquisadora afirma que a mídia deveria trazer mais exemplos positivos para potencializar a autoestima da população LGBTQIAPN+: “Quando pesquisamos ‘LGBT’ na internet, a grande maioria dos resultados são referentes a casos de assassinatos e preconceitos. Existe toda uma mídia dominante falando que vamos morrer, e é tenebroso”, aponta. “Sair da norma heteronormativa é assustador. Convivemos diariamente com a LGBTfobia e a violação de nossos direitos. Isso mexe com a nossa autoestima, existência e sensação de segurança”.

Ana diz que, no mundo ideal, deveríamos ter mais exemplos de pessoas queer vivendo uma vida normal: “Vemos inúmeras notícias de personalidades heterossexuais casando e tendo filhos. E não temos a mesma cobertura midiática para quem é LGBT. Mas as companhias precisam entender que esses exemplos são fundamentais para a manutenção de nossa saúde mental. Como vamos criar autoconfiança se o tempo inteiro ouvimos que somos anormais?”.

Claudino esclarece que, nestes casos, a construção da autoestima acaba não sendo uma responsabilidade exclusivamente individual, pois há toda um sistema que molda os nossos pensamentos. “É muito difícil. Por isso, eu procuro o acolhimento das minhas amigas. Alguns dias são bem complicados”, desabafa.

Representatividade naturaliza nossa existência

Por fim, Ana enaltece a importância de personalidades como Pabllo Vittar, Urias, Ludmilla e Bruna Linzmeyer para a naturalização do movimento: “Se eu vejo elas, que são LGBTs, sendo famosas e dominando suas carreiras, eu tenho mais forças para resistir e ser quem eu sou. Representatividade é isso: exaltar as pessoas nas mais diversas áreas. Isso dá uma felicidade incrível. Não somos alienígenas. Também comemos, dormimos e nos apaixonamos. Apenas queremos os mesmos direitos básicos de todxs”, conclui.

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