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Acolhimento a mães de natimorto em internação é vetado por Governo de SP

Marina Helou, deputada estadual e coautora do Projeto de Lei, fala da importância de ter mulheres construindo políticas públicas

Por Ana Carolina Pinheiro Atualizado em 12 mar 2021, 00h20 - Publicado em 11 mar 2021, 21h00

Quando uma mulher perde o bebê na gestação, não há, necessariamente, um espaço destinado a elas na internação e no pós-operatório. Para trazer mais segurança e respeito ao luto dessas parturientes, as deputadas estaduais de São Paulo Marina Helou (REDE) e Monica Seixas, da Mandata Ativista (PSOL), e o deputado Coronel Telhada (PP) criaram o Projeto de Lei 355 / 2019.

Segundo o documento aprovado pela Assembleia Legislativa de SP, o texto considera “a obrigatoriedade das redes pública e privada de Saúde oferecerem leito ou ala separada para as mães de natimorto e/ou mães com óbito fetal, e dá outras providências.”

Nesta quinta-feira (10), o Governador de São Paulo João Doria vetou o projeto, demonstrando um retrocesso para as demandas femininas. “Era uma chance de avançar, aprovando uma política pública para um grupo já desamparado e ainda diante de um momento tão dolorido”, lamenta a deputada Marina Helou a CLAUDIA.

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O texto reforça como o local inadequado agrava a condição da mulher. “No mesmo ambiente são reunidas mulheres em condições tão diversas. De um lado, extrema felicidade, de outro, extrema tristeza. Mulheres em trabalho de parto reunidas com mulheres que se encontram com seus bebês sem vida (intra útero) aguardando o parto e com mulheres que já passaram pelo parto para retirada do bebê falecido.”

“Eu sei que faz diferença! Eu fiquei duas horas me preparando para uma curetagem, com muita dor, ouvindo um ultrassom de gêmeos em alto e bom som”, escreveu uma mulher em um post da parlamentar sobre o veto ao projeto.

Segundo Marina, a iniciativa surgiu do deputado Telhada, que passou por uma situação de parturiente nessa condição dentro da família. Mônica e Marina, que dão enfoque às causas da maternidade em seus mandatos, fizeram suas considerações na proposta.

Com a participação delas, outras mulheres puderam dividir suas necessidades e, consequentemente, contribuiriam com o projeto. “O engajamento das mães em políticas públicas voltadas para si próprias é benéfico para toda sociedade. Essa construção está cada vez mais forte agora”, ressalta Marina.

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