Enzimas emagrecedoras prometem queimar gordura localizada: entenda os riscos
Popularizadas nas redes sociais e em clínicas estéticas, aplicações prometem reduzir gordura, mas especialistas alertam para a falta de evidências
As chamadas “enzimas emagrecedoras” ou “lipo enzimática” ganharam espaço entre pessoas que buscam uma alternativa rápida para perder gordura e reduzir medidas. Porém, essas substâncias que prometem romper a membrana da célula de gordura e derreter a barriguinha localizada não têm comprovação científica e podem causar riscos.
O que são essas enzimas?
A endocrinologista e metabologista da Sociedade Brasileira Endocrinologia Metabologia, Tassiane Alvarenga, explica que a expressão costuma ser utilizada para se referir a aplicações injetáveis de diferentes substâncias – frequentemente associadas a cafeína, centella asiática, L-carnitina, entre outros ativos.
“É preciso lembrar que a fosfatidilcolina injetável, por exemplo, está proibida no Brasil desde 2002 porque seu uso não era aprovado para remoção de gordura subcutânea e os efeitos a longo prazo eram desconhecidos”, conta.
Segundo ela, há um único medicamento desse tipo aprovado pelo FDA, o kybella (ácido desoxicólico). Acontece que ele deve ser usado exclusivamente para redução de papada em adultos. “Ou seja: o que é aplicado em abdômen, flancos, culote e coxas nas clínicas de estética não tem aprovação regulatória para essa finalidade. Nem aqui, nem nos Estados Unidos”, diz.
Quais são os riscos?
O risco depende diretamente da substância utilizada, da dose, da região aplicada, da técnica e das condições em que o procedimento é realizado. Aplicações inadequadas podem provocar desde dor, inchaço e inflamação até complicações mais graves, como infecções, alterações de pigmentação, lesões teciduais e necrose.
“Já tive uma paciente que desenvolveu um hematoma local que infeccionou e virou um abscesso”, revela Tassiane.
Por isso, antes de realizar qualquer procedimento, é fundamental saber o que será injetado e se o produto possui registro ou autorização dos órgãos públicos para aquela finalidade.

Elas substituem medicamentos?
A resposta da médica é simples: não. Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como as canetas emagrecedoras, têm indicações, critérios de prescrição, estudos clínicos e acompanhamento médico específicos. Eles não devem ser colocados na mesma categoria de aplicações estéticas.
Para ela, o tratamento da obesidade também não deve ser reduzido a uma questão de imagem, mas de recomendação médica. A especialista ainda enfatiza que as enzimas não tratam a gordura visceral, aquela que coloca a saúde em risco.
“Quando existe indicação clínica, o acompanhamento envolve alimentação, atividade física, sono, comportamento e, em determinados casos, medicamentos”, afirma a profissional. “A estratégia deve ser individualizada e baseada em evidências. Antes de indicar qualquer coisa sem comprovação, devemos nos perguntar: será que estamos tratando o que incomoda ou adoecendo ainda mais o paciente?”
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.
As receitas de CLAUDIA Cozinha na sua mão
Receitas práticas e saborosas para qualquer hora do dia! Seja para um ocasião especial ou até para um jantar rápido e saudável. O aplicativo de CLAUDIA Cozinha com nossas melhores receitas está disponível para iOS e Android.





