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Enzimas emagrecedoras prometem queimar gordura localizada: entenda os riscos

Popularizadas nas redes sociais e em clínicas estéticas, aplicações prometem reduzir gordura, mas especialistas alertam para a falta de evidências 

Por Beatriz Lourenço Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 ago 2026, 05h00
Mão enluvada de azul segura uma seringa transparente com agulha, contra um fundo rosa liso
Entenda os perigos e a falta de eficácia comprovada das "enzimas emagrecedoras" com a análise de uma especialista (Pexels/Reprodução)
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Enzimas emagrecedoras prometem queimar gordura localizada: entenda os riscos Priorizar nos meus resultados Google

As chamadas “enzimas emagrecedoras” ou “lipo enzimática” ganharam espaço entre pessoas que buscam uma alternativa rápida para perder gordura e reduzir medidas. Porém, essas substâncias que prometem romper a membrana da célula de gordura e derreter a barriguinha localizada não têm comprovação científica e podem causar riscos.

O que são essas enzimas?

A endocrinologista e metabologista da Sociedade Brasileira Endocrinologia Metabologia, Tassiane Alvarenga, explica que a expressão costuma ser utilizada para se referir a aplicações injetáveis de diferentes substâncias – frequentemente associadas a cafeína, centella asiática, L-carnitina, entre outros ativos.

“É preciso lembrar que a fosfatidilcolina injetável, por exemplo, está proibida no Brasil desde 2002 porque seu uso não era aprovado para remoção de gordura subcutânea e os efeitos a longo prazo eram desconhecidos”, conta. 

Segundo ela, há um único medicamento desse tipo aprovado pelo FDA, o kybella (ácido desoxicólico). Acontece que ele deve ser usado exclusivamente para redução de papada em adultos. “Ou seja: o que é aplicado em abdômen, flancos, culote e coxas nas clínicas de estética não tem aprovação regulatória para essa finalidade. Nem aqui, nem nos Estados Unidos”, diz.

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Imagem de mulher que perdeu peso segurando calça jeans, símbolo da perca de peso.
(Reprodução/Freepik)

Quais são os riscos?

O risco depende diretamente da substância utilizada, da dose, da região aplicada, da técnica e das condições em que o procedimento é realizado. Aplicações inadequadas podem provocar desde dor, inchaço e inflamação até complicações mais graves, como infecções, alterações de pigmentação, lesões teciduais e necrose.

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“Já tive uma paciente que desenvolveu um hematoma local que infeccionou e virou um abscesso”, revela Tassiane.

Por isso, antes de realizar qualquer procedimento, é fundamental saber o que será injetado e se o produto possui registro ou autorização dos órgãos públicos para aquela finalidade. 

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Mulher aplicando caneta emagrecedora na barriga

Elas substituem medicamentos?

A resposta da médica é simples: não. Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como as canetas emagrecedoras, têm indicações, critérios de prescrição, estudos clínicos e acompanhamento médico específicos. Eles não devem ser colocados na mesma categoria de aplicações estéticas.

Para ela, o tratamento da obesidade também não deve ser reduzido a uma questão de imagem, mas de recomendação médica. A especialista ainda enfatiza que as enzimas não tratam a gordura visceral, aquela que coloca a saúde em risco.

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“Quando existe indicação clínica, o acompanhamento envolve alimentação, atividade física, sono, comportamento e, em determinados casos, medicamentos”, afirma a profissional. “A estratégia deve ser individualizada e baseada em evidências. Antes de indicar qualquer coisa sem comprovação, devemos nos perguntar: será que estamos tratando o que incomoda ou adoecendo ainda mais o paciente?

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