Uso abusivo de álcool aumenta expressivamente entre mulheres

A ingestão excessiva acomete principalmente jovens do gênero feminino entre 18 e 24 anos

Segundos dados de um estudo divulgado nesta quinta-feira (25), o consumo em excesso de álcool pelas mulheres cresceu de 7,7% para 11% nos últimos 13 anos. A variação é maior do que entre os homens, observou a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), feita pelo Ministério da Saúde em 2018.

Como critério de avaliação, o estudo classificou como abusiva a ingestão de quatro ou mais doses de bebida alcoólica entre as mulheres e cinco ou mais para os homens, em uma mesma ocasião e nos últimos 30 dias.

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“O consumo abusivo de álcool entre as mulheres teve um aumento expressivo e também de mudanças comportamentais, relacionamento… As mulheres estão consumindo mais álcool, estão trabalhando mais, com uma vida social muito mais ativa e eu acho que a melhor estratégia é informação, explicar os malefícios do álcool para um consumo regular mais sustentável”, disse Wanderson Kléber de Oliveira, Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, ao G1.

Contudo, os homens ainda estão em maior número quando se trata do consumo excessivo de álcool. 26% deles afirmaram beber abusivamente em 2018, contra 24,8% em 2016.

Quanto ao número de mortes atribuídas ao álcool, a pesquisa aponta que homens morrem cerca de nove vezes mais que as mulheres. A análise exclui mortes violentas decorrentes da ingestão abusiva.

O Ministério também identificou que, entre o gênero masculino, o consumo em excesso se concentra na faixa etária de 25 a 34 anos. Para as mulheres, a incidência recai sobre a população ainda mais jovem, de 18 a 24 anos. Já na população acima de 65 anos, se enquadram na situação 7,2% dos homens e 2% das mulheres.

Tratamento

“O álcool é uma droga que inicialmente causa uma sensação de euforia, esquecimento das tristezas e até um destaque no grupo social. Ele tem a característica de desenvolver dependência, tolerância – doses maiores para obter os mesmos efeitos – e síndrome de abstinência, que é uma síndrome de ansiedade e que impulsiona a busca de mais bebida”, explica Luiz Scocca, psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da USP, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Associação Americana de Psiquiatria (APA).

O especialista ainda fala sobre os passos que são seguidos dentro da psiquiatria para o tratamento do dependente. “É preciso iniciar um programa de redução de álcool, com medicamentos que ajudarão tanto com a síndrome de abstinência como no programa comportamental que envolve terapia, às vezes hospital-dia (envolve em várias atividades que os tire das bebidas em uma instituição) e até internação para ajudar na desintoxicação, o que acontece em torno de 3 semanas”, diz Scocca. 

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