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Uso abusivo de álcool aumenta expressivamente entre mulheres

A ingestão excessiva acomete principalmente jovens do gênero feminino entre 18 e 24 anos

Por Da Redação - Atualizado em 17 fev 2020, 15h11 - Publicado em 25 jul 2019, 18h07

Segundos dados de um estudo divulgado nesta quinta-feira (25), o consumo em excesso de álcool pelas mulheres cresceu de 7,7% para 11% nos últimos 13 anos. A variação é maior do que entre os homens, observou a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), feita pelo Ministério da Saúde em 2018.

Como critério de avaliação, o estudo classificou como abusiva a ingestão de quatro ou mais doses de bebida alcoólica entre as mulheres e cinco ou mais para os homens, em uma mesma ocasião e nos últimos 30 dias.

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“O consumo abusivo de álcool entre as mulheres teve um aumento expressivo e também de mudanças comportamentais, relacionamento… As mulheres estão consumindo mais álcool, estão trabalhando mais, com uma vida social muito mais ativa e eu acho que a melhor estratégia é informação, explicar os malefícios do álcool para um consumo regular mais sustentável”, disse Wanderson Kléber de Oliveira, Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, ao G1.

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Contudo, os homens ainda estão em maior número quando se trata do consumo excessivo de álcool. 26% deles afirmaram beber abusivamente em 2018, contra 24,8% em 2016.

Quanto ao número de mortes atribuídas ao álcool, a pesquisa aponta que homens morrem cerca de nove vezes mais que as mulheres. A análise exclui mortes violentas decorrentes da ingestão abusiva.

O Ministério também identificou que, entre o gênero masculino, o consumo em excesso se concentra na faixa etária de 25 a 34 anos. Para as mulheres, a incidência recai sobre a população ainda mais jovem, de 18 a 24 anos. Já na população acima de 65 anos, se enquadram na situação 7,2% dos homens e 2% das mulheres.

Tratamento

“O álcool é uma droga que inicialmente causa uma sensação de euforia, esquecimento das tristezas e até um destaque no grupo social. Ele tem a característica de desenvolver dependência, tolerância – doses maiores para obter os mesmos efeitos – e síndrome de abstinência, que é uma síndrome de ansiedade e que impulsiona a busca de mais bebida”, explica Luiz Scocca, psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da USP, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Associação Americana de Psiquiatria (APA).

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O especialista ainda fala sobre os passos que são seguidos dentro da psiquiatria para o tratamento do dependente. “É preciso iniciar um programa de redução de álcool, com medicamentos que ajudarão tanto com a síndrome de abstinência como no programa comportamental que envolve terapia, às vezes hospital-dia (envolve em várias atividades que os tire das bebidas em uma instituição) e até internação para ajudar na desintoxicação, o que acontece em torno de 3 semanas”, diz Scocca. 

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