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O que Ghislaine Maxwell pode revelar e o medo de famosos

Ex-namorada de Jeffrey Epstein pode citar pessoas influentes em depoimento ao FBI

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 7 jul 2020, 09h42 - Publicado em 6 jul 2020, 17h48

O depoimento de Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Jeffrey Epstein, está gerando ansiedade entre famosos e poderosos na Europa e Estados Unidos. A empresária, que foi presa na quinta (2), é acusada de participar diretamente da rede de exploração sexual de menores liderada pelo milionário americano. Segundo testemunhas, era Ghislaine quem selecionava as jovens exploradas e também apresentava Epstein à sua rede de amigos. Ghislaine, que cresceu entre os nobres ingleses e era filha do dono da rede de publicações The Mirror, sempre foi bem relacionada no jet set. A preocupação é justamente sobre quem ela pode citar e denunciar por ter participado de alguma forma na rede de pedofilia comandada por Epstein.

Ghislaine teria chorado muito quando se dirigiu à juíza em New Hampshire, perguntando “por que isso tudo está acontecendo”. A informação dada por  uma das sobreviventes, que pôde participar da audiência em Ghislaine, foi fixada pelo FBI.  Embora ainda negue ter participação nos crimes, a empresária pode negociar as informações que possui com a agência de segurança e fornecer provas para reduzir sua própria pena. Entre as acusações contra ela estão conspiração para aliciar menores para viajar e participação de atos sexuais ilegais, entre outros crimes.

“Ela vai citar nomes grandes – não apenas em termos dos que abusaram das menores nas festas de Epstein – mas também daqueles que fizeram acordos financeiros com Epstein ou se beneficiaram com sua ‘generosidade’, incluindo voar em seu jato e se hospedar em suas residências”, disse Steven Hoffenberg, um ex-sócio de Epstein disse ao site PageSix.

Ghislaine estava desaparecida desde que Epstein foi preso, em agosto de 2019. Segundo o FBI, eles a localizaram em dezembro e vinham acompanhando seus passos. Segundo Hoffenberg, mesmo após a morte de Epstein (que foi encontrado morto em sua cela em um aparente suicídio), ela se via como “intocável”. No entanto, foi justamente a morte do milionário que colocou maior pressão para a prisão de Ghislaine, que tinha total acesso à vida e aos negócios do ex-namorado.

Na rede de contato, o casal tinha ao lado personalidades como príncipe Andrew, presidente Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton, assim como vários artistas famosos. Inclusive, Príncipe Andrew é pessoalmente acusado por uma das sobreviventes de ter abusado dela quando ainda tinha 17 anos, mas nega envolvimento mesmo com as fotos dele no apartamento de Ghislaine em Londres abraçado com a menor.  O advogado criminal Allan Dershowitz, que é amigo da empresária e ajudou a Epstein, também foi acusado de ter tido relações com menores. Ele nega e o processo de difamação está em andamento. Dershowitz falou aos jornais americanos na semana passada que boa parte dos crimes pelos quais Ghislaine está sendo acusada estão prescritos, mas a Justiça Americana segue com o processo.

Ghislaine está detida em New Hampshire, onde foi presa. Em breve, deve ser transferida para Nova York. A operação da prisão, segundo vizinhos, foi cinematográfica e envolveu helicópteros, agentes da FBI e da polícia local. Sem saber que tratava-se da prisão de Ghislaine, os moradores do bairro quase furaram os planos da polícia por reclamaram dos vôos dos helicópteros sobre suas casas. Receosos que a empresária fosse avisada e fugisse, os agentes apressaram a prisão. Ela estava de moletom dentro casa, quando foi surpreendida com a chegada da polícia, mas a mesma não resistiu à prisão.

As sobreviventes comemoraram a prisão de Ghislaine Maxwell, que é apontada como a principal sócia de Jeffrey Epstein no esquema criminoso.

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