Livro criticado por Crivella se esgotou em meia hora na Bienal

O prefeito do Rio havia mandado recolher os exemplares de "Vingadores, a cruzada das crianças" do evento por conta de um beijo gay entre personagens

O livro “Vingadores, a cruzada das crianças” teve todos os seus exemplares esgotados durante a Bienal do Livro do Rio, em pouco mais de meia hora, nesta sexta-feira (6). A obra, que estava sendo vendida em diferentes estandes, já não estava mais disponível às 9h39, de acordo com a organização da feira.

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Na noite de quinta-feira (05), o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, publicou um vídeo em seu Twitter criticando o conteúdo do livro e determinando que organizadores do livro recolhessem a obra por “possuir conteúdo impróprio para menores.”

No mesmo dia, a direção da Bienal afirmou, em nota, que não iria retirar os livros e que daria voz “a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser”, além disso enfatizou que o evento é “plural, onde todos são bem-vindos e estão representados”.

“Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor”, diz a nota.

A HQ (história em quadrinhos) traz, em uma de suas páginas, uma imagem de um beijo entre dois personagens masculinos – os personagens Wiccano e Hulkling, que, na trama, são namorados. O livro, de Allan Heinberg e Jim Cheng, foi lançado em 2016 e publicado pela editora Salvat.

HQ "Vingadores, a cruzada das crianças" foi considerada imprópria por conter beijo entre dois homens HQ “Vingadores, a cruzada das crianças” foi considerada imprópria por conter beijo entre dois homens

HQ “Vingadores, a cruzada das crianças” foi considerada imprópria por conter beijo entre dois homens (Redes Sociais/Reprodução)

 

Fiscais vão à Bienal

Logo no início do evento, fiscais da Secretaria de Ordem Pública da Prefeitura do Rio foram à Bienal do Livro para identificar e lacrar as obras consideradas “impróprias”. A Prefeitura informou, em nota, que a ação foi realizada para cumprir o Estatuto da Infância e do Adolescente e ameaçou cassar a licença da Bienal.

“A legislação determina que publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes sejam comercializadas com lacre (embaladas em plástico ou material semelhante), com a devida advertência de classificação indicativa de seu conteúdo”, diz a nota.

“No caso em questão, a Prefeitura entendeu inadequado, de acordo com o ECA, que uma obra de super-heróis apresente e ilustre o tema do homossexualismo a adolescentes e crianças, inclusive menores de 10 anos, sem que se avise antes qual seja o seu conteúdo”, completou.

O aviso ainda afirma que a editora Salvat sabia da obrigação legal, “tanto que a obra estava lacrada. Não havia, porém, uma advertência neste sentido, para que as pessoas fizessem sua livre opção de consumir obra artística de super-heróis retratados de forma diversa da esperada.”

Ao ser perguntado se a fiscalização seria uma tentativa de censura, o subsecretário de operações da Secretaria de Ordem Pública, coronel Wolney Dias, respondeu: “Não é censura. Estamos cumprindo uma recomendação da Procuradoria Geral do Município”, disse Dias a jornalistas na Bienal.

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