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Saiba quais são as acusações de assédio feitas ao presidente da CBF

Em documento, a vítima descreveu episódios de assédio e anexou um áudio que comprova a falta de conduta de Rogério Caboclo, que foi afastado da entidade

Por Da Redação Atualizado em 7 jun 2021, 17h18 - Publicado em 7 jun 2021, 12h00

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado de seu cargo por 30 dias, neste domingo (6), após uma funcionária da entidade acusá-lo de assédio sexual. A denúncia foi registrada formalmente pela Comissão de Ética da CBF e a Diretoria de Governança e Conformidade.

A vítima detalhou por meio de um documento os episódios de abusos que teria sofrido desde abril de 2020, quando foi efetivada como assistente pessoal de Caboclo. Os episódios de assédio acontecerem em viagens, reuniões e em momentos na sala em particular com o até então presidente,

Além de expor os fatos constrangedores que aconteciam no dia a dia, a vítima também trouxe provas auditivas que confirmam as acusações.

“De fato, hoje apresentei uma denúncia ao Comitê de Ética do Futebol Brasileiro e à Diretoria de Governança e Conformidade, para que medidas administrativas sejam tomadas”, disse a funcionária ao ge, o portal de notícias esportivas da Globo, que teve seu nome mantido em sigilo por proteção à vítima.

As acusações

Em acesso ao documento protocolado, o ge revelou alguns trechos, tanto da gravação realizada pela vítima como também do que foi escrito.

O áudio foi gravado pela funcionária na noite do dia 16 de março de 2021. Rogério Caboclo havia lhe chamado até a sua sala particular e pediu para que ela tirasse a máscara e tomasse uma taça de vinho com ele.

Constrangida, ela enviou mensagem a outros dois diretores da CBF. Um deles, em resposta, arranjou um pretexto para entrar na sala, o que permitiu que a funcionária deixasse o ambiente.

Após esse diretor ter se retirado da sala de Caboclo, o então presidente chamou novamente a vítima, que decidiu entrar na sala e gravar o conteúdo da conversa.

Em diversos momentos, Rogério faz menções sobre a sua vida particular e sexual e tenta insistentemente saber detalhes sobre a vida da funcionária. Ele chega a perguntar diretamente se ela se masturba. “Segunda pergunta. Posso?”, disse Rogério para a vítima. “Você se masturba?”, afirmou. A secretária respondeu: “Chefe, tchau (….) Não quero falar disso, não quero”, comentou ao presidente.

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No documento, a vítima descreve que o diálogo gravado teria ocorrido uma semana após um outro fato constrangedor, em que ela teria sido insultada durante uma jornada de trabalho na casa de Rogério Caboclo, em São Paulo.

A secretária descreve que, no episódio, o presidente ingeriu bebida alcoólica durante o dia e a chamou de “cadelinha”, oferecendo biscoitos de cachorro. Ao ser repreendido, ele passou a simular latidos para ela.

No dia seguinte, ao expor que se sentiu constrangida, o presidente disse que não seria mais invasivo para com a vida pessoal da funcionária, mas logo em seguida fez um comentário misógino em relação às roupas da vítima, alegando que eram inapropriadas.

A funcionária afirma ainda que os abusos eram de conhecimento de outros diretores e que, durante todo o período em que eles ocorreram, o presidente estava sob efeito de álcool.

Tentativa de ser silenciada

Afastada do serviço desde o dia 9 de abril deste ano, por motivos de saúde, a vítima ainda foi alvo de uma barganha. Logo após seu afastamento, Rogério Caboclo teria iniciado uma negociação com a funcionária para que o caso não fosse exposto. 

De acordo com a denúncia feita ao Conselho de Ética da CBF, ele teria exigido que ela desse declarações falsas a jornalistas e assinasse um documento desmentindo os ocorridos denunciados. No entanto, a funcionária recusou. 

A defesa da funcionária afirmou que jamais houve algum pedido por parte dela, mas sim uma oferta, que foi recusada.

Em nota, a defesa de Caboclo nega que ele tenha cometido qualquer ato de assédio, emborra reconheça que “brincadeiras inadequadas” foram feitas.

Durante o afastamento de Rogério Caboclo e uma visível crise na CBF – com os desentendimentos em relação à Copa América e às atuais denúncias -, o vice-presidente, Antônio Carlos Nunes, assumiu o cargo. 

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