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Mulher trans morre após ser deixada em incêndio durante cirurgia plástica

Segundo o marido de Lorena Muniz, a maquiadora não foi retirada do local e permaneceu sete minutos inconsciente e inalando fumaça

Por Da Redação Atualizado em 21 fev 2021, 14h38 - Publicado em 21 fev 2021, 14h33

Neste domingo (21), Lorena Muniz, que era modelo e maquiadora, morreu após ser deixada em um incêndio na clínica Paulino Plástica Segura, em Taboão da Serra, São Paulo. A mulher realizava uma cirurgia plástica de implante de silicone, quando o local sofreu um curto-circuito. A morte cerebral foi divulgada pela deputada estadual Erica Malunguinho e pela vereadora de São Paulo Erika Hilton, ambas de São Paulo.

Segundo o marido de Lorena, o influenciador Washington Barbosa, o procedimento era o grande sonho da esposa. “Ela viajou para São Paulo para fazer a cirurgia com um médico famoso entre as mulheres trans. Teve um curto-circuito e o ar-condicionado pegou fogo. Ela chegou a ficar lá sete minutos inconsciente, inalando fumaça”, contou Washington em um vídeo, em que pedia ajuda para sair de Pernambuco para São Paulo.

Assim como Erica Malunguinho, a vereadora Erika Hilton também acompanhou o caso e prestou suporte jurídico para a família de Lorena.

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Malunguinho ressaltou sobre a precariedade dessas clínicas e da fiscalização do poder público. “Muitas meninas trans e travestis são vítimas de clínicas que realizam processos cirúrgicos que não garantem a segurança e qualidade dos procedimentos. É uma realidade no Brasil. Profissionais não habilitados, ambientes inadequados. É um fato que, inclusive, também pode prejudicar pessoas que não são trans. É fundamental que os órgãos competentes fiscalizem esses locais. Ao contrário do que pensam, isso não é um processo estético, e sim parte da luta das pessoas trans e travestis em se encontrarem no corpo de suas identidades.”

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Erica também lembrou que pessoas trans podem fazer o processo transexualizador pelo SUS, mas que “é preciso avançar para que o descaso que culminou nesta tragédia não seja uma constante.” Desde 2006, o sistema introduziu por meio da Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde o direito ao uso do nome social. A partir de 2008, a comunidade T passou a ter direito de fazer cirurgias de redesignação sexual, porém a espera pelo atendimento é lenta pela combinação dos fatores: quantidade de pessoas interessadas, tempo do processo e infraestrutura disponível.

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